Genética brasileira atravessa fronteiras e coloca filhos de garanhão entre a elite mundial do Cavalo Árabe

Criado no Brasil, TM Itaipu consolida influência internacional com descendentes premiados na Europa e no Oriente Médio; RDS Donatello venceu categoria em Aachen com 91,71 pontos

Um cavalo nascido no Brasil começa a deixar uma marca que vai muito além das pistas nacionais. TM Itaipu, garanhão Puro-Sangue Árabe criado pelo Haras Trindade de Minas, transformou-se em pai de animais que vêm aparecendo repetidamente entre os destaques de importantes exposições internacionais.

Neste fim de semana, mais um resultado reforçou essa trajetória. RDS Donatello, filho de TM Itaipu em RDS Almasa, venceu a categoria Yearling Colts A do GCAT Aachen 2026, na Alemanha, com 91,71 pontos. 

A vitória isoladamente já teria importância. O que torna a história maior é observar quem aparece no pedigree do potro — e quantas vezes esse mesmo nome brasileiro vem surgindo entre animais premiados fora do país.

Quem é TM Itaipu

TM Itaipu nasceu em 2018, no Brasil, produto do cruzamento de El Tino com Faizah Carol, por Shael Dream Desert. Os registros internacionais apontam Claudia Menicucci Teixeira e José Orlando A. Teixeira Junior como criadores. 

A origem está no tradicional programa do Haras Trindade de Minas.

Em 2022, Itaipu conquistou o título de Campeão Nacional Brasileiro Ouro Cavalo Jovem, resultado também registrado pela Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Árabe. 

Mas sua relevância atual começa a ser medida menos pelos próprios títulos e mais pelo desempenho de seus filhos.

É aí que a história ganha outra dimensão.

RDS Donatello venceu com 91,71 pontos

Nascido em 2025, RDS Donatello é produto de TM Itaipu x RDS Almasa.

Foi criado por Eiad e Amira Safady e atualmente pertence ao Ajman Stud. 

Em Aachen, nove jurados avaliaram características como tipo, cabeça, pescoço, corpo, aprumos e movimentação.

Donatello terminou com 91,71 pontos.

Em tipo, recebeu notas de até 20.

No movimento, também alcançou 20 pontos de um dos jurados. 

O resultado confirma uma campanha que já vinha chamando atenção.

Antes de Aachen, Donatello havia sido Campeão Ouro entre os potros de um ano no GCAT London 2026 e Campeão Ouro no evento internacional de Bruges, onde também recebeu reconhecimento de Best in Show. 

Portanto, Aachen não representa um primeiro lampejo.

É continuidade.

O lado brasileiro está no pai

RDS Donatello não nasceu no Brasil.

Esse detalhe precisa ficar claro.

A conexão brasileira está em seu pai.

TM Itaipu é identificado nos registros internacionais com origem brasileira e foi criado pelo programa do Haras Trindade de Minas. 

A própria base Arabian Essence lista atualmente dezenas de descendentes do garanhão registrados em diferentes países e criatórios. 

É justamente essa dispersão que ajuda a medir a influência de um reprodutor.

Um garanhão internacionalmente relevante não precisa apenas produzir um grande campeão.

Precisa transmitir características desejadas para diferentes matrizes e diferentes programas de criação.

Outro filho já havia chamado atenção mundial

RDS Donatello não é o primeiro descendente de Itaipu a ganhar projeção.

TM Emperor, filho de TM Itaipu em TM Alana, também possui campanha internacional importante.

Criado no Brasil por Claudia Menicucci Teixeira, Emperor conquistou o Ouro no GCAT Americas São Paulo em 2025 e posteriormente a Prata no World Arabian Horse Championship Supreme 2025. 

Em 2026, continuou competindo no circuito internacional e conquistou Prata no GCAT Monaco. 

Há uma diferença interessante entre os dois.

TM Emperor nasceu dentro do próprio programa brasileiro.

RDS Donatello já representa a etapa seguinte: um animal produzido no exterior utilizando genética paterna brasileira.

Essa transição é relevante para qualquer programa de seleção.

TM Bella ajudou a abrir o caminho

Antes deles, outra descendente já havia colocado Itaipu no radar internacional.

TM Bella, filha de TM Itaipu em TM Fahdeelah, foi criada no Brasil e posteriormente exportada.

