Mulheres sentem-se orgulhosas mas querem igualdade e mais visibilidade

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Foto: Divulgação

Expectativa é que igualdade entre gêneros demorará dez anos, para 21% das entrevistadas. E apesar de 80% recorrerem a financiamentos, muitas dizem não ter condições iguais às dos homens no sistema financeiro.

As mulheres do agro afirmam sentir orgulho da profissão. E, apesar de acreditarem que a situação está melhor do que uma década atrás, cobram mais visibilidade aos seus projetos e ressaltam que a igualdade de gênero no campo ainda é algo distante. É a conclusão de um levantamento sobre a participação feminina no agronegócio, divulgado na quinta-feira (14/10), véspera do Dia Internacional da Mulher Rural, comemorado em 15 de outubro.

A pesquisa foi feita pelo movimento Agroligadas, em parceria com a sobre a participação feminina no agronegócio, em parceria com a Corteva Agriscience, Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e o Sicredi. Foram entrevistadas 408 mulheres com média de idade de 40 anos.

De acordo com os responsáveis pela pesquisa, 93% das mulheres que trabalham no campo disseram sentir orgulho do que fazem. No entanto, 64% das participantes disseram não compartilhar do sentimento de que há igualdade de gênero, uma realidade que, para 21% delas deve ser vivida em menos de dez anos. A maioria das entrevistadas acredita que é preciso dar destaque aos projetos desenvolvidos por mulheres — embora 79% acreditem que a situação, hoje, é melhor do que há uma década.

Segundo dados do Cepea/Esalq-USP, entre 2004 e 2015, o total de mulheres que trabalhavam no agronegócio nacional – nos setores de insumos, agropecuária, agroindústria e agrosserviços – aumentou 8,3% e passou de 24,1% para 28% do total. Em nível global, a representatividade é maior. De acordo com dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), elas representam 43% da força de trabalho rural.

“Há tempos a figura da mulher no agro deixou de ser secundária”, afirma a presidente da Agroligadas, Geni Caline, no comunicado que detalha o estudo. “Aquela pessoa que apenas apoiava o marido na atividade rural deu lugar à proprietária que faz a gestão da sua lavoura de ponta a ponta. No entanto, há barreiras que precisam ser conhecidas por toda sociedade para que, assim, possam ser enfrentadas e sanadas”, acrescenta.

Na pesquisa, 54% das mulheres declararam acreditar que ganham menos que os homens. O acesso a financiamento, também é um gargalo para as mulheres do agronegócio. A busca pelo financiamento para empreender foi mencionada por 80% das entrevistas. Mas 49% disseram ter as mesmas facilidades, um terço delas afirma ter menos acesso que os homens.

“Estudos como este são importantes para mostrar o cenário atual desse segmento produtivo, que ganha cada vez mais espaço no agro brasileiro”, observa a gerente de crédito rural do Sicredi, Marilucia Dalfert.

Sobre preocupações atuais das mulheres na produção rural, 95% delas prezam pelo bom desempenho dos negócios. Em tempos de pandemia e instabilidade econômica, estabilidade financeira (93%), realização profissional (92%) e futuro dos filhos (83%) vêm em seguida.

Fonte: Globo Rural

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