De “Casa de Carnes” ao Império mundial de proteína animal

PARTILHAR
Foto Divulgação

Com as iniciais do seu fundador, José Batista Sobrinho, a JBS, iniciou as operações em uma pequena planta com capacidade de processamento de cinco cabeças de gado por dia.

Poucas pessoas sabem qual o significado do nome da empresa JBS. Para explicado a história, vamos começar desmistificando o nome que leva as iniciais de seu criador José Batista Sobrinho e, pasmem, iniciou sua produção alimentícia em 1953, sob o nome de Casa de Carnes Mineira, na cidade de Anápolis, em Goiás. Em pouco tempo, porém, Zé Mineiro — apelido carinhoso de Batista — percebeu que as oportunidades de crescimento estavam brotando na vizinhança.

Acredite, a maior produtora de carne bovina do mundo, considerada uma das maiores empresas de alimento do mundo, iniciou tudo e uma pequena planta com capacidade de processamento de cinco cabeças de gado por dia, a Casa de Carnes Mineira.

Com quase 70 anos de história, a JBS S.A. é uma multinacional de origem brasileira, reconhecida como uma das líderes globais da indústria de alimentos. Com sede na cidade de São Paulo, a Companhia está presente em mais de 20 países.

Início de um Império da carne no mundo

Aproveitando o grande número de empreiteiras que se encaminhavam para Brasília, na época de sua criação, Zé Mineiro começou a travar laços estreitos com os responsáveis por levantar a mais nova capital federal do país.

Foi fornecendo carne para essas construtoras que o empreendedor foi capaz de erguer a base perfeita para iniciar seu processo de internacionalização — bastava apenas um pequeno empurrão para deslanchar o plano. Já em 1968, veio então a aquisição da primeira planta de abate em Planaltina (DF).

A evolução então teve início e, já em 1970, a segunda planta de abate é incorporada à Companhia, aumentando a capacidade para 500 cabeças de gado por dia. Segundo a empresa, até 2011, a JBS expandiu significativamente as operações no setor de carne bovina nopaís. Por aquisições e investimento nas unidades já existentes, a companhia alcançou a capacidade de abate diária de 5,8 mil cabeças.

Avançando no projeto de se tornar uma grande empresa do setor, a marca cresceu e, entre 2001 e 2006, o grupo passou a operar 21 plantas no Brasil e cinco na Argentina e aumenta sua capacidade de abate para 19,9 mil cabeças por dia. Em 2005, a companhia adquire 100% do capital social da Swift-Armour, maior produtora e exportadora de carne bovina na Argentina.

Zé Mineiro, fundador da Friboi, com os filhos Joesley e Wesley (Foto: JBS/Divulgação)

IPO da JBS S.A. e entrada no mercado dos EUA

A JBS tornou-se a primeira no setor frigorífico a abrir seu capital na bolsa de valores. A injeção de capital, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) iniciou um processo de compras acionárias dentro da empresa que o tornou, em pouco tempo, dono de 13% da companhia. Foram pouco mais de um bilhão de reais colocados na empresa, o que viabilizou a grande compra da Swift norte americana.

Ao longo dos dois anos seguinte, o BNDES ainda colocaria 8,3 bilhões de reais na companhia através da compra acionária, mesmo período em que a JBS expandiu seus negócios para a Austrália e para o segmento aviário dos Estados Unidos.

JBS expande seus negócios no exterior e consolida sua liderança na indústria da carne

A Companhia adquire a Tasman Group na Austrália, a Smithfield Beef, divisão de bovinos da Smithfield Foods nos EUA, e os confinamentos da Five Rivers, com capacidade para terminar 2 milhões de animais por ano, confinamentos que não fazem mais parte do portifólio da empresa, após ter sido negociado em uma iniciativa de desinvestimento em 2018.

JBS (JBSS3) pode voltar a debater a sua listagem de ações nos EUA, mas sem as operações brasileiras. Lembre-se que, em 2016, a empresa chegou anunciar que a JBS Foods International NV entrou com um pedido de oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse). 

Como a empresa possui capital aberto, não existe um dono único, já que ela é comandada por um Conselho. Entretanto, quem possui o maior número de ações e, com isso, são popularmente conhecidos como os “donos da JBS”, são os irmãos Batistas, Joesley Batista e Wesley Batista.

Mas, afinal de contas, quantas unidades de confinamento a JBS possuí em todo o mundo?

Pois bem, de acordo com os dados divulgados pela empresa, ao todo, são cerca de 17 unidades de confinamento, que estão espalhadas pelo Brasil, EUA, Canadá e Austrália, países esses que são considerados os maiores produtores de carne bovina!

Cenário atual

Atualmente, a JBS possui mais de 400 unidades no mundo, sendo mais de 230 diretamente relacionadas à produção de carnes e produtos de maior valor agregado e conveniência. A Companhia conta com mais de 240 mil colaboradores e com capacidade para processar, por dia, mais de 75 mil bovinos, em torno de 14 milhões de aves, 115 mil suínos e 60 mil peças de couro.

Além disso, a JBS possui um diversificado portfólio de produtos, com dezenas de marcas reconhecidas no Brasil e no exterior, como Swift, Friboi, Seara, Maturatta, Plumrose, Pilgrim’s Pride, Just Bare, Gold’nPlump, Gold Kist Farms, Pierce, 1855, Primo e Beehive. Essa variedade de produtos e a presença em 15 países em cinco continentes (entre plataformas de produção e escritórios), atendem cerca de 275 mil clientes em mais de 190 nações ao redor do mundo.

O pequeno açougue criado em Anápolis em 1953 deu início ao negócio no ramo de carnes, No final da década de 60, Zé Mineiro montou o primeiro frigorífico com selo do SIF, na época ainda não era exigido o selo (Foto: Reprodução/Youtube)

Além da JBS, os donos da maior parte da empresa, Wesley e Joesley Batista, também fundaram a J&F investimentos. A holding possui controle não só sobre a JBS, mas também sobre a Vigor, a Flora (empresa de higiene que tem marcas como a Minuano), a Eldorado Brasil (de papel e celulose), o Canal Rural e o Banco Original.

A aquisição de todas as unidades foi norteada pela estratégia de se instalar nas regiões com maior concentração de matéria prima visando a flexibilidade operacional de produção, redução de custos de transporte da matéria prima e do produto final, bem como redução de riscos fitossanitários.

A localização estratégica das plantas é um dos fatores que colocam a JBS em posição de vantagem no mercado, apresentando uma estrutura de produção com custos reduzidos e eficiência operacional.

Todo o conteúdo áudio visual do CompreRural está protegido pela legislação brasileira sobre direito autoral, sua reprodução é permitida desde que citado a fonte e com aviso prévio através do e-mail jornalismo@comprerural.com