Entidades investem em estudos para reduzir violência no campo

Entidades investem em estudos para reduzir violência no campo

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Foto Ilustrativa

A baixa comunicação de crime atrapalha o planejamento da polícia, mas entidade tenta coletar informações que direcionem melhor as forças de segurança.

No começo deste mês, uma operação das polícias civil e militar de Mato Grosso e Pará conseguiu evitar um dos maiores roubos de gado da região. Uma quadrilha de 10 bandidos rendeu o dono e os funcionários de uma fazenda durante mais de 10 horas e roubou cerca de 200 cabeças de gado. O comboio foi interceptado no limite entre os dois estados e cinco bandidos foram presos em flagrante.

“Foi empregada violência, arma de fogo e muitas pessoas envolvidas. Sem contar com o prejuízo que isso causaria, que seria em mais de R$ 1 milhão”, disse o delegado responsável pelo caso.

Preocupados com a situação de violência no campo, produtores do interior de São Paulo criaram um grupo de WhatsApp com objetivo de denunciar crimes e reduzir os  furtos e roubos na região.

“Chegamos aqui e uma das porteiras estavam estouradas. Levaram nosso gado, cavalo, tudo. Se puderem dar uma força para ajudar, levaram umas novilhas e  vou postar algumas fotos no grupo”, contou um produtor por meio de áudio no grupo.

Em outra mensagem, integrante do grupo fez alerta sobre gado encontrado. “Gente, esse gado está preso lá em Monte Aprazível. Pegaram os ladrões e o gado, mas não encontraram o dono. Divulguem aí”. 

Muito além do gado

 Além do gado, a quadrilha se interessa também por outros itens de alto valor agregado como tratores, máquinas agrícolas , defensivos e fertilizantes. Um problema que já é antigo no Brasil, já que os casos acontecem distantes das cidades e dos olhos da mídia e das autoridades. Na maioria das vezes, o produtor não denuncia o crime, o que acaba dificultando a prevenção e o combate.

“A maioria dos casos não comunicados acontece por descrédito do sistema, da demora no atendimento e principalmente pelo medo de represália. O gestor que faz o planejamento naquela região, ele olha para a região do mapa e vai avaliar a área como tranquila, pois não tem ocorrência policial. Então o que ele vai fazer? Ele vai centrar os seus esforços em outra área”, explicou Gilmar Ogawa, assessor da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp).

O único e último relatório em nível nacional disponível foi feito pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em 2018, com base nas informações fornecidas pela Secretarias de Segurança Pública de 17 estados. Foram apenas 158 denúncias compiladas, mas já foi possível fazer um primeiro retrato da criminalidade rural pelo país. 

Locais dos crimes

Minas Gerais, por exemplo, aparece como o estado com mais relatos de crimes: foram 48, seguido pela Bahia, com 25 e Santa Catarina, com 18 casos.

Tipo de crime

Ainda segundo o relatório, dos casos registrados, 49% foram furtos, 33% foram roubos, 12% de depredações, 3% homicídios e 3% incêndios criminosos.

Atividade relacionada

Cerca de 35% das ocorrências analisadas tiveram relação com a pecuária de corte, 19% com a pecuária de leite, 13% com a produção de grãos, 3% frutas, 1% verduras e legumes e 29% outras atividades do agro.

O estudo revelou também que, quanto mais próxima a propriedade da cidade, mais chance de ser alvo dos bandidos. E 37% dos casos, o crime aconteceu a menos de 20 quilômetros da área urbana, já 28% estão entre 21 e 50 quilômetros, outros 3% ficam entre 51 e 100 quilômetros, 1% a mais de 100 quilômetros. Em 32% dos casos a localização não foi declarada.

Saiba como contribuir

A CNA  ampliou a plataforma de registro dos crimes. As ocorrências podem ser feitas de forma anônima pelo  site www.cnabrasil.org.br ou por whatsapp (61) 99834-7773. A entidade pretende divulgar este ano um relatório atualizado.

A Faesp elaborou ainda uma cartilha de orientação aos produtores, a partir de um questionário de 50 perguntas feitas a  800 produtores em 101 municípios de São Paulo.  Os principais problemas identificados foram as falhas nas estruturas de segurança, como falta de cercas e porteiras; falta de cães de guarda, câmera de monitoramento e sinal de telefonia. Ainda foram identificadas estradas escuras e não mapeadas.

 O estudo apontou também erros comuns que, se evitados, podem diminuir as chances dos crimes. “Não checam os antecedentes dos empregados e, às vezes, coloca-se dentro da propriedade um bandido, um estuprador, um assaltante. A importância de ficar ostentando riqueza em lugares inapropriados também pode ser perigoso, pois entre roubar um carro que está com a chave no contato e outro que está com trava e alarme, ele [bandido] vai partir para o que está mais fácil. A ocasião faz o ladrão. Às vezes ele está passando e vê que está facinho facinho cometer o roubo”, disse Ogawa.

Fonte: CNA e Canal Rural

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