Cotribá aprova liquidação extrajudicial com dívida estimada em R$ 1,4 bilhão. Cooperativa de 115 anos prevê continuidade das atividades e busca reorganizar suas finanças após ter a recuperação judicial barrada.
A Cotribá, considerada a cooperativa agropecuária mais antiga em atividade no Brasil, aprovou sua dissolução voluntária e o início da liquidação extrajudicial, com continuidade das operações. A decisão foi tomada na terça-feira (20), durante assembleia geral extraordinária em Ibirubá, no Noroeste do Rio Grande do Sul, diante de dívidas estimadas em R$ 1,4 bilhão.
A proposta recebeu aprovação unânime dos 375 associados presentes. O presidente Sergio Strentzke foi escolhido como liquidante, assumindo a condução dessa nova etapa. Para produtores, funcionários e credores, o principal ponto é que a decisão prevê a manutenção das atividades enquanto a cooperativa busca uma saída para a crise financeira.
O que muda com a liquidação da Cotribá
A aprovação altera a forma de administração da cooperativa e abre um procedimento para organizar seu patrimônio, suas obrigações e o pagamento dos credores. A continuidade operacional dependerá da capacidade de gerar caixa e das negociações financeiras.
O edital levado aos associados previa poderes para o liquidante renegociar dívidas, contratar financiamentos, vender bens e oferecer ativos em garantia. Também estabelecia fiscalização por um conselho fiscal e prestação de contas em assembleias semestrais ou sempre que necessário.
Como o Compre Rural mostrou ao noticiar a convocação da assembleia para votar a liquidação da Cotribá, a proposta já contemplava a manutenção dos negócios durante o procedimento.
Recuperação judicial barrada antecedeu a decisão
A mudança de estratégia ocorreu depois de a 6ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul negar à Cotribá o acesso à recuperação judicial, em setembro.
O colegiado considerou a natureza jurídica da cooperativa como sociedade simples e reformou a decisão de primeira instância que havia permitido o andamento do processo.
No pedido apresentado em abril, a Cotribá declarou aproximadamente R$ 1,427 bilhão em dívidas, distribuídas entre 20.614 credores. Esse montante corresponde ao passivo informado naquela ocasião e não deve ser tratado como um balanço atualizado após a assembleia.
O histórico da crise e os desafios para os associados foram detalhados pelo Compre Rural na reportagem sobre a dívida bilionária e a votação da dissolução da cooperativa.
Desafio envolve serviços essenciais ao produtor
Fundada em 1911, a Cotribá construiu sua atuação no recebimento, armazenamento e comercialização de grãos, além de negócios com insumos, nutrição animal e outros serviços ligados ao campo.
A cooperativa atribuiu suas dificuldades à combinação de queda nas cotações das commodities, custos elevados, inadimplência e eventos climáticos no Rio Grande do Sul.
Agora, o desafio será transformar a continuidade autorizada pelos associados em uma operação financeiramente viável. Para quem mantém negócios com a instituição, os próximos passos precisarão esclarecer as condições de pagamento, o destino dos ativos e a capacidade de preservar os serviços utilizados nas propriedades rurais.
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