Suno Fazendas amplia patrimônio em quase 50%, passa a reunir seis propriedades rurais e alcança 5,3 mil hectares sob sua estratégia de investimento
A terra agrícola brasileira continua avançando como alternativa de investimento também fora da porteira. O Suno Fazendas (SNFZ11) encerrou sua terceira oferta pública com captação de R$ 51,8 milhões, recursos que serão utilizados, entre outras operações, na aquisição de três propriedades rurais em Mato Grosso.
Com a operação, o fundo registrou crescimento de quase 50% em seu patrimônio e ultrapassou a marca de 16 mil cotistas. Segundo a Suno Asset, o número coloca o SNFZ11 como o maior fundo de fazendas do Brasil em quantidade de investidores.
A expansão ocorre mesmo em um ambiente de juros elevados, condição que tende a aumentar a concorrência de investimentos ligados ao agronegócio com aplicações de renda fixa.
Para Vitor Duarte, CIO da Suno Asset, o resultado mostra uma mudança na maneira como parte dos investidores brasileiros enxerga a propriedade rural como classe de ativo.
“Seguimos comprando terra em um ciclo de preço favorável e combinando isso com CRA para manter a distribuição recorrente, mesmo com a Selic ainda elevada”, afirma.
Três novas fazendas entram para o portfólio
Parte relevante dos recursos levantados será destinada à compra de três propriedades rurais em Mato Grosso, estado que concentra algumas das principais regiões produtoras de grãos e pecuária do país.
Em Nova Lacerda (MT), o fundo adquiriu duas áreas:
- Fazenda Guaraipós: 2.242 hectares de área total, sendo 1.319,23 hectares de área útil;
- Fazenda Berrante: 1.164 hectares, dos quais 722,98 hectares são úteis.
A terceira propriedade é a Fazenda Panteão, localizada em Gaúcha do Norte (MT), com 317 hectares de área total e 96,63 hectares úteis.
A presença do fundo no município já era relevante. O SNFZ11 mantém na região as fazendas Coliseu, Xavante e Triângulo da Gaúcha.
Com as três novas aquisições, o portfólio passa a reunir seis fazendas, com 5.339 hectares de área total e aproximadamente 3.159 hectares de área útil.
Fazendas foram negociadas com pagamento em sacas de soja
Outro ponto relevante das transações está na estrutura utilizada para a compra das terras.
As propriedades foram adquiridas a prazo e com pagamentos denominados em sacas de soja, modelo que conecta parte das obrigações financeiras do negócio à principal commodity agrícola produzida no país.
Esse tipo de estrutura é conhecido no mercado de terras agrícolas e pode funcionar como uma forma de estabelecer o valor das parcelas em uma referência diretamente relacionada à capacidade produtiva das propriedades e ao próprio mercado do agronegócio.
Fundo também destina R$ 35 milhões para CRA
A estratégia do SNFZ11 não fica restrita à propriedade física das terras. Paralelamente às novas aquisições, R$ 35 milhões foram destinados a Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) com garantia de cessão fiduciária de recebíveis.
Na prática, o fundo procura combinar dois componentes: a exposição às propriedades rurais e a geração de receitas por meio de ativos de crédito ligados ao agronegócio.
“A combinação de terra e CRA é o que dá ao fundo capacidade de crescer sem renunciar à renda mensal. É a estrutura que sustenta o próximo ciclo de aquisições”, explica Duarte.
Investidor passa a disputar espaço no mercado de terras
A operação também chama atenção para um movimento que ganhou espaço no mercado financeiro brasileiro: a transformação da terra agrícola em uma classe de investimento acessível indiretamente ao pequeno investidor.
Em vez de comprar diretamente uma fazenda — operação que exige capital elevado, conhecimento regional, análise documental e gestão do imóvel —, veículos como os Fiagros permitem exposição a diferentes segmentos do agronegócio por meio de cotas negociadas no mercado.
No caso do SNFZ11, a estratégia combina aquisição de propriedades agrícolas e investimentos em crédito do agro, buscando capturar tanto oportunidades no mercado de terras quanto geração recorrente de receitas.
A Suno Asset administra atualmente recursos nas áreas de agronegócio, mercado imobiliário e infraestrutura. Segundo a própria gestora, são cerca de R$ 4,5 bilhões sob gestão e aproximadamente 330 mil cotistas considerando seus diferentes veículos de investimento.
A terceira emissão do Suno Fazendas, portanto, não representa apenas a entrada de R$ 51,8 milhões no fundo. A operação amplia sua presença física no campo e reforça uma tendência que vem aproximando cada vez mais o mercado de capitais do mercado brasileiro de terras agrícolas.
Fonte: Suno Asset, com informações divulgadas em agosto de 2026.