Com recorde de empresas inadimplentes e crédito bancário cada vez mais restrito, especialista explica por que negócios em crise ainda podem acessar capital e quais estratégias evitam que dificuldades financeiras se transformem em insolvência
Por Antônio Frange Junior — O Brasil chegou a abril de 2026 com 9 milhões de CNPJs negativados — o maior número da série histórica, segundo a Serasa Experian. São empresas de todos os setores e portes que acumulam mais de R$ 220 bilhões em dívidas, enfrentando juros altos, crédito restrito e dificuldade crescente para recompor o capital de giro. Mais de 31% dos negócios ativos no país estão inadimplentes. E com esse cenário, cresce um equívoco perigoso: o de que estar em dificuldade financeira significa estar automaticamente excluído do acesso a crédito.
Esse mito custa caro — e tem levado muitos empresários e produtores rurais a tomarem decisões precipitadas, sem conhecer as ferramentas jurídicas e financeiras que o mercado coloca à disposição.
A realidade é outra. Empresas em crise — seja dentro ou fora de um processo formal de reestruturação — têm acesso a formas estruturadas de captação de crédito que fogem completamente do radar do sistema bancário tradicional. Operações com taxas adequadas ao momento, prazos de carência e estruturas de garantia compatíveis com o patrimônio disponível são possíveis quando o processo é conduzido com técnica, estratégia jurídica e as conexões certas no mercado.
Para os produtores rurais, a urgência é ainda maior. Não é possível simplesmente pausar a operação: há janelas de plantio, contratos de entrega e maquinário que precisa funcionar. Uma crise mal gerenciada compromete não só a safra atual, mas a viabilidade do negócio por anos. A boa notícia é que existem estruturas capazes de reorganizar o passivo do produtor sem paralisar sua operação e, mais do que isso, de viabilizar o capital de giro necessário para seguir produzindo.
Um dos maiores erros que observo na prática é a demora em buscar apoio especializado. Existem no mercado formas estruturadas de captação de crédito que poucos conhecem — e que têm permitido a empresas e produtores rurais em crise retomar o fôlego financeiro com condições que jamais conseguiriam pelo caminho convencional. Quem age cedo, com a orientação certa, preserva valor, protege sua cadeia e garante a continuidade do negócio. Quem espera demais, perde opções. A diferença, na maioria das vezes, está em saber que essas alternativas existem — e em ter ao lado quem saiba como acessá-las.
Antônio Frange Junior é advogado com mais de 25 anos de atuação em reestruturação empresarial. À frente do Frange Advogados, conduziu mais de 1.200 recuperações judiciais em todo o Brasil, negociando mais de R$ 150 bilhões em dívidas. Foi nomeado mediador na recuperação judicial das Lojas Americanas, processo com dívidas de R$ 43 bilhões — um dos maiores casos da história corporativa brasileira.
Por Antônio Frange Junior é Advogado especialista em Recuperação Judicial e Reestruturação Empresarial
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