Exportações de carne estão suspensas por 30 dias, na Argentina

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Foto: Roberto Barcellos

Entidades ruralistas mais importantes da Argentina não descartam uma greve de produtores em reação à decisão da Casa Rosada; Pecuaristas suspendem venda de animais!

O governo da Argentina decidiu suspender as exportações de carne por 30 dias. A notícia, que surpreendeu o setor produtivo, foi justificada por uma nota do Ministério de Produção e Desenvolvimento Produtivo “como consequência do aumento persistente da carne bovina no mercado interno”.

A mesa de Enlace, que reúne como quatro entidades ruralistas mais importantes da Argentina, se encontra reunida para estudar medidas e não descarta uma greve de produtores, como afirmou o presidente da Confederações Rurais Argentinas (CRA), Jorge Chemes.

“Estamos a caminho de uma paralisação da comercialização de produtos agrícolas”, disse Chemes em sua conta do Twitter.

O governo informou que o Consórcio de Exportadores de Carnes Argentinas (ABC) foi notificado sobre a suspensão dos embarques. Na nota oficial do ministério, o argumento é que a decisão é parte de medidas para “ordenar o funcionamento do setor, restringir práticas específicas, melhorar a rastreabilidade das exportações e evitar a sonegação fiscal no comércio exterior”.

“Enquanto terminam de implementar tais medidas, as exportações de carne bovina estão limitadas durante um período de 30 dias”, completou uma nota. Fonte do governo disse que pode haver exceções e que o prazo poderia ser reduzido se o pacote de medidas a ser apresentado obtiver resultados positivos.

O presidente do ABC, Mario Ravettino, esteve na Casa Rosada na tarde de segunda-feira (17/5) para discutir o assunto com o governo. Enquanto isso, as entidades agropecuárias criticam a medida e fazem um paralelo com igual tomada em 2006, quando o então presidente, Néstor Kirchner, alegou agir em “defesa da mesa do argentino”.

Naquela ocasião, uma suspensão estava prevista para durar 180 dias, mas permaneceu por 10 anos, nos dois mandatos de Cristina Kirchner, que sucedeu o marido no final de 2007.

Como resultado da intervenção no setor, os pecuaristas escolhidos de engordar o gado e enviar para abate bezerras, que pode se tornar reprodutoras. O rebanho sofreu uma perda de 12 milhões de cabeças.

Trabalhador de frigorífico em San Fernando, na Argentina (Foto: REUTERS / Marcos Brindicci)

Na indústria frigorífica, dezenas de empresas foram fechadas, assim como cerca de 15 mil postos de trabalho. Há cerca de dois meses, o presidente Alberto Fernández deu início a uma série de críticas aos produtores rurais pelos aumentos nos preços dos alimentos, especialmente da carne e do pão.

Há um mês, o governo exige novas exigências para os operadores de comércio exterior de carne, grãos, oleaginosas e lácteos, o que acendeu como luzes de alarme dos produtores.

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Após mais de uma hora de reunião virtual na manhã desta terça-feira (18/5), os presidentes das quatro principais entidades do agronegócio argentino (Sociedade Rural, Confederações Rurais, Federação Agrária e Confederación Intercooperativa Agropecuaria Limitada), que compõem a denominada Mesa de Enlace decidiram suspender a comercialização de gado, a partir das 12h da quinta-feira (20/5), até às 12h da sexta-feira (28/5).

A medida é para demonstrar a rejeição à decisão do governo de suspender as exportações de carne bovina por 30 dias. O anúncio será feito às 12h30, durante entrevista coletiva liderada por representantes de produtores rurais.

O presidente da Câmara de Indústria e Comércio de Carnes (CICCRA), que representa os frigoríficos, também propôs uma greve pecuária. O titular da entidade, Miguel Schiariti garantiu que em virtude da resolução adoptada, espera “que os criadores não enviem os seus bois para os mercados”.

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