Empresa investe R$ 55 milhões em nova fábrica de nutrição para aves e suínos no Paraná

Nova unidade da GFS será inaugurada em Apucarana e ampliará a produção de tecnologias voltadas ao aproveitamento de minerais e ao fornecimento de fibras na alimentação animal

A GFS — Global Feed Solutions programou para 9 de setembro de 2026 a inauguração de uma fábrica de aditivos para aves e suínos em Apucarana, no norte do Paraná. O projeto recebeu R$ 55 milhões em investimentos destinados à infraestrutura, à pesquisa e ao desenvolvimento de ingredientes para nutrição animal.

A expansão ocorre em um dos principais polos brasileiros de proteína animal. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que o Paraná respondeu por 34,4% do abate nacional de frangos em 2025. O estado também ocupou a segunda posição na produção de carne suína, com 1,226 milhão de toneladas. Continue a leitura e acompanhe o Compre Rural, onde informação de qualidade ajuda a fortalecer quem vive e produz no campo.

Fábrica de aditivos para aves e suínos aumenta capacidade

Uma das linhas da nova unidade será dedicada a um aditivo utilizado para melhorar o aproveitamento de cálcio e fósforo pelas aves. Com a entrada da fábrica em operação, a capacidade informada pela GFS passará de 300 para 4,5 mil toneladas por ano, aumento de 15 vezes.

Segundo a empresa, o produto, denominado Poligrow, utiliza uma tecnologia desenvolvida a partir de fontes de ômega 3, 6 e 9. Sua aplicação teria como objetivo aumentar o aproveitamento do fósforo presente nos ingredientes da dieta, diminuindo a necessidade de inclusão de fosfato bicálcico na ração.

O fosfato bicálcico é uma fonte mineral utilizada para atender às exigências de cálcio e fósforo dos animais. Esses nutrientes participam de processos como formação óssea, metabolismo energético e manutenção do desempenho produtivo.

A quantidade empregada na ração depende da composição dos ingredientes, da fase de criação e das exigências nutricionais das aves. Por isso, eventuais reduções na inclusão do mineral precisam ser definidas por profissional habilitado e acompanhadas por indicadores zootécnicos.

A GFS estima que a utilização do aditivo possa gerar uma economia de R$ 20 a R$ 30 por tonelada de ração. O resultado efetivo pode variar conforme a formulação, o preço dos minerais, a dosagem, o sistema produtivo e o desempenho dos animais.

Custo da alimentação aumenta interesse por eficiência

A possibilidade de reduzir gastos com a formulação ganha relevância porque a alimentação representa a maior parcela do custo de produção nas granjas comerciais.

Em julho de 2026, a ração respondeu por 62,51% do custo de produção do frango de corte no Paraná, segundo levantamento da Embrapa Suínos e Aves. No período, o gasto total para produzir um quilo de frango chegou a R$ 4,77, alta de 1,39% em relação a junho.

O movimento foi detalhado na reportagem sobre a elevação dos custos de produção de frangos e suínos em julho. Os dados ajudam a explicar o interesse das indústrias e dos produtores por tecnologias capazes de melhorar o aproveitamento dos nutrientes.

Uma economia nominal na tonelada de ração, contudo, não determina sozinha a viabilidade do aditivo. A avaliação precisa considerar conversão alimentar, ganho de peso, mortalidade, qualidade óssea e custo por animal produzido.

Benefícios ambientais são estimativas da empresa

A GFS calcula que cada quilo do produto utilizado evitaria a extração de 7,89 quilos de fosfato. A companhia também estima que cada tonelada do mineral não produzida corresponderia a uma redução de 1,21 tonelada de dióxido de carbono equivalente.

De acordo com a empresa, o cálculo considera etapas associadas à produção do fosfato, como mineração, transformação química e granulação.

Não foram encontrados, entre os documentos públicos consultados, a metodologia completa desse cálculo, os limites considerados no inventário de emissões ou uma auditoria ambiental independente. Dessa forma, os números devem ser apresentados como estimativas corporativas, e não como benefícios ambientais definitivamente comprovados.

O resultado também dependerá da quantidade de fosfato efetivamente retirada da formulação e da manutenção do desempenho zootécnico após a alteração da dieta.

Produção de fibras para suínos será multiplicada por oito

Outra linha da fábrica será destinada à produção de fontes de fibra para alimentação de suínos. A capacidade anual informada pela companhia passará de 200 para 1,6 mil toneladas, crescimento de oito vezes.

As fibras são produzidas a partir de pinus reflorestado. Segundo a GFS, esses ingredientes são empregados no manejo nutricional dos suínos com o objetivo de favorecer o aproveitamento dos nutrientes e reduzir despesas com medicamentos.

Os efeitos dependem das características físicas da fibra, da quantidade incluída na dieta, da composição dos demais ingredientes e da fase de produção. A adoção, portanto, deve ser acompanhada por avaliação técnica e por resultados medidos dentro da granja.

A empresa afirma que a tecnologia está presente em aproximadamente 25% da produção brasileira de suínos e que a unidade de Apucarana será a maior fábrica latino-americana de fibras naturais destinadas ao segmento. Não foi localizado um levantamento setorial independente que confirme essas duas alegações.

Paraná amplia produção de carne suína

A expansão industrial ocorre em um momento de crescimento da suinocultura paranaense. Em 2025, o estado produziu 1,226 milhão de toneladas de carne suína, volume 7,6% superior ao registrado no ano anterior.

O resultado colocou o Paraná na segunda posição nacional, atrás de Santa Catarina. A participação paranaense alcançou 21,7% do volume produzido no país, de acordo com levantamento estadual elaborado a partir da Pesquisa Trimestral do Abate de Animais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

No número de animais, foram abatidos 12,877 milhões de suínos nas unidades industriais do estado, crescimento de 3,7% sobre 2024. Os resultados completos estão na reportagem sobre o recorde da produção de suínos no Paraná.

A diferença entre o crescimento do volume de carne e o avanço do número de animais indica aumento do peso médio das carcaças. O peso médio chegou a 95,2 quilos por suíno, 3,8% acima do registrado no ano anterior.

Localização atende estratégia de distribuição

Segundo o CEO da GFS, Fernando Blini, a localização em Apucarana foi escolhida para facilitar tanto o recebimento das matérias-primas quanto a distribuição dos produtos para as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

A posição aproxima a unidade de indústrias de ração e sistemas integrados de produção de aves e suínos. O Paraná abateu aproximadamente 2,3 bilhões de frangos e 12,9 milhões de suínos em 2025, segundo os dados anuais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

A estrutura produtiva do estado já vem atraindo outros projetos relacionados à alimentação animal. Em 2024, Cargill e Coamo anunciaram uma parceria para produzir rações para aves e suínos no Paraná, com capacidade inicial estimada em sete mil toneladas mensais.

A proximidade entre fornecedores, indústrias e sistemas de criação pode diminuir distâncias logísticas e ampliar o acesso às tecnologias nutricionais. O impacto para o produtor, porém, dependerá dos preços praticados, das condições comerciais, do frete e dos resultados alcançados nos animais.

Após a inauguração, os principais indicadores a serem acompanhados serão o volume efetivamente produzido, a adesão das indústrias de ração, a economia obtida nos sistemas comerciais e a eventual divulgação de estudos que permitam verificar os benefícios ambientais apresentados pela empresa.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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