Frigorífico aposta em carne do cruzamento de Wagyu com Nelore

Frigorífico aposta em carne do cruzamento de Wagyu com Nelore

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Produção Akaushi Brasil (Foto: Divulgação/Akaushi Brasil)

Empresa comprou primeiro lote comercial da Akaushi Brasil e produto deve chegar em novembro a São Paulo e Brasília. Confira que sensacional!

Apostando em uma carne voltada para o segmento premium, o frigorífico LKJ, de Tocantins adquiriu o primeiro lote comercial de gado resultante do cruzamento do japonês Wagyu Akaushi com o zebuíno Nelore produzido pela Akaushi Brasil. Até agora, esses cruzamentos eram feitos de forma experimental pela empresa responsável pela seleção dos animais.

A Akaushi Brasil, situada em Araguaína (TO), nasceu em 2012, quando Vivian Machado e Ricardo Marques decidiram assumir os riscos de trabalhar com uma genética pouco conhecida. Começaram em parceria com uma empresa que já tinha um projeto de cruzamento entre as duas raças. Mas, depois do término do contrato, resolveram tocar uma produção própria desse tipo de bovino.

O Akaushi ou Japonês Brown é uma das variedades da raça Wagyu (vaca japonesa), composta ainda pelo Kuroge, o Shorthorn e o Polled. A própria Associação dos Criadores de Wagyu no Brasil começou a registrá-las separadamente apenas no ano passado, conforme a portaria nº 1.533, de 14 de setembro de 2018, do Ministério da Agricultura (Mapa), o que dificulta estimar de forma mais precisa o tamanho do rebanho no país.

Além de poucos animais, Vivian e Ricardo encontraram pouca base teórica, baseando-se apenas em dados de estudos japoneses, americanos e australianos. “Não conseguimos nenhum material de pesquisa sobre o comportamento dos animais, adaptabilidade ao clima, resistência a endo e ectoparasitas, nutrição da raça Wagyu Akaushi e também seus cruzamentos no Brasil”, diz ela.

Mesmo assim, começaram a fazer abates experimentais dos poucos animais resultantes do do cruzamento. Conseguiram vender bezerros a três marcas, mas apenas para teste. “Em mais uma tentativa, abatemos um animal, desossamos, embalamos, e por meio das redes sociais entramos em contato com grandes mestres de cozinha”, conta Vivian.

Após retornos satisfatórios, a Akaushi Brasil decidiu dar um passo à frente e engordar mais alguns lotes. Fez uma “peregrinação nos frigoríficos”, mas enfrentou resistência do mercado. Até que conseguiu encontrar um parceiro em Araguaína, mas a empresa só podia operar no município. “Ainda não era suficiente. Precisávamos de um mercado maior para absorver a produção e agregar o valor necessário a fim de nos mantermos na atividade”, diz a pecuarista.

Abrangência nacional

Na busca por plantas com o Serviço de Inspeção Federal (SIF), que podem comercializar no país inteiro encontraram o frigorífico LKJ, a 100 km da Akaushi Brasil, que propôs uma parceria tanto para o abate de animais quanto para replicar o sistema de produção em outras fazendas.

“Ou você trabalha com cortes que quase não tem valor agregado, que são commodities, ou você parte para um público diferenciado. Esse consumidor ‘premium’ está preocupado com a qualidade, e não com o preço. Com olhos para esse mercado, que já corresponde a 15% do consumo, nós decidimos entrar em parceria com a Akaushi Brasil”, explica Celso Ricardo, consultor estratégico do LKJ.

Ele fez a primeira aquisição em 11 de outubro. “Poucos animais estão sendo abatidos, pois só agora chegou-se a um material genético satisfatório. A primeira degustação da carne será feita apenas dia 24 de outubro”, relata Celso. A meta é chegar aos principais centros de consumo. “A partir de novembro, alguns comércios especializados em São Paulo e Brasília receberão a nova carne.”. Ele diz acreditar que em 24 meses terá um volume maior para chegar a outros grandes centros.

Vivian afirma que ainda não provou a carne do lote que vendeu para o frigorífico. Mas, baseada nas experiências anteriores, avalia que o resultado é positivo. “Acredito que o sabor premium da carne se deu em razão do sistema de produção harmônico com o meio ambiente, além de valorizar o animal e o gosto refinado do consumidor, em um processo que chamamos ‘terra à boca’.”

Entre as práticas de bem-estar adotadas no rebanho estão: pasto com suplementação, manejo rotacionado das pastagens, incluindo variedades de capins, não utilização de inseticidas, uso de homeopáticos e alopáticos somente quando necessário, sistema sustentável de fornecimento de água e sombreamento das pastagens por espécies nativas.

A nova opção chega ao mercado em meio a um momento de demanda por carne de maior valor agregado. Alcides Torres, consultor da Scot Consultoria, diz perceber que o consumo de carne premium realmente passa por uma ascensão.

“As categorias de classe média alta para cima são uma parcela da população que não são atingidas pela crise econômica. Por isso, percebemos que a margem de consumo da carne diferenciada, que não é commodity, aumentou e vem aumentando ao longo do tempo”.

Fonte: Globo Rural

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