O mercado do boi parou, o que esperar da arroba?

O mercado do boi parou, o que esperar da arroba?

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Confinamento e Boitel VFL BRASIL. Foto: Marcella Pereira

O dia em que o boi gordo parou; Mercado fora do eixo põe cotações em viés baixista e frigoríficos saem das compras. O que esperar do preço da arroba?

Sem referência de preço, os pecuaristas brasileiros resistem em vender o gado terminado. Por sua vez, os frigoríficos se ausentam das compras de boiada, optando pela redução na capacidade produtiva ou até mesmo a paralisação total dos abates de algumas unidades. Diante deste cenário, os negócios no mercado do boi gordo foram praticamente nulos nesta quinta-feira, permanecendo o viés baixista no valor da arroba.

Segundo dados da Informa Economics FNP, na praça de São Paulo, os poucos e isolados negócios efetivados nesta quinta-feira envolveram pequenos lotes, com ajustes negativos nos valores pagos por animais terminados.

Segundo o app da Agrobrazil, pecuaristas de São Paulo estão com uma média cotada em R$ 188,49/@, sendo que a semana passada tivemos uma arroba média de R$ 200. Entretanto, pecuaristas de São José do Rio Preto/SP, fizeram vendas de R$ 195/@ com pagamento à vista e abate para o dia 23 de março. Já em Cássia/MG, ficou em R$ 195 com pagamento em 10 dias e abate em 23 de março. A pressão de retenção por parte dos pecuaristas tem obrigado os frigoríficos a oferecerem um pouco mais para poder completar as escalas de abate.

Na região do Mato Grosso, os frigoríficos enfrentam dificuldades para comprar boiada gorda e operar com capacidade reduzida. Porém, de acordo com levantamento da FNP, os poucos registros de negócios computados ocorreram em patamares mais baixos de preço.

Em Belo Horizonte, segundo a consultoria, há registro de plantas frigoríficas que diminuíram o fluxo de abate em 20% e, mesmo com as poucas ofertas de compra de gado terminado, a arroba da boiada gorda também se desvalorizou.

No Pará, as indústrias conseguiram preencher as programações de abate para a semana que vem e passaram a oferecer valores muito menores que as máximas vigentes, sem conseguir comprar grandes lotes, segundo a consultoria FNP.

Na região de Tocantins, os frigoríficos conseguiram emplacar preços menores e estenderam suas escalas até a semana que vem.

No Mato Grosso do Sul, relata a FNP, mesmo com a pressão baixista por parte dos compradores, os preços do gado terminado resistem a maiores quedas, sustentados pela restrita oferta de animais.

Situação semelhante é registrada em Goiás, onde há um baixo volume de negócios – no Estado, os preços da arroba se mantêm estáveis.

Em Rondônia, as indústrias operam com cautela diante das expectativas sobre o escoamento de carne bovina. As plantas frigorificas da região diminuíram o ritmo de abates e optam por não estender as escalas, o que contribuiu para queda nos preços da boiada gorda.

Acompanhe aqui as cotações do boi gordo nas principais regiões do Brasil desta quinta-feira, de acordo com dados da FNP:

  • SP-Noroeste: R$ 200/@ a (prazo)
  • MS-Dourados: R$ 187/@ (à vista)
  • MS-C. Grande: R$ 187/@ (prazo)
  • MS-Três Lagoas: R$ 187/@ (prazo)
  • MT-Cáceres: R$ 172/@ (prazo)
  • MT-Tangará: R$ 172/@ (prazo)
  • MT-B. Garças: R$ 172/@ (prazo)
  • MT-Cuiabá: R$ 170/@ (à vista)
  • MT-Colíder: R$ 167/@ (à vista)
  • GO-Goiânia: R$ 187/@ (prazo)
  • GO-Sul: R$ 185/@ (prazo)
  • PR-Maringá: R$ 192/@ (à vista)
  • MG-Triângulo: R$ 187/@ (prazo)
  • MG-B.H.: R$ 182/@ (prazo)
  • BA-F. Santana: R$ 190/@ (à vista)
  • RS-P.Alegre: R$ 194/@ (à vista)
  • RS-Fronteira: R$ 192/@ (à vista)
  • PA-Marabá: R$ 187/@ (prazo)
  • PA-Redenção: R$ 184/@ (à vista)
  • PA-Paragominas: R$ 187/@ (prazo)
  • TO-Araguaína: R$ 179/@ (prazo)
  • TO-Gurupi: R$ 177/@ (à vista)
  • RO-Cacoal: R$ 164/@ (à vista)
  • RJ-Campos: R$ 182/@ (prazo)
  • MA-Açailândia: R$ 182/@ (à vista)

Negócio no mercado do boi retomam o ritmo, diz a Scot Consultoria

A cotação do boi gordo na praça paulista caiu 5% na comparação com os negócios fechados em 13 de março, último dia de volume representativo de transações, ou R$8,00/@. As ofertas de compra com negócios realizados foram de R$193,00/@, considerando o preço bruto, à vista, R$192,50/@, com desconto do Senar, e R$190,00/@ com desconto do Funrural e Senar.

Também caíram as cotações das fêmeas, a da vaca gorda e a da novilha gorda cederam 2,7% frente ao fechamento do dia 13 de março. Vale ressaltar que apesar do fluxo de negócios ter melhorado ainda está pequeno.

No estado, o cenário é de negociações ainda difíceis, tendo em vista que a ofertas de compra, com preços drasticamente menores, afastaram boa parte dos pecuaristas dos balcões de negócios. 

No Brasil

O cenário nas demais regiões de pecuária é também de pressão de baixa e com pouquíssimos negócios. Há regiões ainda com ofertas de até R$20,00/@ abaixo da referência de sexta-feira (13/3), nessas, nada feito, o volume de negócios é muito pequeno. O momento é de cuidado, com monitoramento contínuo do mercado.

Segundo Safras&Mercado

  • Em São Paulo, Capital, os preços do mercado à vista seguiram em R$ 185,00 a arroba.
  • Em Uberaba, Minas Gerais, os preços permaneceram em R$ 180,00 a arroba.
  • Em Dourados, no Mato Grosso do Sul, os preços ficaram em R$ 179,00 a arroba.
  • Em Goiânia, Goiás, o preço indicado permaneceu em R$ 187,00 a arroba.
  • Já em Cuiabá, Mato Grosso, o preço foi mantido em R$ 178,00 por arroba.

Atacado

No mercado atacadista, os preços da carne bovina seguiram inalterados. “A tendência de curto prazo ainda remete a alguma queda das indicações, avaliando a reposição mais lenta entre atacado e varejo no decorrer da segunda quinzena do mês. Deve ocorrer um enxugamento dos estoques após a mudança de estratégia dos frigoríficos na compra de gado, que resultou em uma notável desaceleração no ritmo de negócios”, disse Iglesias.

O corte traseiro teve preço de R$ 14,50 o quilo. A ponta de agulha ficou em R$ 10,70 o quilo. Já o corte dianteiro permaneceu em R$ 11,50 por quilo.

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