Combustível atinge máxima histórica no mercado britânico e sobe 6,5% em setembro no Brasil; aumento encarece operações agrícolas e fretes, enquanto governo mantém subsídios para amortecer os reajustes.
Os preços do diesel atingiram uma máxima histórica no Reino Unido, ampliando a preocupação com os custos de transporte e produção agrícola. A notícia foi destacada pelo site Farmers Guardian, em reportagem publicada essa semana, que aponta as áreas rurais entre as mais afetadas pela escalada do combustível. No Brasil, o diesel também ficou mais caro justamente no período de implantação da safra de verão.
Segundo o RAC, entidade britânica que acompanha o mercado de combustíveis, a média do diesel chegou a 199,18 pence por litro — aproximadamente £ 1,99 — em 28 de setembro. O valor superou o recorde anterior de 199,09 pence, registrado em junho de 2022, após a invasão russa da Ucrânia.
A dimensão do aumento aparece na comparação com o início do conflito envolvendo Estados Unidos e Irã. Entre 28 de fevereiro e 28 de setembro, a média britânica passou de 142,38 para 199,18 pence por litro, uma alta de 39,9%. Abastecer um automóvel familiar passou a custar quase £ 110, cerca de £ 31 a mais do que antes do conflito.
A pressão ultrapassa o orçamento dos motoristas. O diesel movimenta caminhões, máquinas e atividades produtivas, fazendo com que o encarecimento alcance mercadorias e serviços. O RAC alerta que uma redução consistente nas bombas depende de preços mais baixos do petróleo por várias semanas, e defende medidas tributárias para aliviar o impacto sobre consumidores e empresas.
No Brasil, diesel sobe 6,5% em setembro
O mercado brasileiro também sente a pressão internacional. Conforme dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), divulgados em reportagem da Reuters publicada pelo InfoMoney, o diesel S-10 atingiu média nacional de R$ 7,33 por litro na semana de 20 a 26 de setembro, o maior patamar desde abril.
A média estava em R$ 7,13 na semana anterior e em R$ 6,88 no levantamento entre o fim de agosto e o início de setembro. Assim, o aumento foi de aproximadamente 2,8% em uma semana e 6,5% na comparação com o começo do mês. São preços médios nos postos, que podem diferir dos valores negociados diretamente por propriedades rurais com seus fornecedores.
A dependência de importações amplia a exposição brasileira. Segundo a Reuters, aproximadamente um quarto do diesel consumido no país vem do exterior. Em setembro, a distância entre as cotações internacionais e os preços domésticos levou importadores independentes a adiar compras, enquanto produtores gaúchos relataram restrições e atrasos nas entregas no início do plantio. Na ocasião, ANP e Petrobras afirmaram que o fornecimento seguia normalmente.
Como o diesel mais caro pode impactar a safra
Para o produtor rural, o combustível participa de várias etapas da produção: movimentação de tratores, semeadura, pulverização, colheita e transporte. Por isso, a alta pode elevar tanto o desembolso dentro da propriedade quanto os custos dos serviços contratados e da logística.
Uma simulação ajuda a visualizar o impacto. Uma operação que compre 10 mil litros gastaria R$ 4.500 a mais se o preço pago acompanhasse a passagem de R$ 6,88 para R$ 7,33 por litro. O cálculo é ilustrativo: o efeito real depende do contrato de fornecimento, da região e do combustível utilizado.
O aumento também pode chegar pelo frete de sementes, fertilizantes e outros insumos, além do transporte dos grãos até armazéns e compradores. Caso as despesas cresçam sem uma valorização correspondente da produção, a margem do agricultor diminui.
Há ainda um possível efeito operacional. Atrasos no abastecimento podem dificultar o trabalho das máquinas durante janelas favoráveis de plantio. Isso não permite afirmar que haverá quebra de safra, mas acrescenta um risco ao planejamento, sobretudo quando o produtor precisa aproveitar poucos dias de condições adequadas de solo e chuva.
Governo e Petrobras estão segurando o preço em período eleitoral?
Há medidas concretas para amortecer o repasse da alta internacional durante o período eleitoral. Em comunicado de setembro, a Petrobras informou um reajuste de R$ 1 por litro no diesel A vendido às distribuidoras, acompanhado de desconto equivalente por meio da subvenção federal. A combinação manteve inalterado o preço líquido cobrado nesse elo da cadeia.
Posteriormente, o Ministério da Fazenda manteve a subvenção total em R$ 2,12 por litro, por meio da Portaria nº 2.946/2026. Segundo o governo, a medida busca reduzir os efeitos da volatilidade internacional e do conflito no Oriente Médio sobre os combustíveis.
Isso significa que parte da pressão é amortecida com recursos públicos. Entretanto, a estabilidade do preço líquido da Petrobras às distribuidoras não garante estabilidade nos postos: o valor final também incorpora outros custos da cadeia, e nem todo o abastecimento brasileiro tem a mesma origem.
As fontes consultadas comprovam a contenção do repasse, mas não demonstram que exista uma ordem para manter preços baixos com finalidade eleitoral. A proximidade das eleições é um contexto relevante; a justificativa oficial da Petrobras é evitar a transmissão imediata da volatilidade internacional e cambial, preservando sua estratégia comercial.
Para a safra, os subsídios oferecem algum alívio, mas não eliminaram a alta observada nas bombas. O produtor inicia o novo ciclo com combustível mais caro e precisa considerar esse custo no orçamento das operações e do transporte, acompanhando também as condições de entrega em sua região.
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