Departamento de Justiça amplia apuração para oito grandes varejistas e passa a analisar preços, margens e compras de carne em meio à escalada dos valores pagos pelos consumidores
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) ampliou a investigação sobre os preços da carne bovina e colocou oito dos maiores varejistas do país sob análise. Entre as empresas estão Walmart, Costco e Amazon, além de Kroger, Publix, Albertsons, Aldi e Ahold Delhaize USA. A informação divulgada inicialmente pelo Portal DBO foi confirmada por fontes norte-americanas.
O procurador-geral adjunto Stanley Woodward enviou cartas às companhias solicitando informações relacionadas aos recentes aumentos nos preços da carne bovina no varejo. A apuração pretende entender o comportamento dos preços ao longo da cadeia e identificar possíveis problemas concorrenciais.
Segundo informações obtidas sobre as solicitações do DOJ, os investigadores querem dados referentes a vendas e preços no varejo, compras no atacado, custos, margens de lucro e estratégias de formação de preços e aquisição de carne bovina, abrangendo mudanças ocorridas entre 2020 e 2026.
Investigação começou pelos grandes frigoríficos
A ampliação leva a investigação do setor frigorífico até as prateleiras dos supermercados. O governo norte-americano já vinha analisando a elevada concentração da indústria de processamento de carne bovina.
O foco inclui as chamadas “Big Four” — JBS, Cargill, Tyson Foods e National Beef —, responsáveis por mais de 85% do processamento de carne bovina nos Estados Unidos, segundo dados citados pelo próprio governo norte-americano. A Casa Branca já havia determinado investigação sobre possíveis práticas de conluio, fixação e manipulação de preços no setor.
A pressão aumentou diante da forte valorização da carne bovina nos EUA. Paralelamente às investigações concorrenciais, o governo Donald Trump vem tentando ampliar a oferta. Em agosto, a Casa Branca autorizou temporariamente uma cota adicional de 300 mil toneladas de aparas magras de carne bovina, distribuída em três lotes de 100 mil toneladas entre setembro e novembro.
Segundo a própria Casa Branca, a produção norte-americana de carne bovina deverá recuar cerca de 4% em 2026, enquanto o rebanho do país permanece próximo dos menores níveis das últimas décadas. Esse cenário ajuda a explicar parte da pressão sobre os preços, mas não interrompeu a investigação sobre possíveis distorções ao longo da cadeia.
Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias.