Margem do frigorífico no topo e pecuarista no poço

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Foto: Gilson Paulo Costa

Com a queda da cotação da arroba do boi gordo, as margens das indústrias frigoríficas melhoraram, atingindo recordes. Pecuarista continua a pagar a conta!

Depois de mais de 60 dias de queda ininterrupta, os preços do boi gordo parecem ter achado um piso e a indústria passou a ter dificuldades em impor novos recuos. Nesse período os preços recuaram de ao redor de R$ 315/@ para a mínima de R$ 255/@ em São Paulo, uma queda de quase 20% que causou enormes estragos aos pecuaristas do Brasil todo. A boa notícia é que aparentemente as cotações acharam um piso e o fluxo de oferta na faixa inferior dos preços tem diminuído dia a dia.

Depois de um movimento tão prolongado de queda já era esperado que as cotações iriam achar suporte em algum nível de preço e aparentemente esse nível foi dado pelas ótimas margens das indústrias no mercado interno que estão atualmente em linha com os melhores momentos da história para os frigoríficos.

Observem no gráfico abaixo que mostra a relação entre o valor apurado pela venda da carne com osso no atacado e o preço pago pela @, quanto mais acima de 0 é o resultado, mais positiva é a operação para a indústria.

Depois do recorde de exportações em setembro, o volume embarcado em outubro sentiu o efeito da ausência da China e despencou, totalizando apenas 82 mil toneladas, uma queda de 56% frente ao mês anterior e 50% frente a out20, deixando as margens da indústria ainda dependente do mercado interno.

A margem das indústrias nas máximas é um ótimo indicativo de que os preços do boi gordo caíram demais e estão excessivamente baratos, porém ela sozinha não conseguirá reverter essa tendência e jogar os preços para cima novamente.

Será necessário além disso que as indústrias voltem a sentir a dificuldade no preenchimento das escalas e que a famosa “caixa de ferramentas” esteja vazia. O mercado ter parado de cair já é um primeiro passo nesse sentido, no seu devido tempo os outros fatores acontecerão e o mercado voltará a ganhar sustentação. Com China ou sem China.

Ressaltamos, no entanto, que margem não é lucro, pois não levam em conta os custos de produção das indústrias. Veja o card divulgado hoje pela Scot Consultoria.

Mercado aquecido e preços subindo

A oferta de boiadas terminadas está minguando nas praças paulistas, o que forçou os compradores a ofertarem mais pela arroba do boi gordo na manhã desta quinta-feira (4/11). As escalas estão diminuindo, comparadas aos momentos em que atendiam cerca de 8-10 dias há algumas semanas, e hoje atendem, em média, 5 dias. 

A cotação do boi gordo subiu R$1,00/@ na comparação diária, negociado em R$263,00/@, preço bruto e a prazo, enquanto a cotação da vaca e novilha gordas ficou estável, negociadas em R$250,00/@ e R$258,00/@, respectivamente, nas mesmas condições, apontou a Scot Consultoria em seu boletim diário.

Em São Paulo, o valor médio para o animal terminado apresentou uma média geral a R$ 267,97/@, na quinta-feira (04/11), conforme dados informados no aplicativo da Agrobrazil. Já a praça de Goiás teve média de R$ 244,76/@, seguido por Mato Grosso Sul com valor de R$ 268,60@.

Ainda segundo o app, o preço em São Paulo já varia de R$ 261,00 a R$ 275,00. Segundo os pecuaristas de São Paulo, mais precisamente na praça de Presidente Bernardes, a Montalfrig, pagou R$ 285,00/@ à vista e com abate para o dia 07 de novembro, mostrando que as escalas estão apertadas na região.

Será que a arroba volta a se estabelecer em patamares superiores aos negociados no mês de outubro, seguindo a tendência histórica? Aguardemos as cenas do próximo capítulo e, por hora, é preciso manter a cautela e observar a movimentação do mercado!

Com informações da Radar Investimento e Scot Consultoria

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