Drone pode ter sido usado para vigiar propriedades antes de crimes rurais, investiga polícia

Equipamento encontrado durante operação em Tapes será periciado; Polícia Civil apura possível relação com crimes contra propriedades rurais na Costa Doce

Um drone apreendido durante uma operação da Polícia Civil em Tapes, no Rio Grande do Sul, passou a integrar uma investigação sobre crimes patrimoniais cometidos contra propriedades rurais da região. A suspeita é de que equipamentos desse tipo possam ter sido usados para observar áreas antes das ações criminosas, mas a ligação do aparelho recolhido com os delitos ainda não foi comprovada.

A apreensão ocorreu em 21 de outubro, durante a Operação Capão da Moça. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em três residências do município. O trabalho foi conduzido pela 3ª Delegacia Especializada na Repressão aos Crimes Rurais e de Abigeato (3ª DECRAB), de Camaquã, com apoio da 5ª DECRAB, de Santo Antônio da Patrulha, e das delegacias de Tapes e Cerro Grande do Sul. Continue a leitura e acompanhe o Compre Rural, onde informação de qualidade ajuda a fortalecer quem vive e produz no campo.

Investigação começou após roubo de mais de mil litros de diesel

A operação está relacionada a um roubo registrado em abril em uma propriedade rural de Tapes.

De acordo com as informações divulgadas sobre o caso, dois homens armados chegaram ao local durante a noite e renderam o vigia de uma área de lavoura onde estavam tratores e colheitadeiras. Mais de mil litros de óleo diesel foram levados.

A investigação avançou nos meses seguintes até o cumprimento das buscas desta semana. Entre os materiais apreendidos estava o drone, que agora será submetido à análise técnica.

O caso se soma a outras investigações que vêm expondo diferentes formas de crimes contra o patrimônio dentro de propriedades rurais, desde o desaparecimento de produtos e combustíveis até esquemas envolvendo cargas agrícolas.

Relatos de drones antes de crimes chamaram atenção

A presença do equipamento ganhou relevância porque produtores da Costa Doce já haviam relatado sobrevoos de drones em propriedades antes da ocorrência de furtos ou roubos.

Isso, porém, não significa que o aparelho apreendido em Tapes tenha participado desses episódios.

A perícia deverá buscar elementos que ajudem a esclarecer uma eventual conexão entre o drone e os crimes investigados. Até a conclusão dessa análise, a utilização da aeronave para reconhecimento de propriedades permanece apenas como hipótese investigativa.

Também não há confirmação pública de que todos os relatos de sobrevoos registrados na região estejam relacionados entre si.

Essa diferença é importante porque impede que uma ferramenta amplamente utilizada no próprio agronegócio seja tratada, por si só, como indício de atividade criminosa.

Tecnologia entra no radar da segurança rural

O episódio chama atenção para uma questão que começa a ganhar peso na segurança patrimonial das propriedades: a possibilidade de tecnologias acessíveis serem utilizadas para observar estruturas, acessos e movimentações sem necessidade de aproximação física.

No caso gaúcho, ainda será necessário comprovar se isso realmente ocorreu.

A investigação aparece em um momento no qual operações policiais vêm revelando formas cada vez mais estruturadas de atuação contra o patrimônio rural. Em setembro, por exemplo, uma megaoperação contra o furto de mais de 2 mil bovinos apurou no Paraná uma estrutura que, segundo a polícia, incluía reconhecimento prévio de propriedades, transporte e possível comercialização dos animais.

Os casos não possuem ligação conhecida entre si, mas mostram que a segurança no campo pode exigir atenção não apenas a cercas e porteiras, como também à movimentação de pessoas, veículos e equipamentos ao redor das propriedades.

Para produtores que percebam sobrevoos recorrentes ou outras situações fora do padrão, registros de datas, horários e imagens disponíveis em sistemas de segurança podem ajudar uma eventual investigação. Qualquer ocorrência suspeita deve ser comunicada às autoridades sem confronto ou tentativa de abordar os envolvidos.

No caso de Tapes, o próximo passo será justamente a análise do material apreendido. Só depois da perícia será possível estabelecer se o drone possui alguma relação comprovada com o roubo de diesel ou com outras ocorrências investigadas na Costa Doce.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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