Movimento de alta da arroba do boi deve continuar pelo Brasil?

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Foto: Canchim Ilma

Confira a movimentação de preços da arroba em várias praças pelo Brasil e saiba também se o movimento de alta recente deve ocorrer durante o mês natalino

Após a alta ocorrida no último dia de novembro, o final da semana foi de preços estáveis em São Paulo. Assim, a cotação para o boi gordo está em R$ 289/@, para a vaca gorda está em R$260,00 /@ e para novilha gorda está em R$270,00/@, preços brutos e a prazo. O bovino destinado à exportação (“boi China”) está cotado em R$285,00/@, preço bruto e a prazo.

As indústrias, com necessidade de avançar as escalas, ofertaram mais R$5,00/@ para todas as categorias monitoradas pela Scot Consultoria, incluindo o “boi China”, na comparação com quinta-feira(1/12).

Já no Mato Grosso, de acordo com o analista de Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, a pressão de alta sobre os preços da arroba do boi está mais consistente. “As escalas de abate apresentam algum avanço na Região Sudeste, em especial no mercado paulista. No Centro-Norte o quadro é diferente, com escalas de abate encurtadas neste momento e maior propensão a reajustes no curto prazo.”, disse Iglesias.

A demanda de carne bovina na virada de mês será importante para identificar se haverá potência para a continuidade deste movimento iniciado no decorrer de novembro. Dessa maneira, em Dourados (MS), a referência para a arroba do boi ficou em R$ 266/@.

Ao mesmo tempo, em Cuiabá (MT), a arroba de boi gordo finalizou o dia cotada a R$ 251. Simultaneamente, em Uberaba (MG), as cotações ficaram em R$ 280. Já em Goiânia (GO), a arroba teve cotação de R$ 280.

Foto: Gilson Paulo Costa.

Futuro do boi gordo?

O preço futuro do boi gordo para 2023, tanto para o vencimento em janeiro como maio, acumularam alta em novembro de 2022, enquanto o boi gordo (Cepea) caiu no período.

Isso porque entre o final de outubro e o final de novembro de 2022, o preço do contrato futuro para vencimento em janeiro de 2023 (BGIF23) variou de R$291,3 à R$305,5 por arroba, acumulando alta de 4,9% no período. Já o contrato para vencimento em maio de 2023 (BGIK23) subiu 5,7% no mesmo período, com o preço da arroba variando de R$278,6 à R$294,4.

Exportações

Durante as duas últimas semanas de nov/22 foram exportadas 50,45 mil toneladas de carne bovina in natura, uma média de 6,31 mil t/dia, queda de 23,08% ante a média diária da primeira quinzena do mês. Com isso, os envios de nov/22 totalizaram 148,84 mil toneladas (o terceiro melhor novembro da história), resultando em uma média de 7,44 mil t/dia, 25,0% inferior a média diária de out/22, sendo esse o menor volume de embarques diários em um mês desde jun/22.

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Foto: Divulgação

Movimento de alta deve continuar?

O mercado físico de boi gordo segue operando com preços firmes. De acordo com o analista de Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, o ambiente de negócios volta a sugerir pela alta dos preços no curto prazo, uma vez que os frigoríficos ainda operam com escalas de abate encurtadas.

“O movimento tem se consolidado no Mato Grosso. Mesmo assim parece pouco provável que haja total correção da queda dos preços ao longo do ano. A tendência é que a alta aconteça de maneira comedida, sem a intensidade de anos anteriores. A demanda doméstica de carne bovina segue aquecida, um fator determinante para justificar a alta dos preços no curto prazo.”, disse Iglesias.

Os preços da carne bovina no mercado atacadista seguem firmes – De acordo com Iglesias, o ambiente de negócios volta a sugerir pela alta dos preços no curto prazo, em linha com a entrada dos salários na economia durante a primeira quinzena do mês. Além disso, a demanda relacionada ao final do ano motiva o consumo de carne vermelha (entrada do décimo terceiro salário, demais bonificações e criação dos postos temporários de emprego). Além disso, a Copa do Mundo de futebol é um evento importante que também aumenta a demanda por carne vermelha.

Brasil será importante fornecedor de carne aos EUA

O Brasil continuará sendo um importante exportador de carne bovina para os Estados Unidos em 2023, mas sem aumento na cota de 65 mil toneladas/ano, disse em relatório o Departamento de Agricultura do país (USDA). O País é o maior exportador para os EUA dentro da categoria “Outros Países” de quotas tarifárias (TRQ, na sigla em inglês) estipulada pela Organização Mundial do Comércio (OMC), a qual limita as exportações de carne para os Estados Unidos em até 65 mil toneladas. Segundo o USDA, a demanda pela proteína brasileira continuará firme no próximo ano por causa de uma oferta mais restrita de boiadas terminadas em razão do ciclo pecuário de baixa.

“Notavelmente, o Brasil carece tanto de uma cota específica quanto de um Acordo de Livre Comércio (FTA, na sigla em inglês) com os Estados Unidos. (Por enquanto) o Brasil concorre dentro da cota ‘Outros Países’”, ressaltou o USDA. O Brasil se tornou o maior fornecedor de carne bovina entre janeiro e março de 2022 nos EUA. Segundo o USDA, o Serviço de Inspeção de Segurança Alimentar (FSIS, na sigla em inglês) está avaliando países exportadores potenciais para determinar a equivalência para as importações de carne bovina, “o que significa que a concorrência pela cota de “Outros países” pode aumentar no futuro.”

As importações de carne bovina historicamente permanecem elevadas com a oferta de gado pronto para abate e a produção de carne bovina reduzida. “Espera-se que essa tendência continue em meio a uma contração do rebanho prevista para 2023”, observou o USDA. “A capacidade de produção do Brasil supera em muito a de seus concorrentes no TRQ ‘Outros Países’”, ressaltou o relatório do USDA, reiterando a possibilidade do Brasil continuar sendo o principal exportador dentro da sua categoria em 2023.

Com informações do Broadcast, Agrifatto, SCOT e outros veículos

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