JBS concede férias coletivas e quer ‘ditar’ o preço da arroba

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A JBS está concedendo férias coletivas em diversas plantas pelo país, principalmente aquelas que operam apenas mercado interno; Pecuaristas dizem que é ‘manobra para ditar o preço da arroba’. Confira!

Segundo as informações divulgadas, a JBS, maior produtora de carne bovina do mundo, vem concedendo férias coletas em diversas plantas pelo Brasil. A empresa, que possui grande influência na composição dos preços da arroba pelo país, utiliza da medida para conter o estrangulamento das margens de lucro, já que o mercado interno segue fragilizado e com consumo abaixo do esperado para o período do ano.

Segundo a Nota Pública, divulgada pela Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), essas medidas causam grandes prejuízos e instabilidades para os pecuaristas. “Essa situação tem promovido transtornos e prejuízos incalculáveis aos produtores, principalmente os registrados nos últimos dias quando, coincidentemente, os frigoríficos promoveram quase que simultaneamente a extensão de suas escalas, baixando os valores da arroba do boi“.

Essa não é a primeira vez que a empresa utiliza dessa estratégia de mercado, assim como outras marcas também o fazem. Quando se deparam com estoques cheios, escalas alongadas e consumo decrescente, é comum que se conceda férias coletivas, afim de reduzir os custos operacionais de forma a equalizar a demanda e oferta no mercado. Cabe aqui ressaltar que, o mercado interno, é responsável por mais de 65% do consumo da carne bovina produzida pelo país.

Segundo informações não oficiais, obtidas pela nossa equipe com pessoas ligadas a indústria, as unidades que estão com férias coletivas e ou realizando remanejamento de abates, são:

  • JBS Nova Andradina,
  • JBS Tucumã,
  • JBS Redenção,
  • JBS Colíder,
  • JBS Pontes e Lacerda e
  • JBS Alta floresta

A justificativa das indústrias neste momento, é a dificuldade no escoamento da carne bovina no mercado interno. Com estoques em níveis elevados, os frigoríficos aguardam uma mudança no movimento com a chegada do Dia dos Pais, para poder se reorganizar. Além disso, grandes indústrias estão dizendo que, se continuar operando da forma como está, o prejuízo será maior.

A Acrimat, ainda manifestou sua preocupação com o atual momento pelo qual passa a pecuária mato-grossense, “principalmente em relação ao abate feito pelos grandes frigoríficos. Estes vêm rotineiramente alongando suas escalas, determinando férias coletivas e até o fechamento de muitas plantas, sendo várias delas únicas em suas regiões“.

Sabemos da situação econômica pela qual passa a população brasileira, com perda de poder aquisitivo, mas acreditamos que muitas ações podem ser realizadas, inclusive pelo Governo de Mato Grosso, por meio da redução temporária das alíquotas do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias (ICMS)“, finaliza a Nota emitida pela Associação.

Para se ter uma ideia do prejuízo no campo, os animais com destino ao mercado interno, com escalas confortáveis e dificuldades para escoar a carne no mercado doméstico, as cotações das fêmeas caíram R$2,00/@. Para machos que atendem ao mercado interno, os preços permaneceram estáveis.

O boi gordo está sendo negociado por R$304,00/@, a vaca gorda por R$278,00/@ e a novilha gorda por R$295,00/@, preços brutos e a prazo.

A Acrimat está acompanhando essas ações e à disposição para discutir quaisquer sugestões para a melhoria de toda a cadeia produtiva da carne.

Frigoríficos com “curral cheio”

Atualmente, segundo a Agrobrazil, o mercado do boi gordo convive com uma escala de abate de 10 dias úteis na média Brasil. Ainda segundo os dados divulgados nesta terça-feira, o mercado paulista, praça pecuária que serve como referência para as demais, segue com escalas completas para os próximos 12 dias úteis.

concurso de carcacas angus frigorifico
Foto: Fábio Medeiros

De acordo com o analista de Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, muitas indústrias permanecem ausentes da compra de gado, avaliando as melhores estratégias para aquisição de boiadas no curto prazo. As escalas de abate seguem bastante confortáveis, e oferecem tranquilidade à indústria frigorífica neste momento.

“A incidência de contratos a termo torna a programação ainda mais tranquila entre os frigoríficos de maior porte. Ele indica ainda que férias coletivas de determinados frigoríficos é um elemento importante a ser considerado no curto prazo, o que pode resultar em aumento da pressão de queda”, diz Iglesias.

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