Homeopatia e sua relevância na exploração animal

Homeopatia e sua relevância na exploração animal

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Foto: Reprodução Instagram / Marca Peixe - Fazenda Bálsamo

Homeopatia, técnica antiga que ainda é descreditada por muitos criadores. Qual é sua real relevância para a criação de bovinos?

por Paulo Lemos

Introdução.

Homeopatia é uma (técnica) especialidade médica desenvolvida por Samuel Hahnemann (Christian Friedrich Samuel Hahnemann). Formado em Medicina na Alemanha em 1779, em Leipzig, Alemanha.

Do que se trata? O que vem a ser energia homeopática?

Diluições.

Hahnemann observou-se que pequenas quantidades se uma matéria prima (de ação, então conhecida nos organismos humanos), quando diluídas em água (normalmente com álcool) na proporção comumente usada de 1:100, e dinamizada (impactos com o frasco sob base dura, mas com forro fino e macio para não quebrar o vidro) por 100 vezes seguidas, desenvolvia (impregnava) nesta solução aquosa um tipo de energia relacionada com a matéria prima usada. Com o evoluir de subsequentes diluições – seguidas de dinamizações – esta energia vai adquirindo atividade ante a matéria prima original usada (tornando-se um antídoto que reverte os efeitos da matéria prima no organismo).

Exemplo, usando como matéria prima original o arsênico (veneno/tóxico) verificou-se que a partir da sexta diluição centesimal hahnemanniana (quando se tem o chamado: Arsenicum Album 6 CH), se obtém um produto ante arsênico, de ação efetiva em pessoas [mesmo que neste nível de diluição, a solução ainda contivesse traços de arsênico, porém em quantidades milesimais (tão pouco) que não havia risco toxicológico].

Evoluindo mais nas diluições, teremos a partir da 12ª diluição/dinamização centesimal, o produto/medicamento Arsenicum album 12 CH, solução isenta da matéria prima original, mas com forte presença desta energia ante arsênico, ligada ao soluto usado (água e álcool, e se pode passar/impregnar por contato, ao açúcar).

Sintomas e tratamentos

Hahnemann observou que as pessoas levemente intoxicadas com o arsênico desenvolviam características psicossomáticas, tais como: passavam a ficar friorentas, magras, sistemáticas, ansiosas por demais, famintas e etc..

Também verificou que o produto desenvolvido via diluições/dinamizações curava estas pessoas (a energia ante arsênico faz com que o tóxico se desliga do lócus de ação no organismo e seja eliminado pela urina).

A seguir Hahnemann associou estas características – descritas acima para pessoas intoxicadas – com pessoas que coincidentemente trazem em sua natureza fisiológica (modo de ser), aquelas mesmas características psicossomáticas implantadas em indivíduos levemente intoxicados com arsênico. E também observou que estas pessoas nascidas com estas características, respondiam ao tratamento com o medicamento Arsenicum album 12 CH, mudando após algum tempo de tratamento, seu perfil psicossomático (modificando sua natureza fisiológica) vindo a se tornar um organismo saudável/normal.

Neste caso sabemos que esta energia desenvolvida e presente no medicamento, atua nos lócus do organismo onde o arsênico atua, promovendo uma “motivação” nestes lócus (enzimas por exemplo), fazendo-os funcionem mais, compensando a deficiência parcial, e assim suprindo assim em boa parte o deslize (defeito) de ordem orgânica de origem genética presente nestes organismos. Assim como funciona também nas pessoas intoxicadas descrito acima, desintoxicando-as.

Tipo biológico natural.

A partir desta descoberta, ele considerou estes indivíduos (biótipos naturais) simulares aos organismos intoxicados descrito. Desta forma se convencionou dizer que a homeopatia trata através da cura pelo semelhante. Também devido a isto passou-se a classificar este tipo de pessoa (biótipos naturais), do exemplo acima, como pertencente ao SIMÍLIUM denominado Arsenicum album.

Ou seja, passou-se a classificar uma parcela de pessoas da população, como pertencente a um determinado biótipo/tipo biológico natural. Este biótipo natural seria SIMILAR (pertencente a um SIMÌLIUM) à outra pessoa intoxicada por (ou sob a influência de) uma matéria prima “X”. Matéria prima esta que provoque no organismo, alteração psicossomática e orgânica compatível com o modo natural de ser daquela parcela de pessoas da população.

Hoje sabemos que esta energia descrita, na verdade se trata de uma sutil “modulação” na energia quântica encontrada nos orbitais de elétrons do átomo de hidrogênio (área da química), elemento este presente nos líquidos/solutos usado pela homeopatia para diluição – da matéria prima original – e dinamização. Solutos estes – cujo hidrogênio – sofrem esta modulação ganhando uma energia com especificidade de ação, conforme a matéria prima original usada (Solutos: açúcar, álcool e água; sendo que na água a energia se esvai em horas. Já no açúcar e no álcool a mesma se perdura por meses ou anos respectivamente).

Desta forma passou-se a ver a Homeopatia como sendo uma especialidade médica nova e muito interessante, mas que necessitava do organismo humano como experimentador (como “cobaia”). Que assim seria desenvolvido novos medicamentos na medida que se descobrisse uma matéria prima original, a qual desenvolvesse nos seres humanos, sintomas ou sinais psicossomáticos encontrados em certos indivíduos da população (incluindo sinais clínicos presentes em diversas patologias e “ou” doenças). Esta matéria prima diluída e dinamizada (medicamento Homeopático) seria o antídoto (a cura) para as alterações psicossomáticas e orgânicas (de caráter “natural” ou patológica) encontrada nas pessoas seja de nas pessoas diversas, ou nos casos devido ao uso da matéria prima original (quadros toxicológicos).

