Fenômeno climático entra em fase de fortalecimento acelerado e aumenta risco de seca, calor extremo, incêndios e impactos sobre a produção agropecuária brasileira.
O fenômeno El Niño entrou em uma nova fase de intensificação e já apresenta mais de 90% de probabilidade de atingir um nível considerado muito forte entre o fim de 2026 e o início de 2027. As projeções mais recentes da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) indicam que o aquecimento das águas do Oceano Pacífico equatorial continuará aumentando nos próximos meses, elevando a preocupação de produtores rurais e especialistas do setor agrícola.
De acordo com as estimativas, há cerca de 93% de chance de o fenômeno alcançar intensidade muito forte entre setembro e janeiro, e aproximadamente 69% de probabilidade de atingir um patamar historicamente elevado, comparável aos eventos extremos registrados desde a década de 1950. O El Niño atual já apresenta temperaturas superiores a 2°C acima da média na região monitorada do Pacífico.
Brasil pode enfrentar seca, calor e chuvas irregulares
Para o agronegócio brasileiro, os efeitos esperados variam conforme a região do país.
As projeções climáticas apontam:
- chuvas acima da média na Região Sul;
- redução das chuvas no Norte, Nordeste, Centro-Oeste e parte do Sudeste;
- temperaturas acima do normal em grande parte do território nacional;
- aumento do risco de incêndios florestais e queimadas;
- maior frequência de ondas de calor.
Esse padrão climático pode afetar diretamente culturas como soja, milho, trigo, algodão e café, além de impactar a disponibilidade de água para irrigação e abastecimento de rebanhos.
Agronegócio entra em estado de atenção
Especialistas avaliam que um El Niño muito forte tende a alterar o calendário agrícola, elevar custos de produção e aumentar a necessidade de estratégias de gestão de risco.
Entre os principais impactos esperados para o setor estão:
- perda de produtividade em regiões com estiagem prolongada;
- maior incidência de doenças fúngicas em áreas com excesso de umidade;
- dificuldades logísticas em regiões sujeitas a enchentes;
- aumento dos custos com irrigação e manejo;
- pressão sobre hidrovias utilizadas para o escoamento da produção.
No Sul do Brasil, o excesso de chuva pode favorecer algumas culturas em determinados momentos, mas também aumenta o risco de alagamentos, erosão do solo e dificuldades na colheita e no transporte de grãos.
Efeitos podem persistir em 2027
Um dos fatores que mais preocupa os meteorologistas é a grande quantidade de calor acumulado nas camadas subsuperficiais do Oceano Pacífico. Esse reservatório de energia pode prolongar a atuação do El Niño e manter seus efeitos sobre a atmosfera durante boa parte de 2027.
Caso essa projeção se confirme, o fenômeno poderá influenciar mais de uma safra agrícola consecutiva, ampliando os impactos econômicos sobre a produção de alimentos e fibras.
Fenômeno pode rivalizar com eventos históricos
Os eventos de El Niño de 1982/83, 1997/98 e 2015/16 são considerados alguns dos mais intensos já registrados e provocaram alterações significativas no clima global.
As projeções atuais indicam que o episódio em desenvolvimento pode alcançar intensidade semelhante ou até superior à de alguns desses eventos históricos, reforçando a necessidade de monitoramento contínuo e planejamento por parte do setor agropecuário.
Tecnologia e planejamento serão decisivos
Apesar do cenário de maior risco climático, especialistas destacam que o agronegócio brasileiro possui hoje ferramentas mais avançadas para enfrentar eventos extremos do que em episódios anteriores.
O uso de agricultura de precisão, monitoramento meteorológico, variedades mais resistentes, irrigação tecnificada e plataformas digitais de previsão climática pode ajudar produtores a reduzir perdas e adaptar estratégias de plantio e manejo.
Ainda assim, a recomendação é que agricultores e pecuaristas acompanhem de perto as atualizações dos órgãos meteorológicos e revisem seus planos de gestão de risco para as próximas safras.
Com o El Niño entrando em uma fase de fortalecimento acelerado e com possibilidade de persistir até 2027, o clima volta a ocupar posição central nas decisões do agronegócio brasileiro, influenciando desde o planejamento das lavouras até a logística e a comercialização da produção.
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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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