Desafios para cadeia da carne no Brasil, e agora?

Desafios para cadeia da carne no Brasil, e agora?

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Foto: Marca Peixe

Confira os desafios do setor, de acordo com pesquisadores da CiCarne, o departamento de análise de tendências da Embrapa; Mercado em alta e atenção também!

O Centro de Inteligência da Carne (Cicarne), departamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), criado para monitorar e analisar as tendências dessa cadeia produtiva, apresentou um documento no qual aponta o cenário de desafios de seus vários elos. 

Chamado “Gargalos Competitivos da Cadeia Produtiva da Carne Bovina Brasileira”, o trabalho foi elaborado por  Daniel Penze e Carlos Roberto Rolt, ambos pesquisadores do LAB.ges – Laboratório de Inovação na Gestão, mais Guilherme Cunha Malafaia.

De acordo com os pesquisadores, “os agentes que compõem essa cadeia diferem muito entre si, de pecuaristas altamente capitalizados a pequenos produtores empobrecidos; de frigoríficos com alto padrão tecnológico, capazes de atender demandas exigentes, a abatedouros que não cumprem o
mínimo da legislação sanitária” É a falta de integração da cadeia produtiva que leva à inviabilidade de melhorias sistêmicas de competitividade da cadeia.

A seguir, confira aos  são os principais gargalos de cada etapa da cadeia da carne bovina, de acordo com os pesquisadores.

Pecuarista

  • Incerteza sobre a venda: a falta de clareza na definição do rendimento de carcaça e do valor pago.
  • Cisticercose e carrapatos: parcela significativa da carne é descartada por conta de cisticercos. Carrapatos são o problema sanitário mais comum no país e também geram perdas significativas.
  • Retorno sobre investimento: pecuaristas não são habituados ao cálculo do retorno sobre o investimento, o que fica claro nos ciclos produtivos que são os mais longos do mundo.
  • Desinteresse em rastreabilidade: não há estímulo para implantar a rastreabilidade.
  • Assimetria de informação: a sanidade da maioria dos animais somente se revela no momento do abate (saúde, dieta hídrica, prazo de carência pós vacinação).
  • Qualidade da cobertura (sêmen): baixa utilização de material genético melhorador de rebanhos.
  • Falta de referência de acabamento: animais na sua maioria oriundos de sistemas extensivos com pouca capa de gordura. Raramente há um período de acabamento.
  • Animais não castrados: a prática comumente usada para aumento de peso de machos é deixar o animal inteiro, não castrado, abatido com 4 anos em média e com problema chamado “carne escura”, o qual tem grande incidência.

Transportadores de animais vivos

  • *Altos índices de lesões ou stress: pela não aplicação das boas práticas de transporte, prejudicando a percepção de qualidade dos consumidores sobre o processo como um todo.
  • Longas distâncias percorridas: A escassez de animais em determinadas localidades aumenta as distâncias percorridas entre a fazenda e o frigorífico, em um sistema rodoviário mal conservado.
  • Trabalhadores mal treinados: trabalhadores mal treinados e que não dão importância ao seu trabalho contribuem para a incidência de lesões durante o transporte.
  • Equipamentos antigos: caminhões boiadeiros antigos, carrocerias defeituosas e inadequadas e rampas semas adequações necessárias geram stress e lesões aos animais.
embarque de gado nelore
Foto: Agrônomo Alan Moreira

Frigoríficos

  • Faltam animais para o abate: os longos ciclos de produção inviabilizam a operação de muitas plantas frigoríficas no país pois geram grande ociosidade.
  • Carne escura: carne de animais inteiros e mais velhos, com mais enzimas e com data de validade menor, pouco apreciada pelos consumidores e de baixo valor agregado.
  • Falta de previsibilidade do setor: existe uma dificuldade de antever acontecimentos que podem impactar o fluxo de suprimentos e distribuição.

Armazéns

  • Sazonalidade de ocupação: a ocupação dos armazéns está muito ligada aos períodos de safra e entressafra.
  • Segurança e práticas de PEPS: tratando-se de um produto altamente perecível e de alto valor agregado, é necessário que o controle de entrada e saída seja rigorosamente executado.
  • Insegurança de investimentos: o negócio é altamente dependente das operações dos frigoríficos.
Foto Divulgação.

Transporte de carne

  • Tempo aguardando no pátio: caminhões e carretas passam dias ocupando áreas de manobra ou entorno dos supermercados incorrendo em perdas de tempo e produto.
  • Problemas nas docas ou falta delas: a vedação das docas é inadequada ou inexistente, fazendo com que os custos com energia sejam elevados.
  • Perda de produtos por falta de frio ou roubo: perdas de produto por falta de frio no caminhão ainda é uma realidade da logística de carne no Brasil, assim como o alto volume de cargas roubadas.
  • Falta de infraestrutura viária: A falta de infraestrutura onera a matriz de custos logísticos sendo que caminhões estragados são um dos grandes motivos para perda de cargas
Foto: Agência Brasil

Supermercados

  • Expositores defasados e sem práticas de economia de energia: grande parte das instalações dos supermercados está obsoleta.
  • Volume de devoluções: os índices de devolução são altos, relacionados a manuseio, pois falta orientação aos consumidores sobre como manusear as embalagens de carne.
consumidor final
Foto Divulgação.

Consumidores

  • Falta de percepção de qualidade: a comunicação é feita de maneira ineficaz com os consumidores, pois não entrega o conjunto de informações que capturam valor, contribuindo para a falta da percepção de qualidade.
  • Falta de atributos de diferenciação: são poucas as iniciativas de diferenciação de cortes de carne e baixa industrialização do produto visando a atender os consumidores que buscam praticidade e preparo rápido e fácil.
  • Faltam informações de manuseio: faltam informações sobre o manuseio da carne e orientações de preparo. 

Fonte: CiCarne

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