Incêndio criminoso já destruiu 20 mil hectares e ameaça propriedades rurais em MT

Fogo de grandes proporções avança pela zona rural de Nova Santa Helena, mobiliza equipes de emergência e produtores e coloca áreas produtivas sob risco; quatro homens foram detidos durante a operação

O incêndio criminoso que atinge Nova Santa Helena, no norte de Mato Grosso, já consumiu uma área estimada em 20 mil hectares e mantém produtores rurais em alerta diante do avanço das chamas. A ocorrência mobiliza bombeiros, brigadistas, agentes da Força Nacional e moradores da região, que utilizam máquinas e caminhões-pipa para tentar impedir que o fogo alcance novas propriedades.

A situação ganhou ainda mais gravidade depois que quatro homens foram presos suspeitos de iniciar focos de incêndio na região. As prisões fazem parte das ações de fiscalização realizadas enquanto as equipes permanecem concentradas no controle das frentes de fogo.

Incêndio criminoso avança sobre extensa área rural

A dimensão da área atingida ajuda a mostrar a gravidade da ocorrência. Os aproximadamente 20 mil hectares queimados correspondem a cerca de 200 quilômetros quadrados, uma extensão capaz de comprometer vegetação, pastagens e estruturas utilizadas na atividade agropecuária.

O fogo também chegou às proximidades de um assentamento rural, aumentando a necessidade de proteção de moradias e áreas produtivas.

Com várias frentes de atuação, produtores passaram a integrar diretamente os trabalhos de contenção. Tratores, máquinas pesadas e caminhões-pipa são utilizados na abertura de aceiros e no resfriamento de pontos considerados mais críticos.

Produtores tentam impedir que fogo chegue às propriedades

Em incêndios de grande porte, o impacto no campo pode ir muito além da perda de vegetação. Cercas, pastagens, galpões, currais, máquinas e animais ficam expostos quando as chamas avançam sem controle.

Por isso, parte do trabalho em Nova Santa Helena está concentrada na criação de faixas de proteção capazes de reduzir a velocidade do fogo e evitar que ele atravesse para novas áreas.

A baixa umidade e o acúmulo de material vegetal seco aumentam a capacidade de propagação das chamas, especialmente durante períodos prolongados sem chuva.

Quatro suspeitos são presos durante combate ao incêndio criminoso

No decorrer da operação, quatro homens foram presos sob suspeita de provocar incêndios na região.

Segundo as informações divulgadas pelas autoridades responsáveis pela ocorrência, foram encontrados elementos que indicariam o uso deliberado de materiais para iniciar focos de fogo em áreas de vegetação.

Três homens foram abordados durante a ação. Outro suspeito deixou o local antes da chegada das equipes policiais, mas acabou encontrado posteriormente.

O caso segue sob investigação.

É importante destacar que as prisões não significam, até o momento, que toda a área de aproximadamente 20 mil hectares tenha sido destruída diretamente pelas ações atribuídas ao grupo. A apuração busca esclarecer quais focos tiveram origem criminosa e qual foi a participação de cada suspeito.

Nova Santa Helena enfrenta alta concentração de focos de calor

O município também aparece entre as áreas de Mato Grosso com maior atividade de fogo neste início de agosto.

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais indicaram 55 focos de calor em Nova Santa Helena entre os dias 1º e 9 de agosto.

O número coloca o município entre os principais pontos de atenção no estado em um período no qual as condições ambientais favorecem a rápida expansão de incêndios.

Mato Grosso já vinha registrando elevada ocorrência de fogo em 2026. Dados oficiais do INPE mostram que o estado contabilizou 1.440 focos ativos apenas em junho, o maior número registrado entre as unidades da federação naquele mês.

Condições climáticas tornam incêndios mais difíceis de controlar

O segundo semestre concentra tradicionalmente uma das fases mais delicadas para queimadas no Centro-Oeste.

A combinação entre temperaturas elevadas, vegetação ressecada, baixa umidade do ar e ausência de chuvas cria condições para que pequenos focos cresçam rapidamente.

O próprio INPE já havia alertado para maior risco de incêndios florestais durante agosto e setembro de 2026, principalmente em áreas do Brasil Central e na faixa sul da Amazônia.

Em regiões rurais, o vento também pode transportar fagulhas e fazer com que o fogo ultrapasse estradas, aceiros e limites entre propriedades.

Incêndio criminoso ocorre durante período de proibição do uso do fogo

Mato Grosso está atualmente no período de restrição ao uso do fogo em áreas rurais.

No Cerrado e na Amazônia mato-grossense, a proibição começou em 1º de julho e segue até 30 de novembro de 2026, justamente para reduzir o risco de ocorrências de grandes proporções durante a estação seca.

Além das multas e sanções ambientais, provocar incêndio em floresta ou outras formas de vegetação pode configurar crime ambiental.

A Lei nº 9.605/1998 prevê, para incêndios provocados de maneira intencional, pena de reclusão de dois a quatro anos, além de multa.

Força-tarefa continua atuando em Nova Santa Helena

Com milhares de hectares já afetados, o trabalho das equipes permanece voltado para impedir que o fogo avance sobre novas áreas.

O episódio reforça a vulnerabilidade das propriedades rurais durante a estiagem. Mesmo produtores que adotam medidas preventivas podem sofrer prejuízos quando incêndios iniciados fora de seus limites se espalham pela região.

Enquanto as investigações avançam para determinar a origem dos diferentes focos, bombeiros, brigadistas e produtores seguem atuando para proteger propriedades, áreas de vegetação e comunidades próximas.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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