Unidade de Catalão, em Goiás, concentrará a fabricação dos equipamentos a partir do ano fiscal de 2029. Mudança envolve linha industrial localizada na Louisiana, nos Estados Unidos.
A John Deere decidiu transferir para o Brasil a produção de colhedoras de cana-de-açúcar atualmente realizada nos Estados Unidos. A mudança foi anunciada em 4 de novembro de 2026 e prevê que a fábrica de Catalão, em Goiás, passe a concentrar a fabricação global desses equipamentos a partir do ano fiscal de 2029. A decisão amplia a responsabilidade da unidade brasileira dentro da estrutura industrial da multinacional.
Atualmente, a instalação norte-americana de Thibodaux, na Louisiana, fabrica aproximadamente 35 colhedoras por ano destinadas ao mercado dos Estados Unidos. Com a transferência, essa produção será incorporada à operação goiana, que já fabrica máquinas voltadas ao setor sucroenergético. Segundo a companhia, o objetivo é reunir as operações industriais em um único local e aproximar a fabricação dos mercados com maior concentração de demanda na América do Sul.
Por que a John Deere escolheu o Brasil?
A decisão está diretamente relacionada à estrutura industrial que a fabricante mantém em Goiás e à importância da cana-de-açúcar para a agricultura sul-americana.
A unidade de Catalão já produz as colhedoras das séries CH7 e CH9, além de pulverizadores das linhas M e 400R. A integração dos demais modelos permitirá que a empresa concentre processos produtivos que atualmente estão distribuídos entre Brasil e Estados Unidos.
O movimento também reforça o papel da indústria brasileira na fabricação de máquinas agrícolas especializadas. Em vez de instalar uma nova operação, a companhia utilizará uma fábrica com experiência no desenvolvimento e na montagem de equipamentos destinados à colheita mecanizada.
Fábrica de Catalão já recebeu anúncio de investimento de R$ 700 milhões
A presença da John Deere nesse segmento começou a ganhar força no Brasil em 1998, quando a companhia assumiu o controle da Cameco Industries. A instalação industrial de Catalão foi inaugurada no ano seguinte e passou a integrar oficialmente a estrutura da John Deere em 2002.
Desde então, a fábrica recebeu novas tecnologias e ampliou seu portfólio. Em 2020, iniciou a fabricação da CH950, equipamento capaz de realizar a colheita simultânea de duas linhas de cana-de-açúcar.
Mais recentemente, a companhia anunciou um investimento de R$ 700 milhões na expansão da fábrica de Catalão, em abril de 2024.
O projeto previa ampliar a estrutura industrial em mais de 20 mil metros quadrados e gerar aproximadamente 400 empregos em cinco anos, sendo 100 diretos e 300 indiretos. Parte dos recursos foi destinada à nacionalização da tecnologia de pulverização inteligente See & Spray.
Entretanto, a fabricante não informou se a transferência das colhedoras norte-americanas exigirá novos investimentos nem quantos empregos adicionais poderão ser criados.
O que muda para o mercado de colhedoras de cana?
A centralização poderá modificar a logística de fabricação e distribuição dos equipamentos, especialmente para atender aos mercados internacionais.
Para o Brasil, a possibilidade de reunir toda a linha em Catalão representa uma oportunidade de ampliar a participação da indústria nacional na cadeia global de máquinas agrícolas.
Entretanto, a transferência não significa redução automática no preço das colhedoras. Os custos de produção, a origem dos componentes, as despesas de transporte e as condições comerciais continuarão influenciando os valores praticados.
A reorganização também acontece em um período de renovação tecnológica no campo. Novas soluções buscam aumentar a capacidade operacional, reduzir perdas e melhorar o gerenciamento das máquinas durante a safra.
Entre as frentes em desenvolvimento estão tecnologias voltadas à substituição do diesel por etanol em máquinas agrícolas, alternativa estudada por empresas do setor para diminuir a dependência de combustíveis fósseis.
Produção brasileira de cana pode chegar a 705 milhões de toneladas
O anúncio ocorre em um país que mantém uma das maiores cadeias sucroenergéticas do mundo.
Segundo o segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado em agosto de 2026, a produção brasileira de cana-de-açúcar na safra 2026/27 está estimada em 705,2 milhões de toneladas, crescimento projetado de 4,7% em relação ao ciclo anterior.
A área destinada à colheita foi estimada em 9,1 milhões de hectares, com destaque para o Sudeste e o Centro-Oeste.
Essa dimensão produtiva ajuda a explicar a importância de equipamentos capazes de operar durante longas jornadas de colheita. Para usinas e fornecedores, eficiência operacional, consumo de combustível, manutenção e disponibilidade das máquinas são fatores decisivos na gestão dos custos.
O setor também acompanha a evolução das tecnologias embarcadas nas colhedoras, incluindo sistemas de monitoramento e automação que permitem acompanhar o desempenho dos equipamentos.
A própria fabricante já apresentou avanços em modelos como a colhedora CH950, desenvolvida para trabalhar em duas linhas de cana.
Fábrica dos Estados Unidos continuará operando
Apesar da transferência das colhedoras, a unidade de Thibodaux não será encerrada por causa dessa mudança.
A John Deere informou que a instalação receberá a produção dos pulverizadores Hagie STS a partir do ano fiscal de 2028, em outra etapa de sua reorganização industrial.
O plano também envolve alterações em fábricas norte-americanas localizadas em Iowa, com transferência de linhas de equipamentos e encerramento previsto de determinadas operações.
No caso das colhedoras de cana, ainda não foram divulgados o volume total que será fabricado em Catalão após 2029, a capacidade adicional necessária ou eventuais mudanças na rede de fornecedores.
Essas informações deverão esclarecer a dimensão econômica da transferência para Goiás.
A principal mudança já anunciada é a concentração da fabricação global das colhedoras de cana da John Deere no Brasil, colocando Catalão no centro de uma cadeia industrial que atende produtores de diferentes mercados.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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