Clima castiga agro brasileiro, o que esperar do segundo semestre?

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Tropa de mulas na Fazenda Barreiro Grande - Nova Crixás (GO) / Foto: Olívia Carvalho
Tropa de mulas na Fazenda Barreiro Grande - Nova Crixás (GO) / Foto: Olívia Carvalho

Geadas atingem culturas no Centro Sul, estiagem atrasa desenvolvimento do trigo no Sul e valor de comercialização do café arábica dispara com geadas

Geadas atingiram plantações de cana-de-açúcar, café e laranja na região centro-sul do Brasil nesta terça-feira, de acordo com um boletim da Rural Clima. No primeiro semestre de 2021, os agricultores enfrentaram a pior seca em 91 anos, prejudicando parte de sua segunda safra de milho e reduzindo as perspectivas de exportação do Brasil.

Marco Antonio dos Santos, que é sócio e diretor da consultoria de serviços meteorológicos, disse que recebeu vários vídeos mostrando geadas, mas pontuou que é muito cedo para determinar os danos causados às lavouras. As temperaturas devem subir a partir de quarta-feira, à medida que uma frente fria se distancia, disse ele.

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Foto: Reprodução

As geadas foram documentadas até ao sul do Estado de Goiás, no coração da produção agrícola nacional, disse Santos, referindo-se à região centro-oeste, onde as temperaturas médias tendem a ser mais elevadas do que no sul do Brasil.

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Foto: Frank Nery

Café arábica avança mais de 6% com geada no Brasil

Os contratos futuros do café arábica na ICE fecharam em alta de mais de 6% nesta terça-feira, impulsionado pelos temores sobre danos nas safras de café após geadas atingirem áreas de produção no maior produtor, Brasil, pela segunda vez no ano. O café arábica para setembro fechou em alta de 10,4 centavos de dólar, ou 6,6%, em 1,668 dólar por libra-peso, pouco antes de um pico de 4 anos e meio.

“O mercado agora está tentando avaliar os danos. Esta é a primeira vez que vemos geadas em uma parte significativa do cinturão do café”, disse o analista do Rabobank Carlos Mera. Os cafezais estão extremamente sensíveis às geadas, que matam folhas e prejudicam o potencial de produção da próxima safra.

Crise hídrica, calor intenso, excesso de chuvas e geadas: os cafezais brasileiros enfrentaram situações adversas desde o ano passado. Em setembro, época da florada, fase que determina o potencial produtivo da planta para o ano seguinte, a estiagem foi intensa e as temperaturas, mais altas que no ano anterior principalmente em Minas Gerais e São Paulo.

Foto: Cotricampo / Divulgação

Estiagem atrasa desenvolvimento do trigo no Rio Grande do Sul

A falta de chuvas tem atrasado o desenvolvimento das lavouras de trigo no Rio Grande do Sul em momento em que o plantio da safra 2021 entra em reta final, afirmou a FecoAgro/RS nesta terça-feira, destacando que expectativas de que precipitações fossem registradas ao longo da última semana não se confirmaram.

Segundo o presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul, Paulo Pires, o plantio atrasou nas zonas mais quentes. “Temos trigo que já foi passado na uréia, trigo com desenvolvimento bem adiantado e trigo que recém está germinando”, disse Pires em nota, acrescentando que, de forma geral, a falta de chuva está atrasando o desenvolvimento em regiões como Santa Rosa e Missões.

Previsão de chuva?

Com relação a chuvas, essa massa de ar polar impedirá a formação de nuvens de chuvas ao longo de toda essa semana. Não há previsões de que venham ocorrer chuvas, a não ser nas regiões litorâneas do Norte e do Nordeste. No entanto, a partir do dia 25 um novo centro de baixa pressão – frente fria – estará avançando sobre o sul do Brasil, organizando as linhas de instabilidade e levando chuvas a grande parte das regiões produtoras do RS, SC e PR, além de áreas no sul do MS. Na virada do mês este sistema poderá ganhar um pouco mais de força e ocasionar chuvas em grande parte das regiões produtoras de SP, SUL DE MG, MS, extremo sul do Goiás e Triângulo Mineiro.

Risco de La Niña cresce

Analistas do Bank of America veem um risco crescente de La Niña neste segundo semestre, o que deve afetar principalmente companhias de proteínas por causa dos potenciais reflexos do fenômeno meteorológico nos preços dos grãos. “As probabilidades aumentam a cada mês e o cenário base já indica mais de 80% de chance de o fenômeno ocorrer”, afirmaram em relatório a clientes. Eles observaram que o La Niña anterior, em 2020, atrasou as chuvas, retardando a safra e causando queda em sua produtividade, principalmente no caso do milho.

O segundo semestre será, de fato, muito desafiador para o homen do campo, esteja preparado.

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