Com Cepea recuando R$ 22,95/@, as tensões crescem!

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Foto: Gilson Paulo Costa.

“Alguém anotou a placa do caminhão que atropelou o boi?” Os preços do boi gordo, informado pelo CEPEA, “passou a rasteira” no pecuarista e valor despencou mais de R$ 22,00/@ em único dia!

O mercado físico do boi gordo registrou mais uma vez preços, predominantemente, pouco alterados nesta quarta-feira, 03, com uma grande surpresa em São Paulo – segundo os dados do CEPEA. Diante disso, apesar da “catástrofe”, a expectativa é de novas altas no curto prazo. Com a entrada de salários e a chegada do Dia dos Pais, o mercado de boi gordo tem a reposição entre atacado e varejo melhorando durante a primeira quinzena de agosto.

“Neste momento, as atenções do mercado se voltam ao ambiente de negócios a partir de meados de agosto, com olhares sobretudo voltados ao desempenho das exportações brasileiras, bem como a real efetivação de uma demanda doméstica mais ativa, impulsionada pelo recebimento dos ajustes nos valores dos benefícios sociais por parte do governo federal”, observa IHS.

Cepea causa revolta, indignação e prejuízo

Apesar de todos os fatores apontar para um viés de valorização no curto prazo, o CEPEA “passa a rasteira” no pecuarista e preço despenca mais de R$ 22,00/@ em único dia!

Os preços tiveram o seu “pior momento” nessa quarta-feira, 04, após o fechamento do mercado do boi gordo. Como é visto no gráfico abaixo, o mercado sofreu uma desvalorização diária superior a R$ 22,00/@, conforme gráfico abaixo. Sendo assim, após mais de 30 com valor ficando sempre superior a R$ 314,00, a arroba na média paulista, fechou cotada a R$ 299,55. Além disso, o preços em dólar atingiu o menor patamar, US$ 54,79/@

Demais consultorias e preços mais reais

Segundo a Scot Consultoria, em seu relatório diário, na comparação diária, queda de R$2,00/@ de boi gordo e R$1,00/@ de novilha gorda. As ofertas de compra vigentes estão em R$304,00/@ de boi gordo, R$280,00/@ de vaca gorda e R$297,00/@ de novilha gorda.

Segundo o app da Agrobrazl, as negociações informadas apontaram uma média para as praças paulistas, no valor superior a R$ 311,00/@, com mercado mais truncado, mas com melhor fluidez na concretização das negociações.

Conforme dito em dias anteriores, o cenário para o boi China – animais de até 30 meses de idade -, a referência está em R$315,00/@, estável, na mesma comparação. O app da Agrabrazil, em Caiuá, interior paulista, o preços informado foi de R$ 315,00/@ com o pagamento no prazo de 30 dias e abate programado para o dia 08 de agosto.

De forma generalizada, neste momento, o mercado ainda se depara com várias indústrias frigoríficas ausentes da compra de gado, ainda desfrutando de uma posição confortável em suas escalas de abate, que hoje estão posicionadas entre seis e oito dias úteis em média, seguindo em redução por conta da menor oferta de animais para abate que já é vista nas praças.

A incidência de animais a termo acaba tornando o quadro ainda mais confortável para determinados frigoríficos, com algumas indicações de escala para a semana que se inicia no dia 15/08.

“Mesmo com previsão de boa demanda é possível que não haja espaço para grandes reajustes no decorrer de agosto, com a incidência de algumas negociações acima da referência média para preencher alguma lacuna formada na programação”, diz Iglesias, da Agência Safras.

Volume de exportações em julho/22 fica bem próximo do recorde histórico para o mês

O Brasil exportou 167,3 mil toneladas de carne bovina in natura em julho/22, resultado ligeiramente superior (aumento de 1%) ao total embarcado em igual mês de 2021, segundo dados divulgados nesta terça-feira, 2 de agosto, pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Em receita, as vendas externas computadas em julho/22 geraram US$ 1,09 bilhão, 21,6% acima do faturamento arrecadado no mesmo período em 2021 e “o melhor resultado mensal de 2022”, destaca o analista da Agrifatto.

Consumo no Brasil deve cair ao menor nível em 26 anos

consumo de carne bovina pelos brasileiros deve cair ao menor nível em 26 anos, segundo estimativa divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) na última segunda-feira (1º). A disponibilidade do produto em 2022 deve atingir 24,8 kg por pessoa, menor proporção da série histórica, iniciada pelo órgão em 1996.

No período pré-pandemia, em 2019, a disponibilidade de carne bovina era de 30,6 kg por pessoa no país. O ano de 2006 registrou a maior proporção do produto, com 42,8 kg de carne bovina por habitante. A disponibilidade de carne por pessoa é obtida por meio de cálculo que soma os números de produção nacional e importação e subtrai o volume exportado.

Giro do boi gordo pelo país

  • Em São Paulo (SP), a referência para a arroba do boi caiu para R$ 313.
  • Em Dourados (MS), os preços também não tiveram alterações e ficaram em R$ 289.
  • Em Cuiabá (MT) a arroba de boi gordo teve preço de R$ 284.
  • Em Uberaba (MG), os preços ainda são de R$290.
  • Em Goiânia (GO), os preços do boi também se mantiveram e ficaram em R$ 290 a arroba.

Atacado da carne bovina

Por outro lado, o mercado atacadista de boi gordo confirma a tendência de alta dos preços no decorrer da semana.

Conforme o esperado a reposição entre atacado e varejo vem melhorando ao longo da primeira quinzena de agosto. Está semana é de entrada de salários na economia. A próxima será pautada pelo adicional de consumo relacionado ao Dia dos Pais. Portanto, a expectativa é de novos reajustes no curto prazo, diz Iglesias.

“A entrada da massa salarial e o Dia dos Pais estimulam a reposição entre atacado e varejo”, destaca Iglesias. Dessa maneira, o quarto dianteiro do boi fechou com preço de R$ 16,80, crescimento de R$0,60. Já a ponta de agulha também teve alta e ficou cotada a R$ 16,75. Por fim, o quarto traseiro do boi mantém-se em R$ 22,00 por quilo.

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