Em Mato Grosso, mesmo com chuvas acima da média em setembro, as precipitações ainda não foram suficientes para repor a umidade perdida anteriormente.
As chuvas de setembro melhoraram as condições para o início do plantio da soja 2026/27 no Centro-Oeste, mas Mato Grosso ainda exige cautela antes de uma regularização mais consistente das precipitações. Segundo a EarthDaily, empresa de monitoramento agrícola por satélite, a umidade do solo segue baixa no Estado, enquanto Goiás já apresenta recuperação mais significativa e níveis acima da média dos últimos anos.
Em Mato Grosso, mesmo com chuvas acima da média em setembro, as precipitações ainda não foram suficientes para repor a umidade perdida anteriormente. A perspectiva melhora para o início de outubro, quando o modelo meteorológico europeu ECMWF prevê aumento das chuvas e recuperação mais expressiva da água disponível no solo.
O quadro é mais favorável em Goiás e áreas próximas. A EarthDaily identificou recuperação da umidade para níveis acima da média dos últimos anos e prevê, com base no modelo europeu, intensificação das chuvas no começo de outubro. A combinação tende a melhorar as condições para a semeadura e o desenvolvimento inicial de soja e milho.
A regularização das chuvas, entretanto, ainda é incerta. Para o período entre 25 de setembro e 2 de outubro, os principais modelos meteorológicos apresentam cenários diferentes: o europeu prevê chuva abaixo da média em grande parte do Centro-Oeste, enquanto o norte-americano GFS indica condições mais úmidas, sobretudo em Goiás e em partes de Mato Grosso e Minas Gerais.
O calor adiciona outro ponto de atenção. Segundo o analista de culturas da EarthDaily, Felippe Reis, as temperaturas devem ficar acima da média nas principais regiões produtoras, com o modelo norte-americano indicando desvios mais intensos no Centro-Oeste. “Caso o calor ocorra associado a menores volumes de chuva, o aumento da demanda evaporativa poderá limitar a recuperação da umidade, principalmente em Mato Grosso”, afirmou.
Essa combinação de calor e chuva irregular, segundo a EarthDaily, pode retardar a recuperação da umidade necessária ao estabelecimento das lavouras, mantendo Mato Grosso como o principal ponto de atenção para o avanço da soja e do milho de verão.
No Sudeste, as chuvas recentes também elevaram a umidade do solo, com melhora mais evidente em São Paulo. Para a cana-de-açúcar, porém, o efeito é diferente. A EarthDaily aponta que as precipitações vêm provocando interrupções frequentes na colheita desde o início de setembro.
Segundo o levantamento, houve episódios com mais de 8 milímetros de chuva em um único dia, incluindo acumulados acima de 20 milímetros. Esses volumes foram suficientes para interromper operações no próprio dia e, em alguns casos, no dia seguinte. Novos episódios acima desse patamar são previstos para o início de outubro, o que pode provocar paralisações pontuais da colheita e reduzir o ritmo de moagem.
No Sul, a preocupação está concentrada no trigo. Rio Grande do Sul e Paraná receberam volumes elevados de chuva nos últimos 10 dias, e os acumulados desde agosto estão significativamente acima da média e da maior parte dos últimos anos, segundo a EarthDaily. Com novas precipitações previstas até o início de outubro, aumenta o risco de doenças, dificuldades para a entrada de máquinas e perda de qualidade dos grãos conforme as lavouras avançam para maturação e colheita.
O frio também exige acompanhamento. No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, as temperaturas mínimas caíram nos últimos dias. A EarthDaily ressalta que, caso tenham ocorrido geadas em regiões produtoras, lavouras de trigo em fases reprodutivas mais avançadas podem ter sido afetadas.
No nordeste do Rio Grande do Sul, as mínimas chegaram perto de 0ºC no início de setembro e, após recuperação, voltaram recentemente para média próxima de 4ºC. O episódio mais recente foi menos intenso, e o modelo europeu indica elevação das temperaturas nos próximos dias, reduzindo o risco no curto prazo.
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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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