Engorda: Boi magro bate R$ 2.600, a conta fecha?

Engorda: Boi magro bate R$ 2.600, a conta fecha?

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Foto Divulgação.

De um lado a felicidade do pecuarista que cuida da cria e recria, do outro a preocupação do pecuarista invernista; A subida no preço da reposição foi grande!

O ano de 2019 foi, com certeza, um ano de recordes, correções no preço da arroba e aberturas de mercado externo para os produtos do agro brasileiro. Entretanto, a cautela sempre deve ser companheira nesses momentos de grande flutuações do mercado. Como diria um grande especialista, Leandro Bovo, da Radar Investimento, “Tudo que sobe, também desce”. A arroba do boi gordo disparou, mas a reposição – boi magro, bezerro e vaca descarte – seguiram um ritmo ainda mais acelerado. Agora o boi magro bate R$ 2.600, a conta fecha?

Adiantando a conversa, a conta fecha. Mas, se o pecuarista não estiver atento aos seus custos fixos e, principalmente, alerto aos preços dos insumos para terminação desse animal, a margem será apertada, já que o preço da arroba ficará estável esse ano, mas o mercado futuro é uma excelente opção para garantir uma margem. Outra opção muito utilizada e lucrativa é a utilização do boitel.

Quando analisamos os dados, o pecuarista precisa estar atento aos seus custos. De acordo com um levantamento realizado pela DSM, a divisão de custos na engorda de bovinos se dá segundo a figura abaixo, onde o animal representa a maior parte desse custo, ou seja, impactando diretamente na margem de lucro.

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Fonte Compre Rural

Segundo os dados da Scot Consultoria, o boi magro de 12@ está sendo cotado com valor de R$ 2.600,00 em Goiás, onde a reposição segue mais cara que em outras praças, como Minas Gerais onde esse mesmo animal é vendido a R$ 2.350,00. Já o bezerro desmamado, esse custa em média R$ 1.750,00 para o pecuarista que fará a terminação desse animal.

Diante desses dados, antes de mais nada, o pecuarista precisa identificar e estar atento ao mercado fora da porteira. Acreditamos que o que acontece dentro da porteira, a essa altura, já deve estar planejado e com uma gestão eficiente em andamento. É aqui que está o “pulo do gato” para aumentar a margem de lucro, olhar e analisar as oportunidades do mercado de insumos e de venda dos animais terminados.

Em 2019, o ano começou com uma boa expectativa para o mercado do boi, e realmente o segundo semestre inciou aquecido e com sinais de uma alta que já era esperada para o preço da arroba, entretanto a surpresa para os analistas e pecuaristas ficou na velocidade com que essa arroba escalou para novos patamares. Sendo assim, o ano de 2020 não começou diferente e, com certeza, teremos grandes surpresas no preço da arroba durante o decorrer dos próximos meses.

Estradão sem porteira para a arroba do boi

“Preços firmes da arroba e cenário positivo para os próximos meses.” Assim o médico veterinário  Hyberville Neto, analista da Scot Consultoria, define o que pode ocorrer no mercado de compra e venda de gado para abate.

Daqui para a frente, a indústria frigorífica não deve ter a facilidade que vinha encontrando para comprar com folga os cerca de 44 milhões de bovinos prontos para o abate. A cada safra, é esse volume de bois que tem coberto a necessidade para manter as unidades em funcionamento.

Um dos cenários dados como certo é que a participação de fêmeas no abate total dos frigoríficos tende a ser menor. Isso ocorre por conta da valorização da cria e do atual aumento do preço da arroba. “À medida que se entra na safra o cenário será de retenção de animais, de menos fêmeas disponíveis”, afirma Neto.

Mercado em retomada

De acordo com o consultor, nas duas primeiras semanas de 2020, a tendência é de retomada de negociações por parte dos pecuaristas, embora a demanda permaneça fraca. Essa demanda está abaixo do desempenho de dezembro.

Por parte da indústria frigorífica, a busca por boiadas já começou. Porém, sem muita avidez. “Mas quando acontece é positivo para os preços, embora em volume pequeno”, afirma Hyberville.

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