Considerado um dos cowboys mais completos da história, Phil Lyne foi campeão mundial em três categorias, brilhou na montaria em touros e nas provas de laço e construiu uma trajetória que atravessou gerações nos Estados Unidos
O rodeio mundial perdeu uma de suas grandes referências. Phil Lyne, cinco vezes campeão mundial e considerado um dos cowboys mais versáteis da história do esporte, morreu aos 79 anos. A informação foi anunciada por sua família neste sábado e rapidamente repercutiu entre competidores, entidades e fãs do rodeio nos Estados Unidos.
Natural do Texas, Lyne construiu uma carreira difícil de comparar com os padrões atuais. Em uma época marcada pela figura do cowboy completo, ele conseguiu competir em seis modalidades diferentes, transitando entre provas de montaria e modalidades cronometradas.
Foi, porém, na bull riding (montaria em touros), tie-down roping (laço de bezerro) e steer roping que escreveu alguns dos capítulos mais importantes de sua trajetória.
Ao final da carreira, acumulava cinco títulos mundiais, conquistas nas finais nacionais e reconhecimento nos principais halls da fama do rodeio norte-americano.
De estreante do ano a campeão mundial
A ascensão de Phil Lyne foi rápida.
Em 1969, logo no início de sua trajetória profissional, conquistou o PRCA Resistol Rookie of the Year, reconhecimento concedido ao principal estreante da temporada.
Pouco tempo depois, já estava entre os maiores nomes do rodeio.
As temporadas de 1971 e 1972 transformaram definitivamente sua carreira. Nos dois anos, Lyne conquistou simultaneamente o campeonato mundial All-Around, destinado ao competidor de maior desempenho geral, e o título mundial de Tie-Down Roping.
Foram quatro títulos mundiais conquistados em apenas duas temporadas.
A capacidade de disputar provas tão diferentes era justamente uma das características que tornavam Phil Lyne especial. Ele não era apenas um competidor capaz de participar de várias modalidades: conseguia vencer entre os melhores em diferentes lados da arena.
Cinco títulos mundiais em três categorias
Depois do domínio no início da década de 1970, Phil Lyne ainda acrescentaria outro capítulo extraordinário à carreira.
Em 1990, conquistou o campeonato mundial de Steer Roping, quase duas décadas depois de seus primeiros títulos.
Assim, seus cinco campeonatos mundiais ficaram distribuídos da seguinte forma:
- All-Around: 1971 e 1972;
- Tie-Down Roping: 1971 e 1972;
- Steer Roping: 1990.
A conquista reforçou uma característica que acompanharia seu nome para sempre: versatilidade.
Lyne permanece ligado a uma marca particularmente difícil de repetir. Ele conquistou títulos de média nas finais nacionais em Bull Riding, Tie-Down Roping e Steer Roping, três modalidades que exigem habilidades completamente diferentes do competidor.
Em 1972, por exemplo, venceu as médias da Tie-Down Roping e da Bull Riding no National Finals Rodeo, além de terminar como vice-campeão mundial na montaria em touros.
O cowboy que competia dos dois lados da arena
Para entender a dimensão da carreira de Phil Lyne, é preciso considerar como o rodeio profissional mudou ao longo das últimas décadas.
Hoje, a especialização é dominante. Competidores normalmente concentram suas carreiras em uma modalidade específica.
Lyne pertencia a outra escola.
Ao longo da trajetória, participou de provas como Bull Riding, Tie-Down Roping, Steer Roping, Steer Wrestling, Saddle Bronc Riding e Bareback Riding.
Ou seja, conseguia competir tanto nas provas que exigiam permanecer sobre animais de grande potência quanto naquelas em que cavalo, laço, velocidade e precisão determinavam o resultado.
Essa capacidade fez dele uma das grandes representações do chamado all-around cowboy.
O talento com o laço também produziu histórias impressionantes. O National Cowboy & Western Heritage Museum registra que, durante sua campanha de 1971, Lyne conquistou o campeonato de calf roping utilizando 46 cavalos diferentes.
O número chama atenção porque o entrosamento entre cavalo e competidor é um dos fatores mais importantes nas provas de laço.
Rivalidade virou filme vencedor do Oscar
A trajetória de Phil Lyne também ultrapassou as arquibancadas dos rodeios.
Sua disputa com outra lenda do esporte, Larry Mahan, tornou-se um dos capítulos mais conhecidos daquela geração.
A rivalidade foi retratada em The Great American Cowboy, produção que acompanhou a disputa entre os cowboys pelo campeonato All-Around.
Lançado em 1973, o documentário conquistou o Oscar de Melhor Documentário, levando aquela geração do rodeio para uma audiência muito além das arenas norte-americanas.
Décadas depois, as imagens continuam funcionando como registro de uma época em que competidores como Lyne percorriam o país disputando diferentes modalidades em busca do campeonato mundial.
Reconhecimento entre as maiores lendas do rodeio
O desempenho em diferentes provas também rendeu a Phil Lyne quatro Bill Linderman Memorial Awards, conquistados em 1970, 1971, 1972 e 1976.
A premiação reconhece justamente competidores capazes de apresentar resultados em diferentes modalidades do rodeio, característica que praticamente definiu sua carreira.
Seu nome posteriormente passou a ocupar espaço entre os grandes da história.
Phil Lyne foi incluído no ProRodeo Hall of Fame em 1979 e também recebeu reconhecimento de outras instituições importantes ligadas ao rodeio e à cultura western norte-americana, incluindo o National Rodeo Hall of Fame e o Bull Riding Hall of Fame.
Em 2007, também recebeu reconhecimento da Professional Bull Riders (PBR) por sua contribuição histórica ao esporte.
Dos rodeios para o rancho no Texas
Depois de deixar a rotina de competições em tempo integral, Phil Lyne retornou às raízes.
Passou a dedicar mais tempo à família e ao trabalho em seu rancho no sul do Texas, mantendo a ligação com a pecuária e com o estilo de vida que acompanhou praticamente toda sua história.
Ainda assim, sua ligação com as arenas nunca desapareceu completamente — e o título mundial de Steer Roping conquistado em 1990 mostrou que seu talento permanecia mesmo muitos anos depois do auge inicial.
A morte de Phil Lyne encerra a trajetória de um representante de uma geração difícil de reproduzir no rodeio moderno.
Foram cinco títulos mundiais, conquistas em provas completamente diferentes, reconhecimento nos principais halls da fama e uma história que chegou até ao cinema.
Mais do que campeão, Phil Lyne deixou como legado a imagem do cowboy capaz de entrar em qualquer lado da arena — e competir para vencer.
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