Copom corta Selic para 13,75% ao ano e mantém cautela sobre novos cortes

Banco Central reduz juros pela quinta vez consecutiva, mas evita antecipar os próximos passos; inflação desacelera, enquanto cenário fiscal, câmbio, petróleo e riscos climáticos seguem no radar

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (16) reduzir a taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano. O corte de 0,25 ponto percentual foi aprovado por unanimidade e passa a valer nesta quinta-feira (17).

Foi o quinto corte consecutivo da taxa básica de juros. Desde março, quando começou o atual ciclo de redução, a Selic acumulou queda de 1,25 ponto percentual, saindo de 15% para os atuais 13,75% ao ano.

Apesar da nova redução, o principal recado do Banco Central foi de cautela. O Copom não antecipou se haverá outro corte na próxima reunião nem definiu até onde os juros poderão cair. Segundo o comunicado, a magnitude total do ciclo dependerá das novas informações sobre inflação e atividade econômica.

Inflação melhora, mas ainda preocupa

O espaço para reduzir a Selic veio da desaceleração recente dos preços e da atividade econômica. Mesmo assim, o Banco Central destacou que a inflação permanece acima da meta de 3% e que as expectativas do mercado continuam elevadas.

Na pesquisa Focus considerada pelo Copom, as expectativas de inflação estão em 4,9% para 2026 e 4,3% para 2027. Já a projeção do próprio Comitê para o primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária, está em 3,2%.

Entre os riscos observados estão a política fiscal brasileira, uma possível desvalorização persistente do real, preços do petróleo, conflitos internacionais e efeitos climáticos sobre a produção agrícola e os custos de energia.

O que muda para o agro?

Para o produtor rural, a redução é positiva, mas o custo do dinheiro continua elevado. A Selic funciona como referência para diversas taxas praticadas na economia e, em patamares altos, pressiona financiamentos, capital de giro, investimentos, renegociações e operações de crédito fora das linhas subsidiadas.

A queda para 13,75% começa a aliviar gradualmente esse ambiente, mas ainda está longe de representar crédito barato. O ponto central agora será saber por quanto tempo o Banco Central continuará reduzindo os juros.

O Copom deixou essa resposta em aberto: novos cortes dependerão principalmente da trajetória da inflação, das expectativas e das condições fiscais e econômicas nos próximos meses.

Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias.

Siga o Compre Rural no Google News e acompanhe nossos destaques.
LEIA TAMBÉM