Para onde vai o preço do leite? A resposta é triste!

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Foto: Divulgação

O preço de leite ao produtor em maio — referente ao produto entregue em abril — tende a acompanhar esse recuo, que deve ser de quase R$ 0.15, veja!

preço do leite ao produtor deverá recuar em plena entressafra, de acordo com o pesquisador Glauco Carvalho, da Embrapa Gado de Leite. Apesar da menor oferta de matéria-prima típica do período, a queda na demanda, passado o período de compras para estoque e com o segmento de food service prejudicado pelo isolamento social, deve afetar os preços pagos ao pecuarista.

O sinal de alerta veio dos preços do leite no mercado spot — de negociação da matéria-prima entre as empresas — , que passaram de R$ 1,65 por litro em março, para R$ 1,50 em abril.

“Os laticínios menores que têm dificuldade de processar e vender o leite estão negociando o produto no mercado spot, e já há negócios a R$ 1,40 por litro. E a queda no spot tende a se refletir nos preços ao produtor”, diz Carvalho.

Esse movimento pressiona as cotações ao produtor em um período em que, habitualmente, preços ao consumidor e ao produtor estariam mais elevados.

Segundo cálculo do analista Válter Galan, da consultoria MilkPoint, nesta semana os preços no mercado spot devem chegar a R$ 1,20 por litro. “O preço de leite ao produtor em maio — referente ao produto entregue em abril — tende a acompanhar esse recuo”, afirmou o analista na semana passada.

Ao mesmo tempo, os preços do milho e da soja continuarão elevados, reduzindo a rentabilidade do produtor. Galan estima que, no ano, os preços do milho devem subir 19,7% no mercado doméstico e os da soja 18,4% em relação ao ano passado. Ele calcula um aumento de custo total de 19,1% na ração neste ano ante a 2019.

O impacto que isso terá no setor depende de quanto tempo a pandemia deverá durar, diz Carvalho. “Se for por pouco tempo, o impacto será menor. Mas se a pandemia se estender por um período mais longo a renda dos consumidores cai e enfraquece a indústria, o que poderá reaquecer o mercado de consolidação, tanto entre produtores quanto entre indústrias”, estima o pesquisador da Embrapa Gado de Leite.

No caso dos produtores, a tendência é que a oferta se concentre mais entre aqueles com produção de com mais de 200 litros de leite por dia, estima Carvalho. Fazendas menores devem ser vendidas para os produtores mais capitalizados.

Nas indústrias, os laticínios mais dependentes do canal de food service terão mais dificuldades de se manter e a saída poderá ser a incorporação por parte de grandes grupos.

“Esse cenário faz bastante sentido, até porque quem está mais capitalizado terá mais condições de se manter e superar a crise”, afirmou Carlos Alberto Passetti de Souza, presidente do conselho de administração da holding Grupasso, que controla a Fazenda Colorado, ao Valor.

A Colorado, que é a maior produtora de leite do Brasil e atua no mercado de leite A, projetava negociar 25 milhões de litros neste ano. “Vamos superar as vendas do ano passado, mas não vamos alcançar a meta”, afirmou.

Galan também estima que, se a projeção de queda de 5% no PIB brasileiro em 2020 se confirmar, a demanda por lácteos deve recuar 3,3% no ano. Segundo ele, o consumo deve voltar a subir, assim como os preços, somente no quarto trimestre, enquanto a produção deve crescer em velocidade menor do que a do consumo.

Durante a ocorrência da pandemia, os preços devem cair em razão da demanda menor que a oferta. “Após a pandemia, a produção ainda não terá se recuperado completamente para atender à retomada do consumo”, avaliou Galan.

As informações são do Valor Econômico.

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