Seca prolongada ameaça vacas em parição e pastagens; veja como reduzir os prejuízos

Estiagem reduz a oferta de alimento justamente quando as matrizes enfrentam maior exigência nutricional, aumentando os riscos para vacas, bezerros e pastagens

A seca prolongada pode transformar o período de parição em um dos momentos mais delicados da fazenda. Enquanto o capim perde volume e qualidade, as vacas próximas do parto precisam de mais energia para concluir a gestação, iniciar a produção de leite e manter condições para o próximo ciclo reprodutivo.

Quando esse equilíbrio se rompe, os efeitos aparecem rapidamente: matrizes perdem peso, bezerros podem nascer mais frágeis e as pastagens passam a sofrer com o excesso de pressão do rebanho. Diante desse cenário, o produtor precisa agir antes que a escassez se transforme em emergência.

Seca prolongada coincide com maior exigência das vacas

No terço final da gestação, o crescimento do bezerro se acelera. Ao mesmo tempo, a matriz precisa preservar reservas corporais para o parto e para a lactação.

Se a alimentação não acompanha essa necessidade, a vaca começa a utilizar as próprias reservas. Isso pode resultar em menor produção de leite, atraso no retorno ao cio e pior desempenho na estação de monta seguinte.

As novilhas de primeira cria merecem cuidado adicional, pois ainda estão em crescimento e podem perder espaço para vacas adultas na disputa por alimento.

Por isso, separar as matrizes por categoria e condição corporal permite direcionar a melhor alimentação aos animais mais vulneráveis.

Nem todo pasto disponível consegue alimentar o rebanho

Durante a estiagem, uma pastagem aparentemente coberta pode conter grande quantidade de colmos secos, folhas envelhecidas e material com baixo valor nutritivo.

Antes de escolher qualquer suplemento, o produtor precisa avaliar quanto alimento realmente existe e por quanto tempo ele conseguirá sustentar o rebanho.

Esse levantamento deve incluir pastagens, silagem, feno, capineiras e outras fontes de volumoso disponíveis na propriedade.

Também é importante considerar que o retorno das chuvas não representa recuperação imediata. O capim ainda precisa de tempo para rebrotar e voltar a suportar o pastejo.

Suplementação deve ser definida conforme a necessidade

Não existe uma única dieta adequada para todas as propriedades. A estratégia depende da quantidade de forragem, da qualidade do capim, da categoria animal e do objetivo produtivo.

Quando existe pasto em quantidade razoável, mas com baixa qualidade, a suplementação proteica pode melhorar o aproveitamento da forragem seca. Se também faltar volume, será necessário incluir alimentos como silagem, feno ou outras alternativas regionais.

O sal mineral continua importante, mas não substitui energia, proteína ou volumoso.

Misturas com ureia também exigem atenção. O fornecimento deve seguir formulação adequada, adaptação gradual e orientação técnica, pois o uso incorreto pode causar intoxicações.

Água e maternidade exigem atenção redobrada

Em muitos casos, a água se torna um problema antes mesmo do fim do pasto. Vacas em lactação apresentam consumo elevado, especialmente nos períodos mais quentes.

Por isso, é necessário verificar não apenas se há água nos bebedouros, mas também se a vazão consegue atender todos os animais nos horários de maior consumo.

As vacas próximas do parto devem permanecer em áreas de fácil observação, com acesso próximo à água, sombra e alimento.

O piquete-maternidade facilita a identificação de dificuldades durante o parto e permite acompanhar o bezerro nas primeiras horas, incluindo a ingestão do colostro e os cuidados com o umbigo.

Seca prolongada também pode comprometer o pasto

Manter mais animais do que a fazenda consegue alimentar acelera o rebaixamento das pastagens e dificulta a recuperação da área depois das primeiras chuvas.

Quando o capim é consumido além do limite, a planta perde área foliar, o solo fica exposto e aumenta o risco de degradação.

Em alguns casos, antecipar a venda de animais, descartar matrizes improdutivas ou retirar fêmeas vazias pode ser mais econômico do que sustentar todo o rebanho com alimentação emergencial.

Essa decisão preserva alimento para as vacas prenhes e reduz a pressão sobre os piquetes mais sensíveis.

Planejamento reduz o impacto da estiagem

As propriedades mais preparadas começam a enfrentar a seca antes que ela chegue. A produção de silagem, o armazenamento de feno, o uso de capineiras e o diferimento de pastagens ajudam a formar reservas para os meses de escassez.

A organização da estação de monta também pode aproximar os partos do período de maior disponibilidade de capim, reduzindo a necessidade de suplementação intensiva.

A seca prolongada não pode ser evitada pelo produtor, mas seus efeitos podem ser reduzidos com decisões antecipadas.

Conhecer o estoque de alimento, priorizar as matrizes mais exigentes, garantir água e ajustar a lotação são medidas que ajudam a proteger o rebanho e preservar a capacidade de recuperação das pastagens.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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