Confinamento: Região de MT remunera 6% sobre investimentos

Confinamento: Região de MT remunera 6% sobre investimentos

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Confinamento boitel VFL Brasil
Boitel VFL Brasil. Foto: Marcella Pereira

Chegou a hora do confinamento e a pergunta que todo pecuarista se faz é: “Vale a pena confinar em 2019?”. Pois bem, vamos aos números!

Por Mariane Crespolini*

Caro leitor,  

Na última semana, fiz uma palestra na região de Juara, em Mato Grosso. Nesta palestra, com os dados de um boitel e também informações de alguns pecuaristas, realizei uma simulação sobre a viabilidade econômica do confinamento em 2019. Será que a conta fecha? Vamos aos números.  

Na região, o peso médio de entrada dos animais no cocho é de 375 kg, ou 12,5 arrobas. O peso médio de venda destes animais é de 535 kg, quase 19 arrobas. Com base nas afirmações dos participantes do evento, considerei que o animal ficará 90 dias no cocho, para registrar um Ganho de Peso Médio Diário (GMD) é de 1,778 kg. Quando questionei sobre o rendimento de carcaça, obviamente, houve divergências. Para ser conservadora, considerei um rendimento de 53%. Mas, a administradora do boitel, uma pessoa que respeito demais, me afirmou que no ano anterior conseguiram rendimentos de 55%.  

Tabela 1: Estrutura do Rebanho e Indicadores Técnicos  

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Elaboração: Mariane Crespolini

Questionei os produtores sobre o valor da arroba de boi magro: chegamos em um valor médio para abril de R$145. Com isso, um animal de 12,5 arrobas está valendo em torno de R$1813. O custo da arroba produzida no boitel que visitei é de R$115. Ou seja, um custo total com diária de R$736. Neste caso, vale ressaltar que se você possui estrutura própria de confinamento ou ainda que faz sua própria cria-recria, estes valores podem ser menores.  

Então, com base nestes indicadores técnicos e econômicos, o custo total do animal, incluindo a compra do magro fica em R$2549. Ao dividir este valor pelas 19 arrobas, o custo de produção por arroba vendida é de R$135 – livre de Funrural. Na minha opinião, como analista de mercado, este é o número mais importante desta simulação: ele indica o ponto de equilíbrio. Acima dos R$135, o confinamento começa a apresentar viabilidade econômica.  

Na data em que estive na região, a “rádio peão” afirmava que já haviam frigoríficos oferecendo o termo para outubro a R$143. Considerando este preço de venda, o valor de venda do animal fica em R$2703. O lucro bruto fica em R$154 e por arroba em R$8. O retorno sobre o investimento fica em 6,05%. Veja na tabela 2. 

 Tabela 2: Indicadores de Custos e Receitas  

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Elaboração: Mariane Crespolini

Então, vale a pena confinar? 

O que eu fiz acima foi “continha de padaria”. Há outros impostos que devem ser considerados na análise, mas dependem se a pessoa é física ou jurídica. Lembrando que se o confinamento é seu, há outros custos que devem ser colocados na ponta do lápis. Do mesmo modo, alguns itens vão ficar mais barato. O importante é que a partir desta conta acima que começamos a tomar nossas decisões. O retorno de 6% é competitivo inclusive outros investimentos.  

Então, com base nas premissas, vale a pena confinar.  

No entanto, não adianta fazer todos estes investimentos e confiar que o cenário de preços para outubro vai se manter no patamar da simulação ou vai subir. Em alguns anos, o que o mercado apontava não se consolidou e até mesmo caiu – como pecuarista, espero que este não seja a realidade de 2019. Então, apesar de ter fé nas melhoras, o ponto fundamental é: o mercado do boi gordo oferece ferramentas para você fazer proteções contra a queda de preços.  

Estas ferramentas podem ser o mercado a termo, o mercado futuro com ajuste diário ou até mesmo o seguro de preços mínimos (chamado de put). Este último é meu preferido e é o que eu, como pecuarista e como investidora, utilizo para proteger pelo menos o custo de produção. Mas, este é assunto para um próximo texto.  

*Mariane Crespolini – graduada em Gestão Ambiental pela ESALQ/USP, Mestre e Doutoranda em Desenvolvimento Econômico pela Unicamp. Consultora em Mercados Agropecuários. Pecuarista na região norte de Mato Grosso.

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