Foi desta forma desenvolvido inúmeros medicamentos que perduram desde aqueles tempos até hoje (desde idos dos anos 1980, aos séculos seguintes). Todavia hoje em dia a experimentação em seres humanos é proibida, o que dificulta, em parte, a evolução de novos medicamentos homeopáticos.

O uso da Homeopatia em animais foi apresentado pelo próprio Hahnemann em Leipzig em 1815. Muitos médicos veterinários homeopatias procuram evidencias no comportamento de animais com fins a classifica-los dentro do biótipo (SIMÍLUIUM) compatível, para então receitar o medicamento. Apesar deste trabalho clínico ser útil, sabemos que há restrições principalmente para o uso em larga escala na exploração dos animais com fins econômico (leite e carne).

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Sabe-se que uma vez que dominado a técnica em aperfeiçoar o uso destas energias, com o fim de que as mesmas atuem nos focos desejados (motivando enzimas, glândulas e mesmo genes), podemos ter produtos eficiente para se controlar inúmeros problemas de ordem sanitária ou comportamental, assim como motivar sistemas orgânicos relacionados com uma maior e melhor produção nos animais, como na criação de bovinos, suínos, ovinos, caprinos e aves.

No Brasil o veterinário pioneiro em homeopata foi o Dr. Claudio Martins Real, que iniciou em 1950 estudos em homeopatia na França, vindo depois ser Professor na UFRGS onde esteve até 1981. Foi, pelo que tenho informação, o pioneiro em desenvolver o uso de homeopatia em veterinária no país, onde corroborou no desenvolvimento da REAL H.

Dos anos de 1990 para cá temos verificado uma evolução na disponibilidade e uso de produtos veterinários homeopáticos para melhorar a produtividade animal (bovinocultura por exemplo), atuando em diversas frentes, como no controle de parasitos, doenças e problemas de desenvolvimento e comportamento, em várias espécies animais, incluindo animais de estimação.

Em PECUÁRIA o que parecia ser poético (uso de homeopatia) a algumas décadas, se tornou hoje técnica de alto impacto econômico na exploração animal. Temos hoje medicamentos efetivos que atuam efetivamente no sistema de produção.

PARASITOSES: Existem eficientes produtos para controle de ecto e endo parasitoses (mosca, carrapato, berne e vermos – sem necessitar manejar os animais, pois se usa nos sais minerais a campo).

SANIDADE: produtos que controlam e mesmo curam doenças como a Mastite Bovina, Verrugas, Diarreias, IBR, BVD, Leptospirose, etc.

TOXICOLOGIA: produtos que amenizam quadros tóxicos, como a Fotossensibilização, Intoxicação por Plantas Toxicas como o Cafezinho, etc.

COMPORTAMENTO: produtos para ansiedades ou estresses diversos, e para amenizar as depravações no apetite sexual (produtos para TRANQUILIZAR e dar suporte orgânico para assim reduzir o estresse animal, seja devido a manejos intensos ou às intempéries climáticas diversas; e produtos para controlar a SODOMIA em “FEED LOTS” de bois inteiros).

REPRODUÇÃO: existe produtos que atuam bem, nesta área complexa e profunda, onde está em jogo uma gama de detalhes funcionais que regulam a boa expressão endócrino metabólica no organismo para se obter o máximo na atividade reprodutiva (assim como na atividade de apoio relacionada; como produção de leite ao filho). Aqui se nota um grande potencial da homeopatia a qual tem como atuar nas seguintes frentes:

A) Melhoria nos gametas com fins a produzir bom esperma e bons óvulos. E logicamente bons/férteis cios nas vacas.

B) Elevação do escore corporal de vacadas de corte – às expensas de secas severas – melhorando muito os índices de fertilidade (amparando desde uma gestação estável devido equilíbrio endócrino, até a se ter uma sanidade uterina e uma desmama saudável/pesada)

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DESEMPENHO: Pode-se elevar o ganho de peso e “ou” a produção leiteira, e mais que isto, atua bem na conversão alimentar – que tange os 10% a mais devido ganho em eficiência alimentar junto aos AGV de origem do Rúmen, assim como maior eficiência no aproveitamento do “P” elemento ingerido. Os reflexos são visíveis na saúde/índices, e até na taxa de lotação de vacadas de cria.

“CLIMATOLOGIA ANIMAL”: Redução do estresse calórico nos bovinos EUROPEUS nos trópicos por reduzir a dissipação calórica nos organismos animais, devido elevação da eficiência no metabolismo energético, descrito acima. Até o gado zebuíno agradece nos dias quentes.

QUALIDADE da CARCAÇA: Pode elevar a terminação da carcaça (cobertura gordurosa), e mesmo a própria qualidade das carnes produzidas (suculência e maciez).

SUSTENTABILIDADE: Finalmente, esta especialidade apresenta uma colaboração muito grande por não poluir o ambiente, e praticamente por pouco depender de maiores esforços ou e insumos para sua produção. Assim atua melhorando a produção com elevação do Bem-Estar Animal e colaborando com o ambiente, por não produzir resíduos.

Assim estamos assistindo uma evolução significativa desta especialidade, em saúde e produção animal, de forma economicamente significativa.

Fonte: Scot Consultoria

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