Exportações e baixa oferta sustentam preços do gado

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Foto: @joaopedrodiasnc

O Índice CEPEA / B3 atingiu R $ 329,10 / arroba em 27 de dezembro, maior nível diário, em termos nominais, da série do Cepea, iniciada em 1994.

O cenário observado na pecuária brasileira ao longo de 2021 foi semelhante ao de 2020, com altas exportações – principalmente para a China – e baixa oferta de gado para abate. Com isso, os preços de todos os produtos da cadeia pecuária nacional bateram recordes nas respectivas séries.

O Índice CEPEA / B3 para gado gordo iniciou 2021 em R $ 326,59 por arroba (15 quilos) – em média e em termos reais -, atingindo o maior nível do ano em fevereiro, a R $ 333,96 (médias mensais foram deflacionadas pelo IGP- DI de novembro / 21). Nos meses seguintes, a média mensal do Índice CEPEA / B3 manteve-se firme, superior a R $ 300 / arroba.

No entanto, em setembro e em outubro, os preços do boi gordo caíram fortemente. Os valores foram pressionados pela paralisação das exportações de carne bovina brasileira para a China no início de setembro, após dois casos atípicos da doença da vaca louca no Brasil. Em setembro e em outubro, as médias mensais (em termos reais) fecharam em R $ 305,10 / arroba e em R $ 268,00 / arroba, respectivamente.

Em novembro, apesar da inesperada continuação do embargo chinês à carne bovina brasileira, os preços voltaram a subir, influenciados pela queda na oferta de boi gordo. Em novembro, a média mensal subiu para R $ 297 / arroba, praticamente compensando as perdas dos dois meses anteriores.

Na primeira quinzena de dezembro, com os embarques para a China ainda parados, os preços continuaram subindo. No dia 14 de dezembro, o anúncio feito pela Administração Geral das Alfândegas da China indicando a retomada das importações de carne bovina do Brasil pela China animou os agentes do setor pecuário brasileiro. Com isso, o Índice CEPEA / B3 atingiu R $ 329,10 / arroba em 27 de dezembro, maior nível diário, em termos nominais, da série do Cepea, iniciada em 1994. A média em dezembro (até 27 de dezembro) é R $ 318,62 / arroba, quase 3% acima do verificado em dezembro de 2020, em termos reais.

CARNE

As vendas de carne bovina foram baixas no atacado brasileiro ao longo de 2021, devido ao fraco poder de compra da população brasileira. Mesmo assim, os preços médios mensais (em termos reais) da carcaça bovina permaneceram acima de R $ 20,00 / kg durante todo o ano. Os preços foram sustentados pela baixa oferta de gado de corte, o que impediu que a disponibilidade de carne bovina crescesse muito no mercado interno.

EXPORTAÇÕES

Em 2021, as exportações brasileiras de carne bovina (in natura) foram superiores a 100 mil toneladas até setembro, quando os embarques bateram recorde, totalizando 187 mil toneladas. Por outro lado, em outubro e novembro, com a proibição chinesa, as vendas internacionais somaram 82 mil toneladas e 81,2 mil toneladas, respectivamente, os menores volumes desde junho de 2018, quando uma greve de caminhoneiros impediu que as mercadorias chegassem aos portos do país. Segundo dados da Secex, entre janeiro e novembro, o Brasil exportou 1,43 milhão de toneladas de carne bovina in natura, 9,4% abaixo do registrado no mesmo período de 2020.

SUÍNOS 

Conforme já esperado pelos agentes da suinocultura brasileira, a demanda internacional pela carne suína nacional foi elevada em 2021, impulsionando as exportações brasileiras de carne suína a níveis recordes. Como o poder de compra da maioria das pessoas no Brasil tem sido fraco, a demanda interna estava baixa, pressionando para baixo os valores da carne suína e suína viva. Os altos custos de produção também marcaram o ano de 2021. Além das fortes valorizações do milho e do farelo de soja, principais insumos da suinocultura, os preços da energia elétrica e do combustível também aumentaram neste ano.

COMÉRCIO INTERNACIONAL

Apesar dos problemas logísticos mundiais em 2021, principalmente relacionados à escassez de contêineres, as exportações brasileiras de carne suína bateram novos recordes em 2021. Segundo dados da Secex, entre janeiro e novembro, o Brasil embarcou 1,03 milhão de toneladas do produto, recorde e 2,1% acima do total exportado em 2020 (1,01 milhão de toneladas).

A China foi o maior parceiro comercial do Brasil em 2021, tendo adquirido 51,2% de toda a carne suína exportada no ano. Segundo a Secex, entre janeiro e novembro, o Brasil embarcou 503,9 mil toneladas de carne suína para o país asiático, 7,5% a mais que no mesmo período do ano passado.

A receita também foi recorde em 2021. Entre janeiro e novembro, a receita em reais foi 11,3% superior à de 2020, totalizando R $ 13,05 bilhões, reflexo tanto do maior volume exportado quanto da desvalorização da moeda brasileira em relação ao dólar norte-americano.

MERCADO BRASILEIRO

Com o baixo poder aquisitivo da população brasileira, as vendas de carne suína oscilaram bastante ao longo de 2021. Na maior parte do ano, porém, as vendas ficaram abaixo do esperado pelos agentes, pressionando para baixo os valores de suínos vivos, carcaças e cortes.

