Frigoríficos tem a melhor margem de lucro em 2 anos

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Foto: Carne Fazenda Carioca
Foto: Carne Fazenda Carioca

O índice de equivalência carcaça da Scot, mostra que a indústria frigorífica tem uma receita por animal abatido de 23,8% maior do que o preço atual do boi gordo.

Monitorar o rendimento absoluto dos bovinos e a margem obtida pelas indústrias é recomendável para compreender como isso pode refletir no preço pago pelo bovino. O índice de equivalência carcaça da Scot Consultoria mostra que a indústria frigorífica tem uma receita por animal abatido de 23,8% maior do que o preço atual do boi gordo.

Para isso, a Scot Consultoria calcula diariamente os índices relacionados ao valor da venda da carcaça bovina e componentes não-carcaça, avaliando o panorama da indústria frente ao preço pago pela arroba. As indústrias estão trabalhando com cautela e acompanhando como está o escoamento da carne no atacado, por isso contam com programações de abate mais confortáveis. “Nós não esperamos uma inversão drástica de cenário de preços no mercado do boi gordo no curto prazo”, informou a Scot.

Os indicadores são:

Equivalente Físico

48% traseiro + 39% dianteiro + 13% de ponta de agulha

Refere-se à receita da indústria com a venda da carne com osso e carcaça, sendo o equivalente formado a partir do percentual de rendimento para cada porção da carcaça.

Equivalente Scot

equivalente físico + couro + sebo

Indicador para a receita da indústria com a venda da carne com osso, acrescida da venda de couro de primeira linha e sebo, sendo a receita gerada a partir do rendimento proporcional de cada componente.

Equivalente Scot Carcaça

carne com osso + couro + sebo + miúdos + derivados + coprodutos

Refere-se à receita da indústria com a venda da carne com osso, couro de primeira linha e sebo, acrescida a venda de miúdos, derivados e coprodutos bovinos.

Equivalente Scot Desossa

carne sem osso + couro + sebo + miúdos + derivados + coprodutos

Indicador que determina a receita da indústria com a venda da carne desossada, couro de primeira linha, sebo, miúdos, derivados e coprodutos bovinos.

Compreende-se por miúdos o bucho, fígado, pulmão, rabo, língua, coração, baço, rins, testículos, miolo, intestino e garganta; e por derivados e coprodutos a carne industrial, óleo de mocotó, tendão, medula, cascos e chifres, mucosa de abomaso, pelos e crinas, bile e cálculo biliar, graxaria, farinha de carne, farinha de osso e farinha de sangue.

Para os cálculos utiliza-se como base o preço pago pela arroba do boi gordo em São Paulo para o mercado interno e não são considerados os custos de produção da indústria, portanto, não se trata de lucro, apenas da relação entre a venda do boi e de seus produtos.

A partir dos dados e cálculos realizados pela Scot Consultoria em 22/9/2021 (figura 1), é possível analisar o comportamento desses indicadores.

Ao compararmos o preço pago pela arroba à receita obtida pelas indústrias, observamos que apenas com a venda da carcaça (Equivalente Físico) as indústrias não obtêm remuneração suficiente para superar o preço pago por animal.

A comercialização da carne desossada agrega valor ao produto e, a partir disso, a indústria obtém uma maior margem para comercialização. Entretanto, o aproveitamento do animal não se resume à carcaça, tendo a receita com a venda dos coprodutos papel fundamental.
Perspectivas para o Equivalente Scot

Tratando-se o Equivalente Scot da receita com a venda da carne com osso, couro de primeira linha e sebo, o cenário para esse indicador sofre influência importante da comercialização dos coprodutos bovinos, bem como do valor pago pela matéria prima, o gado gordo.

Analisando as variações para as margens do Equivalente Scot entre 23/8/2021 e 22/9/2021 (figura 2), observamos que o índice vem de um cenário de baixas e, nos últimos dias, passou a apresentar margem positiva.

Figura 2. Margem da indústria para o Equivalente Scot entre 23/8/2021 e 22/9/2021.

As movimentações recentes no mercado do boi gordo após a confirmação de casos atípicos da doença da “vaca louca”, que levaram à queda nos preços do boi gordo, resultaram em margens positivas na comercialização dos produtos bovinos.

Somado a isso, as recentes valorizações do couro e sebo favoreceram o cenário para a receita de vendas das indústrias, fatos demonstrados pelo desempenho do Equivalente Scot.

Nos últimos doze meses, foram poucos os momentos em que o Equivalente Scot esteve positivo, veja na figura 3.

Apesar da maior predominância de margens negativas em 2021, tivemos também, em outros poucos períodos, margens positivas.

Figura 3. Margem da indústria para o Equivalente Scot entre setembro/20 e setembro/21.

Consideração final

A análise do Equivalente Scot não deve ser feita isoladamente e recomenda-se relacioná-la com as condições que envolvem a cadeia da carne.

Entretanto, as maiores margens envolvendo os equivalentes dão espaço para ajustes nos preços do boi gordo.

Compre Rural com informações da Scot Consultoria

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