Falta de vacinas dificulta campanha contra a febre aftosa em São Paulo

Problema relatado por sindicatos rurais do Estado já havia sido apontado por lideranças do setor também em Minas Gerais.

Sindicatos rurais do Estado de São Paulo reclamaram de dificuldades para a compra de vacinas contra a febre aftosa em plena segunda etapa de campanha de imunização dos rebanho, que vai até o dia 30 deste mês. A informação foi divulgada pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp). A vacinação é obrigatória para bovinos e bubalinos com até 24 meses de idade. O produtor que não vacinar seu rebanho e não fizer a declaração no sistema pode ser multado.

A Faesp informou nesta terça-feira (16/11) que há relatos de escasses anormal de doses em municípios como Monte Aprazível, Brotas, Cruzeiro, Cachoeira Paulista e Patrocínio Paulista. Em Barretos, só uma revenda está comercializando, comercializando, o que também não é normal acontecer, de acordo com a Federação. Em Araçatuba, os grandes produtores se abasteceram no começo da campanha, mas faltam frascos com apenas dez doses para os pequenos produtores.

A Faesp diz que vai atuar de maneira proativa em favor dos pecuaristas para buscar soluções e, se os problemas persistirem, pode solicitar prorrogação de prazo da campanha ao Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). “O produtor não pode ser penalizado por não conseguir adquirir a vacina. O último foco de febre aftosa no Estado ocorreu há 26 anos e o sucesso da erradicação da febre aftosa se deve, em grande parte, ao pecuarista, que realizou com eficiência a imunização dos animais durante as campanhas movidas pelos órgãos sanitários”, disse em nota o presidente da Faesp, Fabio Meirelles.

Falta generalizada

O mesmo problema já havia sido relatado em Minas Gerais. No Estado, a falta de vacinas é generalizada, segundo presidentes de sindicatos rurais e a assessoria do Sistema Faemg (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg). “Nunca houve falta de vacina na nossa região e agora está faltando bastante”, diz Ornelas Rodrigues Borba, presidente do Sindicato Rural de Conceição Aparecida, no sul de Minas, que está no cargo desde 2007. Segundo ele, apenas 20% do gado da região já foi vacinado.

Weber Bernardes de Andrade, presidente do Sindicato Rural de Nova Ponte, no Triângulo Mineiro, e vice-presidente da Faemg, disse que 30% dos produtores da sua região ainda não vacinaram por falta de doses nas revendas. Segundo ele, diminuiu muito o número de estabelecimentos que vendem as doses no Estado: eram 1.407 na primeira etapa da campanha e agora são apenas 915.

Em nota, a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), com sede em Uberaba (MG), diz que tem acompanhado a dificuldade dos associados mineiros na aquisição das vacinas e que busca uma solução para o problema junto aos órgãos responsáveis.

“A entidade entende que fatores mercadológicos têm contribuído para a referida situação, ocasionada, principalmente, por uma dificuldade na logística de distribuição das doses nos municípios mineiros”, diz a ABCZ, acrescentando que segue confiante na normalização da situação o mais breve possível para que o cronograma de retirada da vacinação no Estado em 2022 não seja prejudicado.

O dono de uma distribuidora de vacinas da MSD para lojas mineiras, que pediu para não ser identificado, disse à reportagem que o volume recebido neste ano está menor. Ele recebeu 60% das doses encomendadas, que já acabaram, e não sabe quando receberá nova remessa.

O Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), que representa os fabricantes, negou, nesta terça-feira (16/11) a falta de vacinas e disse que Minas já recebeu 91,6% das doses e São Paulo, 77%. Segundo entidade, o estoque é maior que a demanda e podem estar ocorrendo falhas na distribuição. Outra hipótese levantada pelo Sindan é que o produtor esteja procurando vacinas de quem já não fabrica mais.

Como o Brasil caminha para ser zona livre de aftosa sem vacinação até 2026, o interesse das empresas diminuiu. O número de fabricantes da vacina no país caiu de sete para apenas três: Ourofino, em Ribeirão Preto-SP; Ceva Saúde, em Juatuba (MG); e MSD, em Montes Claros (MG). Outras duas (Biogénesis e Biovet) apenas distribuem a vacina em parceria com as indústrias que produzem.

Outro fator que impacta esta segunda fase da campanha é o número de animais a serem vacinados, que diminuiu para 78 milhões, já que 44,5 milhões de bovinos e bubalinos dos Estados do Paraná, Rio Grande do Sul, Acre e Rondônia e parte do Amazonas e de Mato Grosso obtiveram a certificação da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) como zonas livres de aftosa sem vacinação, se juntando ao Estado de Santa Catarina.

O Ministério da Agricultura, responsável por solicitar ao Sindan o volume de doses necessário para a campanha, não respondeu aos questionamentos da reportagem.

Mais caro

Além da falta, outra questão que tem incomodado os produtores é o aumento de preço da vacina. Borba, do sindicato de Aparecida, diz que a dose subiu de R$ 1,55 em maio para R$ 2,30 na sua região. Em Nova Ponte, o relato é de um aumento de 35% no período. Em São Paulo, segundo relatos de pecuaristas à Faesp, o valo passou de um teto de R$ 1,60 para mais de R$ 2,00.

Esse aumento, no entanto, não é exclusivo das vacinas. Levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apontou uma escalada de preços dos insumos da agropecuária neste ano. Fertilizantes e defensivos tiveram aumentos superiores a 100%.

Fonte: Globo Rural

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