Faca na mão ou comida no prato?

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Foto: Divulgação

É uma ilusão pensar que o confronto acaba com a fome, precisamos de união para produzir. Juntos somos mais fortes, separados todos perdem

Por Luciano Vacari* – Nas próximas semanas acontecerá, em Glasgow/Escócia, um dos eventos mundiais mais aguardados do ano, a COP-26. Governos, iniciativa privada e terceiro setor aguardam ansiosos para saber o que o mundo decidirá nesse importante encontro que trata, dentre outros assuntos, das mudanças climáticas. Quando analisadas as páginas, as notícias oficiais do evento e, principalmente, as redes sociais do presidente da COP o espírito é: colaboração e cooperação. O mundo só encontrará uma solução se todos cooperarem.

Na contramão desse espírito, o Brasil viveu nessa semana a invasão da sede de uma das mais importantes entidades representativas do país, a Aprosoja, associação que reúne milhares de produtores rurais.

Interessante observar que, uma das agressões à entidade foi que a soja não era alimento. Então para o que ela é produzida? Seja o farelo de soja ou o milho, ou mesmo seus substitutos, são a base da ração que alimenta suínos, aves, peixes e bovinos para produção de carne ou de leite. E mesmo quem é vegetariano, esses insumos são a base da produção de ovos, por exemplo, ou ainda fontes alternativas de proteína. São produtos do agro chaves para garantir comida a milhões de famílias em praticamente todos os continentes do mundo. Ao exportar o excedente produzido, o Brasil contribui para um desafio global: segurança alimentar.

A intransigência e a dificuldade de encontrar soluções colaborativas, que leva à invasão covarde de instituições, seja da Aprosoja ou qualquer outra, só geram desagregação. E não é disso que o mundo precisa nesse momento. O mundo precisa de colaboração, cooperação e diálogo. A busca por ações conjuntas é que vai apresentar a solução de problemas complexos.

Infelizmente ainda hoje, 118 milhões de pessoas e crianças, de acordo com a FAO, sequer conseguem atingir o mínimo de calorias necessárias por dia. Falar em proteína de qualidade então se torna outro desafio maior.

Ainda há a percepção de que o agronegócio é a larga escala. E não é, de acordo com o último Censo Agropecuário do IBGE, 70% dos estabelecimentos rurais do país têm até 50 hectares. O agronegócio representa todos os setores envolvidos com a produção de alimentos, fibra e bioenergia. Nesse ano de 2021, o Cepea espera que o agronegócio seja responsável por quase 30% do PIB do País, gerando 18 milhões de empregos.

Isso não é apenas dentro da porteira. O Agronegócio envolve a produção dentro da porteira, seja qual for a escala produtiva, o setor de insumos, de serviços e a agroindústria. São famílias, algumas que moram no meio rural, outras que já moram no meio urbano, mas todas envolvidas e empenhadas em garantir que o alimento chegue na mesa, não apenas dos brasileiros, mas de outros lugares do mundo.

Isso é cooperação. É uma ilusão pensar que o confronto acaba com a fome, precisamos de união para produzir. Juntos somos mais fortes, separados todos perdem. Inclusive a democracia.

*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e diretor da Neo Agro Consultoria

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Gestor de agronegócios e diretor da Neo Agro Consultoria