Fogo na Colúmbia Britânica coloca rebanhos em risco, força retirada de animais e provoca perdas também em vinhedos e pomares
Os incêndios avançam sobre fazendas na Colúmbia Britânica, no Canadá, e já obrigam produtores rurais a retirar animais das áreas ameaçadas. Cerca de 50 mil bovinos estão em regiões submetidas a ordens de evacuação, enquanto o fogo também compromete vinhedos, pomares e outras atividades agrícolas do Vale de Okanagan.
O dado sobre o rebanho foi informado pela ministra da Agricultura e Alimentação da província, Lana Popham. A dimensão chama atenção porque representa uma parcela relevante dos aproximadamente 535 mil bovinos existentes na Colúmbia Britânica no início de 2026, segundo o Statistics Canada.
Incêndios avançam sobre fazendas e aceleram retirada do gado
Nas propriedades próximas às áreas atingidas, a principal preocupação é retirar os animais antes que estradas, pastagens ou acessos sejam bloqueados.
Pecuaristas estão reunindo vacas e bezerros em pontos seguros para transporte ou deslocando os rebanhos para propriedades fora da zona de risco. Em alguns casos, o trabalho precisa ser feito a cavalo, principalmente em áreas extensas onde o gado permanece espalhado pelo campo.
Segundo a Reuters, produtores da região também passaram a atuar de forma conjunta, auxiliando vizinhos na movimentação dos animais e na busca por rotas alternativas.
A urgência aumentou com o avanço do incêndio Bald Range, próximo a Summerland. O fogo alcançou cerca de 184 quilômetros quadrados, destruiu propriedades e levou milhares de moradores a deixar suas casas.
Fumaça compromete produção de uvas
O impacto no campo não se limita à pecuária.
No Vale de Okanagan, a fumaça atingiu áreas produtoras de uvas destinadas à fabricação de vinho. O problema ocorre porque determinados compostos liberados durante incêndios podem ser absorvidos pelas frutas e alterar posteriormente o aroma e o sabor da bebida.
Esse fenômeno é conhecido como smoke taint e pode tornar parte da produção comercialmente inviável mesmo quando as chamas não chegam diretamente aos vinhedos.
Um dos produtores ouvidos pela Reuters relatou perdas em variedades como Pinot Noir e redução significativa no volume de vinho que poderá ser comercializado nos próximos anos.
Pomares perdem janela de colheita
As evacuações também interromperam o trabalho em áreas produtoras de frutas.
Em uma propriedade citada pela Reuters, apenas cerca de 20% da safra de pêssegos havia sido retirada antes da ordem para deixar a região. Parte da produção permaneceu nas árvores, exposta à deterioração e sem mão de obra disponível para continuar a colheita.
O episódio mostra um efeito específico dos incêndios sobre culturas perecíveis: mesmo lavouras que escapam das chamas podem registrar perdas quando o acesso às propriedades é interrompido no momento da colheita.
Incêndios avançam sobre fazendas em importante região agrícola
O Vale de Okanagan reúne diferentes atividades dentro de uma mesma região. Há propriedades dedicadas à criação de bovinos e produção de forragens, além de áreas especializadas em frutas e uvas.
Por isso, os incêndios avançam sobre fazendas com consequências diferentes para cada atividade. Na pecuária, o desafio imediato é deslocar os animais. Nos pomares, o risco está na perda da produção madura. Já nos vinhedos, a fumaça pode comprometer uvas que sequer tiveram contato direto com o fogo.
O cenário também é agravado pelas condições climáticas. O BC Wildfire Service já havia apontado áreas da província com seca persistente, baixa umidade e temperaturas acima da média, combinação que favorece a propagação das chamas durante o verão.
Enquanto o combate ao fogo continua, produtores tentam preservar aquilo que ainda pode ser retirado das áreas ameaçadas. O tamanho definitivo das perdas deverá aparecer somente depois que as propriedades puderem ser novamente acessadas e os danos em rebanhos, pastagens e lavouras forem avaliados.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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