Confinamento: estratégia para produtividade e sustentabilidade

Confinamento: estratégia para produtividade e sustentabilidade

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Confinamento e Boitel VFL BRASIL. Foto: Marcella Pereira

A variação na produção das pastagens afeta a produção de bovinos de corte no país; O confinamento entra como estratégia para produtividade e sustentabilidade.

A carne bovina no Brasil é predominantemente produzida em pasto, sistema barato e eficiente quando bem manejado. Porém um dos problemas enfrentados nesse ambiente é a estacionalidade na produção das plantas forrageiras, que ocorre devido às oscilações climáticas ao longo das estações do ano.

Em território nacional, a produção de matéria seca em pastagens concentra-se entre outubro e março, com 75 a 85% do total produzido no ano. Essa produção pode variar de acordo com a região, ou seja, de acordo com a disponibilidade de recursos como água, luz, temperatura e nutrientes (CARNEVALLI, sd).

Figura 1: Produção e demanda por forragem ao longo do ano.

Fonte: Scot Consultoria

Sendo assim, a variação na produção das pastagens afeta a produção de bovinos de corte no país, fato que é amplificado pela predominância dos sistemas extensivos que, de forma geral, apresentam baixa produtividade.

A ferramenta confinamento

Nesse cenário, o confinamento de bovinos, cujo objetivo (entre outros) é fornecer a dieta totalmente em cocho, pode ser uma estratégia interessante para amenizar os efeitos da estacionalidade do capim e manter lotações mais altas, proporcionando maior produtividade.

Esse sistema é mais complexo que a terminação em pasto e demanda planejamento técnico-econômico, visto que depende de disponibilidade de alimentos, estrutura e maior emprego de mão-de-obra, entre outras variáveis.

Boa parte dos confinamentos do Brasil estão na região Centro-Oeste, principalmente por ser uma região com boa oferta de alimentos, como, por exemplo, milho, farelo de soja e coprodutos, como DDG e farelo de algodão, aliados na diminuição de custos.

Sustentabilidade

O confinamento, quando analisado de forma absoluta, aumenta as emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), pois a mudança no padrão fermentativo no rúmen gera maior volume de metano. Porém o encurtamento no ciclo de produção, e o consequente aumento na produtividade de carne, geram menor emissão do gás por quilo de carne produzida. Considerando a produção dos alimentos utilizados, teremos um aumento na emissão de oxido nitroso, devido ao uso intensivo de fertilizantes nitrogenados e ao maior volume de nitrogênio volátil nos dejetos.

Entretanto, o aumento na eficiência dos sistemas de produção supera essa alta na emissão de GEE. Considerando a maior produtividade, já foi observada queda de aproximadamente 17% na emissão de GEE por quilo de carne produzida (ALMEIDA, 2010).

Plano ABC (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono) é uma política pública brasileira implementada com a finalidade de melhorar a eficiência no uso de recursos naturais, diminuindo também as emissões de GEE.

Uma das ações do plano é uma linha de crédito rural, com juros atrativos para produtores que desenvolverem projetos que contribuam para mitigação na emissão de gases poluentes. Segundo a diretora do Departamento de Produção Sustentável e Irrigação do ministério da Agricultura, Mariane Crespolini, a terminação intensiva de bovinos poderá integrar a nova carteira de projetos da linha. Sendo assim, possivelmente teremos linhas de crédito mais atrativas para os produtores que pretendem intensificar a terminação de bovinos.

O confinamento é uma estratégia interessante para intensificação na produção de gado de corte, aumentando a produtividade e encurtando o ciclo de produção. Quando bem planejado, gera retorno financeiro, além de proporcionar diminuição na emissão de GEE por quilo de carne produzida.

Outro ponto importante é a melhora na carcaça produzida, resultado do abate de animais jovens e mais bem acabados, fato que permite acesso a mercados exigentes e a bonificações.

A intensificação é o caminho para melhorar a eficiência no uso de recursos. O país possui potencial nesse cenário, a produtividade média ainda é baixa, e com a utilização de tecnologia é possível aumentar a produção de carne e preservar o meio ambiente.

Referências

Almeida, M. H. S. P. Análise econômico-ambiental da intensificação da pecuária de corte no Centro-Oeste brasileiro. ESALQ-USP. Piracicaba-SP, 2010.
Carnevalli, R. A. Princípios Sobre manejo de pastagens. Embrapa, sd.
Plano ABC – Agricultura de Baixo Carbono – Secretária da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural. https://www.agricultura.rs.gov.br/plano-abc.

Fonte: Scot Consultoria

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