Conheça os golpes mais comuns na hora de comprar e vender gado

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Bovinocultura de corte. Boi. Boiadeiro
Foto: Wenderson Araujo/Trilux

Internet tem se tornado uma ferramenta eficaz para os estelionatários que, sem sair de casa, intermediam negociações de gado e fazem vítimas no campo

Golpes desafiam pecuaristas da época de negócios no “fio do bigode” – A expressão surgiu há décadas atrás, na época o bigode era um símbolo de homem honrado, que, além de barba, tinha “vergonha na cara”. Seu significado é prometer algo verbalmente, sem precisar de assinatura, e sua origem é incerta. Acredita-se que tenha surgido da frase germânica “Bei Gott”, usada em juramentos e que significa “por Deus” – Segundo o Museu da Língua Portuguesa.

E assim, durante anos, essa expressão vem transcendendo o mundo dos negócios, e ainda hoje, esse modelo antigo é encontrado. Diante de um mercado tão cruel e tecnológico, que acabou suplantando alguns valores éticos e morais, costuma-se dizer o seguinte: “antes de selar uma venda, certifique-se que o comprador tenha garantias e seja alguém conhecido de sua confiança”.

Foto: Wenderson Araujo/Trilux

E-mails, mensagens de celular, sites falsos, links, ofertas irresistíveis…E um problema que está atordoando a vida dos brasileiros: a avalanche de golpes eletrônicos. Quem não caiu, conhece alguém que já se deu mal. Os avanços trazidos pela popularização da internet trouxeram suas vantagens e desvantagens. É inegável a importância dela para os avanços do campo, principalmente na Pecuária de Precisão e Agricultura 4.0.

A cada hora, cem brasileiros são vítimas de estelionato. Mas quais são as fraudes do momento? Como se proteger? O Compre Rural está de olho nisso. Recentemente pecuaristas gaúchos sofreram, o que pode ser, um dos maiores golpes da pecuária brasileira. Ao todo neste caso, mais de 70 pecuaristas sofreram algum dano financeiro, a Polícia Civil calcula prejuízos na casa de R$ 30 milhões.

gado roubado no rio grande do sul
Foto: Reprodução / RBS TV

O delegado André de Matos Mendes, encarregado do caso, explicou o modus operandi do estelionatário – O suspeito dos golpes alternava a negociação entre os compradores para fazer girar os lucros. “Ele comprava gado por um valor a prazo, para pagar em um mês, dois meses, e vendia esse mesmo gado por um preço mais baixo e prazo menor para receber. Ia girando esse dinheiro. Até que, num determinado momento, aconteceu esse problema: ele ficou devendo para bastante gente”, disse Mendes.

Outro grande perigo são as plataformas digitais de comercialização de gado, tanto sites quanto apps estão cheios de anúncios falsos ou clonados.

Anúncio clonado: como é o golpe que te faz perder dinheiro

A nova modalidade praticada por estelionatários – a de clonar anúncios de vendas na internet, principalmente em sites e apps especializados. Nesta nova modalidade, os golpistas clonam o anúncio verdadeiro de um lote de gado à venda, e publicam com um valor inferior, e adicionam seus dados para contato. O comprador, interessado pelo preço atrativo, entra em contato com o estelionatário que age como um intermediário com o vendedor. A cada um deles, o golpista afirma que o outro tem uma dívida com ele e os convence de não conversarem sobre valores quando for feita a visita para ver o gado.

Nestes casos as duas partes são enganadas, pois o vendedor também é convencido que irá receber pela venda do gado. Normalmente o caso é descoberto quando o comprador vai até a fazenda carregar o gado, entretanto o dono real dos animais informa que não recebeu o depósito – que foi feito na conta do estelionatário pelo comprador.

A seguir, algumas dicas para evitar os golpes:

  • Sempre desconfie de gado sendo negociado com valores muito abaixo do preço de mercado;
  • Um bezerro Nelore vale em torno de R$ 3.000, caso encontre ofertas abaixo de R$ 2,5 mil, desconfie, talvez você pode se tornar mais uma vítima;
  • Nunca repasse seus dados (fotos, documentos) por telefone ou aplicativos de conversação, sem a certeza da idoneidade da pessoa que está negociando;
  • Nunca entregue seu gado sem a certeza que o valor pago foi devidamente creditado em conta bancária;
  • Evite aceitar depósitos bancários por meio de envelope. Nesse caso, apenas efetue qualquer ato de entrega, após a certificação do crédito dos valores na conta bancária.
Foto: Wenderson Araujo/Trilux

Falsos vendedores na intermediação

Outra forma bastante usada é quando existe um falso vendedor/corretor. Neste caso o verdadeiro proprietário dos animais publicou em sua rede social, fotos de um lote de bovinos a venda por R$ 140 mil. O criminoso que se apresentou como comprador, deu a condição para realizar o pagamento, somente quando fizesse a venda para outra pessoa. Agora só falta o outro elo da corrente, a outra vítima, que talvez por falta de conhecimento ou acreditando ser uma oportunidade de ouro entre em contato com o criminoso.

O gado que valia R$ 140 mil, foi anunciada pelo suposto vendedor por R$ 80 mil, mas acabou dando desconto e deixando por R$ 60 mil, um desconto de quase 57%. Pensando estar fazendo um negócio da China, a vítima depositou o dinheiro combinado, fretou um caminhão e viajou para buscar o gado. Mas ao chegar na fazenda, o dono do gado lhe informou que ainda estava esperando “vendedor/corretor”, transferir o dinheiro.

As horas se passaram e diante da demora e das contradições, ambos perceberam que tratava-se de um caso de estelionato. De acordo com a polícia, foi feito contato com a gerência do Banco do Brasil. Mas a informação obtida é que o dinheiro já tinha sido transferido para outras contas, não sendo possível bloquear o depósito. Importante salientar que depois da transferência, dificilmente você reaverá seu dinheiro honesto e suado.

É muito fácil e comum o estelionatário clonar o anúncio que foi publicado na internet, o golpe comum com veículos, mas que tem se tornado comum também na pecuária. “Recentemente fiz um anúncio através da internet, poucas horas depois me ligou um possível interessado. Ele comentou que tinha dívidas pra acertar com um amigo e mandaria ele até o sítio para ver o gado. Quando ele me pediu pra não falar com o possível comprador sobre os valores de negociação e que isso deveria ser tratado somente com ele eu desconfiei e bloqueei a número do bandido.” nos contou José Mauro Peruchi, pecuarista do interior de São Paulo.

A internet é uma super ferramenta, e contribuirá para o progresso da Pecuária, mas com ela também vem seus perigos. Tome cuidado para que o trabalho de uma vida não seja perdido. Na dúvida, leve esse ditado consigo: “Quando a esmola é demais o santo desconfia.”

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Fundador e editor do Compre Rural, pós graduado em Consultoria Web, especialista SEO e aspirante a produtor rural.