Frigoríficos perderam força e pecuaristas ditam o preço

Frigoríficos perderam força e pecuaristas ditam o preço

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Confinamento e Boitel VFL BRASIL. Foto: Marcella Pereira

Com preços maiores sendo ofertados para a compra de boiadas, os negócios voltaram a fluir. Os pecuaristas exerceram uma grande pressão de alta no mercado, retendo a boiada nos pastos.

A forte especulação baixista imposta pelos frigoríficos perdeu força ao longo desta última semana e os pecuaristas mostraram que tem poder sobre o mercado do boi gordo, direcionado para os fundamentos de oferta e demanda. Nesse sentido, com a atual escassez de oferta de boiada gorda, o preço da arroba retomou o viés altista, movimento reforçado pelo maior apetite comprador parte dos principais frigoríficos brasileiros.

Segundo levantamento da Scot Consultoria, na última sexta-feira (27/3), a cotação do boi gordo na praça paulista ficou em R$200,00/@, considerando o preço à vista, bruto.

Segundo o app da Agrobrazil, os pecuaristas de Cáceres/MT, tem informado negócios por R$ 195 com 30 dias para pagamento e abate para o dia 02 de abril, mas o frente é por conta do vendedor. Já para o boi gordo, mercado interno, em Rancharia/SP, o valor é de R$ 200/@ com pagamento à vista e abate para o dia 30 de março.

Segundo os negócios informados no app, a média para o estado de São Paulo e Mato Grosso do Sul, foram R$ 200,73/@ e R$ 187,53/@, respectivamente. Na distribuição dos negócios em São Paulo, praça referência para as demais, tivemos negócios de até R$ 205/@ para o Boi China, mercado que está aquecido e com boa demanda por animais jovens, chegando a pagar até R$ 8/@ à mais que o boi comum.

As indústrias conseguiram efetuar compras de lotes maiores e alongar, mesmo que moderadamente, as escalas de abate. A programação de abate atende a quatro dias em São Paulo.

Demais fatores altistas

As valorizações da arroba registradas nesta semana nas principais regiões pecuárias também foram influenciadas pela firmeza da demanda interna pela carne bovina, além da elevação dos preços de carnes concorrentes, como a de frango, observa a FNP.

“Há uma necessidade de reposição dos estoques varejistas após a corrida aos supermercados”, ressalta a consultoria Agrifatto, acrescentando que, atualmente, os preços da carcaça casada bovina seguem firmes, girando ao redor de R$ 13,50/kg.

Além disso, há notícias de que a China voltou a participar mais ativamente do mercado internacional de carne bovina, depois dos problemas estruturais ocasionados pela pandemia do novo coronavírus.

“Há relatos de que os lotes de boi gordo que atendem o mercado da China estão sendo negociado a R$ 205/@, o que pode reaquecer as negociações no curto prazo”, informa a Agrifatto.

Mercado do boi gordo reage em meio ao surto de coronavírus

Apesar do período de quarentena, com estabelecimentos comerciais que demandam carne bovina de portas fechada, a oferta limitada de boiadas fez com que os compradores ofertassem preços maiores pelo boi gordo.

Acompanhe as cotações desta sexta-feira do boi gordo, nas principais regiões do Brasil, de acordo com dados da FNP:

  • SP-Noroeste: R$ 204/@ a (prazo)
  • MS-Dourados: R$ 187/@ (à vista)
  • MT-Tangará: R$ 181/@ (prazo)
  • GO-Goiânia: R$ 185/@ (prazo)
  • PR-Maringá: R$ 192/@ (à vista)
  • BA-F. Santana: R$ 182/@ (à vista)
  • RS-Fronteira: R$ 189/@ (à vista)
  • PA-Redenção: R$ 185/@ (à vista)
  • TO-Gurupi: R$ 177/@ (à vista)
  • RO-Cacoal: R$ 166/@ (à vista)

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