Em 2023, por exemplo, venceu sua categoria no World Arabian Horse Championship com 93,07 pontos, segundo o resultado oficial do campeonato. 

O histórico ajuda a entender por que a genética de Itaipu passou a interessar a criatórios fora do país.

Não é somente a campanha do garanhão.

São os resultados acumulados de sua progênie.

Do Brasil para programas do Oriente Médio

A circulação internacional de Itaipu também é parte importante dessa história.

O garanhão já foi utilizado fora do Brasil, incluindo períodos de reprodução em criatórios do Oriente Médio.

O próprio Haras Trindade informa que ele foi inicialmente arrendado ao Al Nasser Stud e posteriormente ao Ajman Stud, levando sua genética diretamente para alguns dos programas de criação mais competitivos do Cavalo Árabe internacional. 

Uma publicação especializada sobre criatórios do Catar também documentou a presença do brasileiro no Al Nasser Stud. 

Esse movimento explica o que começa a aparecer agora.

Os primeiros produtos internacionais chegam às pistas.

O que um reprodutor precisa provar

No mercado de genética equina, o valor de um garanhão não deveria ser medido apenas por sua própria beleza ou por um campeonato.

A prova mais difícil vem depois.

É a progênie.

O reprodutor precisa demonstrar capacidade de transmitir características desejáveis de forma suficientemente consistente para produzir animais competitivos em diferentes cruzamentos.

Por isso, resultados de filhos em diferentes mães possuem peso especial.

RDS Donatello é filho de RDS Almasa.

TM Emperor é filho de TM Alana.

TM Bella é filha de TM Fahdeelah. 

São três matrizes diferentes.

E três descendentes com resultados relevantes.

O pedigree ajuda a explicar a aposta

A genealogia de TM Itaipu reúne nomes importantes da criação moderna do Árabe.

Seu pai, El Tino, é filho de DA Valentino.

Na linha materna, Itaipu é filho de Faizah Carol, por Shael Dream Desert. 

Mais atrás aparecem nomes como Versace, Padrons Psyche, Ansata Shaamis e El Nabila B.

Isso não significa que pedigree sozinho produza campeão.

A criação equina depende de combinação genética, seleção, conformação, desenvolvimento, manejo e treinamento.

Mas pedigree ajuda a explicar por que determinados indivíduos passam a ser utilizados internacionalmente.

O Brasil não aparece apenas como comprador

Existe ainda um aspecto estratégico para a criação nacional.

Durante décadas, grande parte da narrativa do mercado brasileiro de cavalos esteve associada à importação de genética internacional.

Garanhões estrangeiros chegam ao país.

Sêmen é importado.

Embriões e matrizes mudam de continente.

A trajetória de Itaipu mostra o caminho inverso.

Uma genética desenvolvida dentro de um programa brasileiro passa a ser utilizada no exterior e seus filhos começam a competir entre animais de criatórios internacionais.

É uma diferença importante.

O Brasil deixa de aparecer apenas como consumidor de genética e passa a funcionar também como origem.

Aachen dá visibilidade mundial

A realização da final em Aachen amplia o peso simbólico do resultado.

O evento reuniu exemplares de diferentes países e programas de criação no encerramento europeu do Global Champions Arabians Tour neste fim de semana. 

RDS Donatello chegou ao evento já respaldado pelos resultados de Londres e Bruges.

E venceu novamente sua classe.

O dado mais interessante, portanto, não é somente o 91,71.

É a repetição.

A próxima geração já está chegando

As bases internacionais mostram diversos produtos de TM Itaipu nascidos em 2025 e 2026 em diferentes criatórios.

Entre eles aparecem animais registrados no Catar, Europa e outros centros importantes da criação do Árabe. 

Isso significa que a avaliação do verdadeiro impacto genético do garanhão ainda está no começo.

Muitos desses animais sequer chegaram à idade de competir.

Se uma parcela deles repetir o desempenho observado em Donatello, Emperor e Bella, o brasileiro poderá ampliar ainda mais sua presença nos pedigrees internacionais.

Por enquanto, uma conclusão já é possível.

TM Itaipu deixou de ser apenas um campeão brasileiro que foi levado ao exterior. Seus filhos começaram a construir a própria reputação.

E é essa etapa — quando o nome do pai continua aparecendo mesmo quando ele já não está dentro da pista — que costuma separar um grande cavalo de um reprodutor capaz de deixar legado.

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