Medidas foram adotadas após a identificação de um foco da doença de Newcastle em uma criação comercial de perus no Oeste catarinense; México também suspendeu as importações de produtos avícolas de todo o país.
O mercado brasileiro de carne de frango enfrenta novas restrições internacionais após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma criação comercial de perus em Nova Itaberaba, no Oeste de Santa Catarina. Nesta quarta-feira (21), a Malásia suspendeu as importações de produtos avícolas de todo o território nacional, enquanto a Arábia Saudita decidiu limitar as restrições aos produtos provenientes de Santa Catarina. As medidas ampliam os desafios para o setor exportador brasileiro, que busca preservar o acesso aos principais mercados compradores.
A decisão malaia segue o movimento iniciado pelo México, que também suspendeu as importações de produtos avícolas brasileiros após a confirmação da ocorrência sanitária. Em contrapartida, outros parceiros comerciais optaram por restringir as compras apenas de produtos provenientes do estado onde o foco foi identificado, reduzindo o alcance das medidas sobre a cadeia produtiva nacional.
A China, principal compradora de carne de frango do Brasil, já havia anunciado a suspensão das importações provenientes de Santa Catarina. O Chile também adotou restrições direcionadas ao estado. A diferenciação entre os embargos é importante para o setor, pois permite que unidades produtoras de outras regiões continuem atendendo determinados mercados internacionais.
Foco sanitário mobiliza autoridades brasileiras
A ocorrência foi identificada em uma criação comercial de perus localizada em Nova Itaberaba, município do Oeste catarinense. O caso foi confirmado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que determinou a adoção de medidas de controle sanitário, incluindo a interdição do estabelecimento e a suspensão da movimentação de aves.
Segundo informações divulgadas pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a detecção ocorreu durante procedimentos de vigilância sanitária. Os exames identificaram material genético do vírus da doença de Newcastle em aves que, segundo as informações apresentadas pela entidade, não manifestavam sinais clínicos da enfermidade.
Após a confirmação, as autoridades iniciaram ações para conter a ocorrência e reforçaram o monitoramento epidemiológico na região. O trabalho envolve o acompanhamento de propriedades próximas ao estabelecimento afetado, além da aplicação de medidas previstas nos protocolos sanitários brasileiros.
O Ministério da Agricultura também mantém contato com as autoridades dos países importadores para apresentar informações técnicas sobre o caso e as providências adotadas. A estratégia busca demonstrar a capacidade de resposta do sistema sanitário brasileiro e viabilizar a retomada das exportações conforme as exigências de cada parceiro comercial.
Restrições têm impactos diferentes sobre as exportações
A abrangência dos embargos é um dos principais fatores para determinar os possíveis efeitos econômicos sobre a avicultura brasileira. Quando as restrições atingem todo o país, como ocorreu nas decisões do México e da Malásia, os exportadores enfrentam limitações mais amplas para comercializar produtos nos respectivos mercados.
Já as medidas regionalizadas permitem preservar parte das operações comerciais, desde que os estabelecimentos e produtos atendam às exigências sanitárias aplicáveis. No caso da China, a limitação das restrições a Santa Catarina foi considerada relevante para evitar que o episódio comprometesse as exportações provenientes de outras unidades da Federação.
O estado catarinense possui participação expressiva no comércio exterior de carne de frango e está entre os principais polos produtores e exportadores do país. Por isso, mesmo as restrições limitadas à região podem gerar impactos sobre empresas com unidades exportadoras instaladas no estado.
Caso os embargos sejam prolongados, frigoríficos poderão precisar redirecionar embarques para outros destinos ou ampliar a oferta no mercado interno. Esse movimento pode pressionar os preços e as margens das empresas, dependendo do volume afetado, da duração das medidas e da capacidade de absorção dos mercados alternativos.
Por outro lado, a adoção de restrições localizadas por parte de alguns compradores pode reduzir os efeitos sobre o comércio nacional. A duração dos embargos e a velocidade das negociações diplomáticas e sanitárias serão determinantes para avaliar a dimensão dos prejuízos.
Doença de Newcastle e segurança alimentar
A doença de Newcastle é uma enfermidade viral contagiosa que afeta aves domésticas e silvestres. Dependendo da variante do vírus e das condições da ocorrência, pode provocar manifestações respiratórias, digestivas e neurológicas, além de mortalidade elevada nos plantéis.
A doença representa uma preocupação sanitária para a produção avícola e para o comércio internacional, uma vez que os países importadores adotam protocolos específicos para proteger seus próprios rebanhos e atender às exigências de sanidade animal.
Em seres humanos, a infecção é rara e geralmente está associada ao contato direto com aves infectadas ou com suas secreções, podendo provocar conjuntivite temporária. O consumo de carne de frango e de outros produtos avícolas submetidos à inspeção sanitária oficial não é considerado uma via de transmissão da doença.
Diante do episódio em Santa Catarina, o acompanhamento das medidas de contenção e a negociação com os parceiros comerciais serão fundamentais para preservar a competitividade da avicultura brasileira. A manutenção de mercados que aceitam restrições regionalizadas poderá ajudar a limitar os impactos, enquanto o setor aguarda a evolução da situação sanitária e a revisão das decisões internacionais.
VEJA TAMBÉM:
- Novo ciclone pode se formar na costa do Sul e trazer temporais com granizo
- USDA: colheita de milho nos EUA alcança 44% e a de soja atinge 64%
- China suspende importações de frango de Santa Catarina após foco de Newcastle; embargo nacional é evitado
ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias
Não é permitida a cópia integral do conteúdo acima. A reprodução parcial é autorizada apenas na forma de citação e com link para o conteúdo na íntegra. Plágio é crime de acordo com a Lei 9610/98.