Após confirmação de foco em Santa Catarina, atenção se concentra no contato com aves infectadas; em pessoas, doença costuma provocar manifestações leves e passageiras
A confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba, no Oeste de Santa Catarina, nesta segunda-feira (19), trouxe uma dúvida para além das propriedades rurais: quais são os riscos para as pessoas? O vírus pode infectar humanos, mas os quadros descritos geralmente são leves, com destaque para a conjuntivite, segundo a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).
A principal situação de atenção envolve a exposição a aves infectadas e a materiais contaminados durante o trabalho ou o manejo dos animais. Embora a doença possa causar perdas graves nos plantéis, esse comportamento não se repete, em geral, nas pessoas. Entender essa diferença ajuda a orientar os cuidados sem criar alarme entre consumidores.
Como ocorre a transmissão para humanos
A infecção humana está associada à exposição ao vírus, especialmente quando material contaminado entra em contato com os olhos. O manejo de aves infectadas, suas secreções e ambientes contaminados exige atenção à proteção individual.
Por isso, profissionais que trabalham diretamente com os animais, como tratadores, médicos-veterinários e equipes envolvidas nas ações sanitárias, precisam seguir os protocolos de biosseguridade.
Tocar ou esfregar os olhos com as mãos contaminadas é uma situação que deve ser evitada. Higienização das mãos e uso dos equipamentos de proteção indicados para cada atividade integram os cuidados durante o manejo.
A importância dessas barreiras sanitárias já foi abordada pelo Compre Rural na cobertura sobre o reforço das medidas de biosseguridade em granjas de Santa Catarina após o caso de Newcastle registrado no Rio Grande do Sul em 2024.
A possibilidade de infecção humana não significa que todos os moradores de uma região com foco estejam expostos da mesma forma. O tipo de contato com as aves e com o material contaminado é determinante para avaliar o risco.
Quais sintomas a Newcastle pode causar nas pessoas
O manual técnico da OMSA aponta as alterações oculares como as manifestações mais bem documentadas da infecção humana. Entre elas estão:
- Vermelhidão em um ou nos dois olhos;
- Lacrimejamento excessivo;
- Inchaço das pálpebras;
- Conjuntivite.
Segundo a organização, a conjuntivite associada à Newcastle costuma ser leve e autolimitada, expressão usada para quadros que tendem a desaparecer com a evolução da infecção.
Isso não permite identificar a causa apenas pela aparência dos olhos. Conjuntivites podem ter diferentes origens, e a vermelhidão ocular, isoladamente, não confirma infecção pelo vírus de Newcastle.
Quem apresentar sintomas após contato com aves doentes ou suspeitas deve procurar atendimento e informar ao profissional de saúde quando e como ocorreu a exposição.
É seguro consumir carne de frango e ovos
O Ministério da Agricultura e Pecuária reforçou, ao comunicar a ocorrência em Santa Catarina, que produtos avícolas submetidos à inspeção oficial continuam seguros para consumo.
O foco em uma propriedade não significa que os produtos disponíveis regularmente no comércio estejam contaminados. A interdição da granja e a suspensão da movimentação de aves fazem parte das medidas adotadas para controlar a ocorrência.
Para o consumidor, a orientação é adquirir alimentos de procedência regular e manter os cuidados habituais de higiene, conservação e preparo.
O que fazer ao encontrar aves doentes
Aves com dificuldade para respirar, torcicolo, alterações de comportamento ou mortalidade fora do normal precisam ser avaliadas pelo serviço veterinário oficial. Esses sinais podem ocorrer em diferentes enfermidades e não permitem concluir, por conta própria, que se trata de Newcastle.
A recomendação é não manipular aves doentes ou mortas sem orientação e comunicar a suspeita ao órgão estadual de defesa sanitária animal. Em Santa Catarina, o atendimento é realizado pela Cidasc.
A detecção precoce integra os programas de defesa sanitária, como mostra a reportagem sobre a vigilância ativa para influenza aviária e doença de Newcastle realizada no Paraná no ciclo 2025/2026.
Para quem cria aves, o cuidado também envolve impedir que pessoas, roupas, calçados e equipamentos levem material contaminado de uma propriedade para outra.
Newcastle e gripe aviária são doenças diferentes
Apesar de ambas exigirem vigilância na avicultura, Newcastle não é gripe aviária. São enfermidades provocadas por vírus diferentes, e seus riscos para a saúde humana não devem ser tratados como equivalentes.
A semelhança de alguns sinais nas aves torna o exame laboratorial indispensável. O Compre Rural já detalhou o papel do laboratório do Mapa em Campinas no diagnóstico da doença de Newcastle, em reportagem sobre a ocorrência de 2024.
No caso da Newcastle, a OMSA caracteriza a infecção humana como uma zoonose de baixa gravidade, geralmente associada à conjuntivite passageira. Nas aves, por outro lado, a elevada capacidade de transmissão justifica a resposta sanitária imediata.
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