Considerando os suínos vivos comercializados na região SP-5 (Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba), na média de 1º de janeiro a 27 de dezembro, os preços foram 13,4% inferiores (em termos reais) aos de mesmo período do ano passado, com média de R $ 7,24 / kg – contra R $ 8,36 / kg em 2020 – os valores foram deflacionados pelo IGP-DI a partir de nov / 21.

Em relação à carcaça suína especial, os frigoríficos relataram dificuldade de repasse de preços e baixa liquidez na maior parte do ano. Com isso, de 2020 a 2021 (até 27/12), o preço da carcaça suína especial caiu 0,2%, de R $ 10,69 / kg para R $ 10,67 / kg (valores foram deflacionados pelo IPCA de nov / 21).

CUSTOS DA PRODUÇÃO

Os altos preços do milho e do farelo de soja, principais insumos consumidos na suinocultura, desafiaram os produtores em 2021. Na média entre 1º de janeiro e 27 de dezembro, o Índice ESALQ / BM & FBovespa do milho (Campinas, SP) subiu a cambaleando 45,8% em relação ao mesmo período de 2020, passando de R $ 65,60 / saca de 60 quilos para R $ 95,60 / saca, em termos reais (valores foram deflacionados pelo IPCA de nov / 21). Para o farelo de soja, os valores subiram 21,7% na mesma região, passando de R $ 2.125,42 / ton para R $ 2.586,12 / ton.

Com isso, o poder de compra dos suinocultores paulistas caiu drasticamente entre 2020 e 2021, quase 30% em relação ao milho e 17,1% em relação ao farelo de soja.

Os agricultores também tiveram que lidar com aumentos de outros custos, como combustível e energia elétrica. Segundo dados do IBGE, os preços da gasolina aumentaram 50,78% em 12 meses e o do diesel 49,56%. Os valores de potência aumentaram 31,87%.

AVES 

Influenciados pela alta demanda do Brasil e do mercado internacional, os preços domésticos da carne de frango bateram recordes reais em 2021. Em meio ao atual baixo poder aquisitivo da população brasileira, o consumo da carne de frango aumentou ao longo do ano, por ser a mais barata em comparação com seus principais concorrentes no Brasil, carne bovina e suína.

Nos primeiros meses do ano, os valores foram fracos, como de costume para o período. Porém, a partir de maio, a demanda aumentou no Brasil, favorecida pelo relaxamento das medidas restritivas impostas pela pandemia de covid-19. Esse cenário somado à alta das exportações pressionou os preços internos entre maio e setembro.

Em setembro, o preço médio do frango inteiro resfriado fechou em R $ 8,41 / kg no atacado da Grande São Paulo, um verdadeiro recorde na série do Cepea, iniciada em 2004 (valores foram deflacionados pelo IPCA de nov / 21 ) A partir de outubro, os consumidores passaram a não querer pagar os altos preços cobrados pelos vendedores, reduzindo a demanda e pressionando os valores. Ainda assim, em 2021 (considerando até 28/12), o preço médio do frango inteiro resfriado fechou em R $ 7,14 / kg, um recorde e 26% acima do registrado no mesmo período de 2020.

EXPORTAÇÕES

Apesar da queda no volume da carne de frango exportada para a China – principal destino da carne brasileira – e da queda nas importações de outros importantes parceiros comerciais, como Arábia Saudita e Hong Kong, o volume total embarcado em 2021 é esperado a ser maior do que em 2020, uma vez que outros países aumentaram fortemente as compras do Brasil. Além disso, o aumento do preço pago pelo produto exportado e o dólar forte favoreceram a receita.

Segundo dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), entre janeiro e novembro de 2021, o Brasil exportou 4,2 milhões de toneladas de carne de frango, 9,1% a mais que no mesmo período de 2020. A receita com esses embarques foi de R $ 37,3 bilhões, 18,9% acima do recebido em 2020 e um recorde na série da Secex, iniciada em 1997.

PODER DE COMPRA

Por mais um ano, os avicultores brasileiros enfrentaram altos custos de produção em 2021. Algum alívio foi trazido pela alta nas vendas de carne de frango, o que permitiu aos fazendeiros elevar os preços pedidos pelo frango vivo. No entanto, essas avaliações não foram suficientes para aumentar o poder de compra dos produtores contra os dois principais insumos consumidos na avicultura: milho e farelo de soja.

Comparado ao farelo de soja, as simulações do Cepea mostram que o poder de compra dos avicultores de SP foi maior em 2021 do que em 2020, uma vez que a valorização do frango vivo foi superior à do farelo de soja. Considerando os preços médios em 2020 e em 2021 (até 28 de dezembro), houve aumentos reais de 35% para o frango vivo e de 22,8% para o farelo de soja. Por outro lado, para o milho, as fortes valorizações em 2021 (de 46,8% ante 2020) reduziram o poder de compra dos avicultores em SP.

Assim, na média de 2021 (até 13 de dezembro), um quilo de frango valia 2,14 quilos de farelo de soja no atacado de Campinas (SP), 9,5% a mais que em 2020. Considerando o milho (Índice ESALQ / BM & FBOVESPA , Campinas), um quilo de frango valia 3,43 quilos do cereal, 8,6% a menos que em 2020.

Fonte: Cepea

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