La Niña causa estragos milionários no Brasil, veja!

La Niña causa estragos milionários no Brasil, veja!

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Foto Ilustrativa

Pecuarista teve que abater vaca leiteira por falta de alimento, enquanto no Centro-Oeste jacarés agonizam por falta de água e, no Rio Grande do Sul, a safra de milho deve ter quebra de 80%.

O produtor rural brasileiro deverá enfrentar nos próximos meses todas as anomalias comuns em anos de La Niña. Isso porque a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (Noaa) confirmou que o fenômeno deve ser um dos mais fortes dos últimos 20 anos, o que deve causar mudanças na frequência das chuvas até o mês de março de 2021.

Como de praxe, o fenômeno leva chuvas mais significativas ao Matopiba e atrasa as precipitações no Centro-Oeste, além de submeter a região Sul, principalmente o Rio Grande do Sul, à estiagem severa, o que já está acontecendo.

Como essas regiões já sofreram com déficit hídrico desde o fim de 2019, a situação pode se agravar em algumas localidades, como no Pantanal. O bioma sofreu com queimadas violentas nos últimos meses e na região de Nhecolândia, produtores relatam falta de água. Em vídeo que circula nas redes sociais, um produtor rural mostra uma cena impressionante: dezenas de jacarés se amontando em um açude quase seco. A poucos metros, o gado muge de fome:

Segundo o pantaneiro, que não se identifica no vídeo, tratava-se do último açude da fazenda Palmeirinha. “Está preocupante aqui. Estamos aguardando, mas nada da chuva. Deus sabe o que faz”, diz o produtor, com a voz embargada pela situação.

Desespero no Sul

Se as chuvas estão irregulares no Centro-Oeste, a situação se mostra ainda mais desoladora em algumas regiões do Sul do Brasil em decorrência do La Niña. Em Chapecó (SC), o produtor de leite Jaisson Tirone contou que precisou abater parte de seu rebanho de vacas leiteiras por causa da falta de pastagem e preço elevado das rações. Por conta destes fatores, ele já contabiliza mais de R$ 800 mil em prejuízos.

Dos 125 animais, 15 já foram ser abatidos e, de acordo com Tirone, na próxima semana esse número deve aumentar para 45. “Por conta da chuva, não houve produção de silagem e a ração precisa ser encomendada de fora, mas o preço é muito alto, cerca de R$ 400 a saca.”

Ainda segundo ele, na região existem cerca de mil produtores e 980 já contabilizam prejuízos por causa seca. “Há 30 anos estou nesta profissão, é uma atividade de família, mas é a primeira vez que precisei tomar essas medidas. Agora, o que nos resta é tentar manter o que sobrou e seguir em frente”, lamenta.

Também no oeste de Santa Catarina, o produtor Jair Trizotto registra perdas. Segundo ele, 18 vacas foram abatidas em função da dificuldade de encontrar alimentos destinados aos animais. “Nos próximos dias, se a chuva não chegar, vamos abater ainda mais animais. Está difícil encontrar os insumos, principalmente farelo de soja e silagem”, afirma ele.

Trizotto, que também cultiva milho,  já mensura danos ao fim da safra. “Os pés do grão não se desenvolveram. Nesta época do ano, o normal é ter cerca de 2 metros, mas não chegou nem mesmo em meio [metro]. Com isso, já estamos estimando uma perda de 80% em nossa produtividade.”

Vai faltar milho?

A estiagem no último trimestre de 2019 e agora no último semestre de 2020, já sobe os efeitos do La Niña, tem complicado a vida do produtor rural do Rio Grande do Sul. 

Regiões que representam 90% da produção de milho no Rio Grande do Sul e incluem as porções norte e nordeste do estado podem ter uma quebra de até 80% por conta da estiagem. “Sem contar as lavouras que possuem alguma irrigação, as outras já foram embora, mesmo se chover não tem o que fazer”, afirma Valdecir Folador, presidente da Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul. 

Segundo o meteorologista da Somar, Celso Oliveira, quando o quando o milho perde o potencial de produção ele não reverte com a volta da chuva. Para a soja, que ainda está no início da instalação, quem perdeu pode tentar o replantio. “Vai dar para aproveitar a chuva que vai acontecer na semana que vem para a soja, só que o produtor tem que levar em consideração que estamos com o fenômeno La Niña atuando, então a recomendação é usar sementes de ciclos mais longos ou médios que aguentam mais a irregularidade das pancadas na fase de desenvolvimento vegetativa”, diz Celso Oliveira.

Segundo o meteorologista da Somar, Celso Oliveira, quando o quando o milho perde o potencial de produção ele não reverte com a volta da chuva. Para a soja, que ainda está no início da instalação, quem perdeu pode tentar o replantio. “Vai dar para aproveitar a chuva que vai acontecer na semana que vem para a soja, só que o produtor tem que levar em consideração que estamos com o fenômeno La Niña atuando, então a recomendação é usar sementes de ciclos mais longos ou médios que aguentam mais a irregularidade das pancadas na fase de desenvolvimento vegetativa”, diz Celso Oliveira.

Que La Niña é esse?

Segundo o Noaa, o fenômeno deste ano é de forte intensidade e caracterizado pelo resfriamento do oceano pacífico equatorial, que registra uma anomalia negativa de aproximadamente 1,5 °C.

“Não será um La Niña duradouro, já que até o início do outono ele deve ir embora. No entanto, segundo meteorologistas, estamos chegando ao ápice do fenômeno nesse fim da primavera e início do verão e é por isso que estamos registrando esses problemas tanto no Centro-Oeste como na região Sul”, disse Pryscilla Paiva.

Com isso, regiões que já sofrem com déficit hídrico há mais de três meses devem enfrentar o pior momento nas próximas semanas. No entanto, mesmo com a volta da chuva, a situação ainda não será favorável.

“O Rio Grande do Sul e áreas do Mato Grosso do Sul terão áreas com chuva muito abaixo do normal em dezembro e, em janeiro, as chuvas começam a entrar dentro da média história. Mas isso não é motivo para comemoração absoluta, pois o estresse hídrico em algumas localidades foi tão grande que mesmo com o retorno das chuvas a situação continuará ruim”, explicou.

Com informações do Canal Rural

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