Entre os pontos avaliados estão regularização ambiental, conectividade e vocação produtiva de cada propriedade. A proposta é reunir produtores de atividades semelhantes em arranjos produtivos locais.
A falta de capacidade de armazenagem obriga o produtor brasileiro de soja a vender a safra, e o setor precisa participar mais da agroindústria para agregar valor à produção, afirmou nesta quinta-feira, 24, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles. “Nós temos aí falta de armazenagem, somos obrigados a vender a nossa safra”, disse durante a Abertura Nacional do Plantio da Soja, em Santa Cruz do Rio Pardo (SP). Segundo ele, 90% da safra brasileira é transportada por caminhões.
Meirelles defendeu ampliar a industrialização da soja no País. Segundo ele, cerca de um terço da produção nacional é processada internamente. “Ela agrega valor no nosso processo quatro vezes a mais do que aquilo que nós exportamos”, afirmou, ao comparar o processamento doméstico com a venda do grão.
Para o dirigente, porém, o produtor precisa participar dessa etapa. “A agroindústria é importante, mas depois eles esquecem da gente, o produtor rural. Isso aconteceu na pecuária de corte, na cana, em vários outros setores, na laranja”, disse. “Nós temos de ser integrantes do processo para agregar valor no nosso produto.”
Como exemplo, Meirelles citou o projeto Integrar, da Faesp, que, segundo ele, já visitou 150 mil propriedades rurais paulistas para levantar as necessidades dos produtores. Entre os pontos avaliados estão regularização ambiental, conectividade e vocação produtiva de cada propriedade. A proposta é reunir produtores de atividades semelhantes em arranjos produtivos locais.
Segundo ele, esses grupos recebem assistência técnica e gerencial gratuita por 2 anos e, depois, podem estruturar pequenas agroindústrias. “Ali tem a densidade da produção, aí eu levo uma assistência técnica gerencial por dois anos, gratuitamente, ao produtor rural, para que ele possa aumentar a sua produtividade”, afirmou.
A abertura nacional ocorre após safra recorde de soja no Brasil. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a produção de 2025/26 em 180,4 milhões de toneladas, alta de 5,2% ante o ciclo anterior. Em São Paulo, levantamento do Instituto de Economia Agrícola (IEA) e da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) aponta produção de 4,12 milhões de toneladas em 2025/26, praticamente estável ante a temporada anterior. A regional de Ourinhos, onde fica Santa Cruz do Rio Pardo, respondeu por 10,5% da produção paulista.
O evento em Santa Cruz do Rio Pardo marca simbolicamente o início do plantio da safra 2026/27 e reúne produtores e representantes do setor nesta quinta e na sexta-feira, 25.
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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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