Em visita a São Paulo, chanceler italiano Antonio Tajani afirmou que o país trabalhará pela redução de barreiras ao comércio e sinalizou disposição para colaborar na busca de uma solução, desde que respeitadas as regras sanitárias da União Europeia.
A suspensão das importações europeias de produtos de origem animal do Brasil ganhou um novo componente diplomático. A Itália sinalizou disposição para ajudar o governo brasileiro na tentativa de superar o impasse, defendendo que a solução seja construída por meio do diálogo técnico e diplomático, sem uma escalada política.
A manifestação partiu do vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, durante visita oficial a São Paulo nesta quarta-feira (9). O posicionamento ocorre poucos dias depois da entrada em vigor das novas restrições europeias e abre uma frente importante dentro do próprio bloco para a discussão do problema.
O assunto foi noticiado pelo Estadão Conteúdo. Segundo a publicação, Tajani afirmou que a Itália pretende trabalhar pela eliminação de barreiras “extra-aduaneiras” e pela facilitação do comércio.
Itália sinaliza disposição para ajudar o Brasil
Ao comentar diretamente o bloqueio, Tajani reconheceu que diferenças nas exigências sanitárias podem criar obstáculos às relações comerciais. Ainda assim, indicou que o governo italiano está disposto a contribuir para que as divergências sejam superadas.
“Os problemas se resolvem com o diálogo. Estamos aqui para dialogar”, afirmou o chanceler, conforme declaração reproduzida pelo Estadão Conteúdo.
Tajani foi além e sinalizou que a Itália poderá atuar como uma espécie de facilitadora nas negociações brasileiras com a União Europeia, embora tenha deixado claro que qualquer solução precisará respeitar o marco regulatório europeu.
“Se pudermos dar uma mão ao Brasil, o faremos sempre respeitando as regras europeias”, declarou.
A fala ocorreu antes de um encontro na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e ganha relevância justamente porque parte de um dos principais integrantes da União Europeia.
Missão italiana reforça aproximação com o Brasil
O posicionamento não acontece isoladamente. Tajani chegou ao Brasil liderando uma delegação de mais de 100 empresas italianas, depois de uma passagem pela Argentina. O próprio Ministério das Relações Exteriores da Itália confirmou que o Brasil está entre os mercados considerados prioritários no Plano de Ação para as Exportações do país.
A agenda italiana prevê justamente o fortalecimento das relações econômicas, a ampliação dos investimentos e o aproveitamento das oportunidades abertas pela aproximação entre Mercosul e União Europeia.
Segundo o governo italiano, o Brasil é o principal parceiro comercial da Itália na América do Sul e responde por 76,6% das exportações italianas destinadas ao Mercosul.
Durante a visita, Tajani também anunciou a criação de um grupo de trabalho entre Brasil e Itália para impulsionar o comércio bilateral, com previsão de reuniões anuais.
Esse contexto torna especialmente relevante a disposição italiana de participar da discussão envolvendo os produtos brasileiros.
Bloqueio europeu continua em vigor
Apesar da sinalização política da Itália, a restrição europeia não foi retirada. O bloqueio às importações brasileiras permanece em vigor e está relacionado às exigências sanitárias europeias envolvendo sistemas de controle e o uso de antimicrobianos na produção animal.
Isso significa que a manifestação italiana, por enquanto, não representa uma reabertura do mercado europeu, mas pode ser interpretada como uma disposição de um país-membro relevante em trabalhar diplomaticamente para encontrar uma saída dentro das próprias normas da União Europeia.
Para o Brasil, a discussão vai além da carne bovina. O episódio coloca novamente em evidência temas como rastreabilidade, controle sanitário, protocolos de produção e equivalência das garantias oferecidas aos compradores internacionais.
Sinal político importante para o Brasil
A movimentação italiana ocorre em um momento particularmente sensível para o comércio entre Brasil e Europa. Ao mesmo tempo em que o bloco europeu endurece exigências sanitárias, Itália e Brasil tentam aprofundar suas relações econômicas e aproveitar as oportunidades comerciais proporcionadas pelo acordo entre Mercosul e União Europeia.
Em artigo publicado durante a visita, Tajani destacou que o acordo cria para as empresas um espaço econômico com mais de 700 milhões de consumidores e defendeu uma relação econômica ainda mais próxima entre os dois países.
Assim, a posição italiana não elimina o obstáculo enfrentado pela carne brasileira, mas abre uma possibilidade de interlocução política dentro da União Europeia. Para o setor brasileiro, o próximo passo será acompanhar se essa disposição será convertida em negociações técnicas capazes de atender às exigências europeias e permitir a retomada do comércio.
Fonte: Ministério das Relações Exteriores e da Cooperação Internacional da Itália; declarações de Antonio Tajani à imprensa; Estadão Conteúdo.
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