Porque clone de Touro CA Sansão foi reprovado

Porque clone de Touro CA Sansão foi reprovado

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Daniel P. Costa técnico da ABCZ, Marta e Kinkão da Fazenda Terra Vermelha e Ricardo Micai veterinário da In Vitro Clonagem / Foto: Fazenda Terra Vermelha

Maior touro Gir que a pecuária leiteira brasileira já teve foi clonado, mas reprovado em registro.

CA Sansão foi líder do ranking nacional de venda de sêmem durante 10 anos, mesmo já falecido há palhetas de sêmen dele disponíveis para venda. Toda essa supremacia está na lista dos maiores raçadores que fizeram história no Brasil.

C.A. Sansão TN I. (clone) foi fruto da parceria entre a In Vitro Clonagem Animal e a Fazenda Terra Vermelha (KCA) de Vargem Grande do Sul no estado de São Paulo do criador Kinkão.

Desvio de Chanfro

A ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Zebu) negou o registro do animal mesmo com vários recursos do criador, o Conselho Deliberativo Técnico bateu o martelo alegando que desvio de chanfro do animal o desclassificava.

Melhoramento é movimento para diante; avanço, progresso, desenvolvimento. Então, o que estagna ou regride é involução. Evolução, melhoramento, é um conjunto que alia produtividade e adaptação. Sim, pois a produção desejada só acontece em consonância com o ambiente onde o ser ou o conjunto de seres vivem.

O princípio básico do melhoramento genético animal é a exploração das diferenças genéticas existentes entre animais dentro de uma população. Necessariamente se faz melhoramento genética para que sempre (em teoria) o próximo animal seja melhor que o anterior.

Clonagem: a não ser QUE FAÇA para resgatar linhagem ou garantir continuidade, CLONAR não é evolução.

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C.A. Sansão TN I. (clone) / Foto: Fazenda Terra Vermelha

Opinião técnica sobre reprovação

O Zootecnista José Otávio Lemos, produtor rural, jurado e conselheiro técnico da ABCZ e diretor da JOL Empresa Múltipla Assessoria e Consultoria emitiu sua opinião sobre o assunto depois de receber muitas ligações sobre a reprovação do animal.

Confira na íntegra o texto:

Se clone fosse realmente clone, nem era necessário um técnico fazer vistoria para registro de nascimento e também o definitivo. O criador faria a comunicação à associação e pronto.

Clone não é clone, é produto de transferência nuclear (TN), somente isso.

Assim, quando um produto TN apresenta algo desclassificante no seu fenótipo não poderá ser registrado.

A única chance de haver um clone bovino é com fêmea e se for usado o ovócito do animal original. Em outras palavras, pegar a célula reprodutiva da vaca que se quer clonar e usar o núcleo de uma célula somática da mesma.

A cada dia fica mais provado que o DNA mitocondrial e até o RNA, que é anterior ao DNA na evolução das espécies, têm papéis fortes nas características hereditárias dos descendentes que os recebem também.

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Ovelha Dolly (Foto: Paul Clements/AP)

O primeiro mamífero clonado no mundo com sucesso(?) foi a ovelha Dolly. Morreu com uma velhice precoce.

O Instituto Roslin em Edimburgo, onde Dolly a ovelha foi clonada, já não trabalha na clonagem de animais.

O Parlamento Europeu (08 de setembro de 2015) votou para proibir a clonagem de todos os animais de fazenda, bem como a venda de gado clonado, sua prole e produtos derivados deles. A medida, que passou por uma grande margem (aprovado por 529 votos a 120, com 57 abstenções), vai além de uma diretiva proposta pela Comissão Europeia em 2013, que teria implementado uma proibição provisória sobre a clonagem de apenas cinco espécies: bovina, ovina, suína, caprina e equina.

Os partidários da proibição referiram preocupações com o bem-estar dos animais, alegando que apenas uma pequena porcentagem de descendentes clonados sobrevive ao termo, e muitos morrem logo após o nascimento.

A proibição não abrange a clonagem para fins de pesquisa, nem evita esforços para clonar espécies ameaçadas de extinção.
“A técnica de clonagem não é totalmente madura e, de fato, nenhum progresso adicional foi feito. A taxa de mortalidade permanece igualmente alta. Muitos dos animais que nasceram vivos morrem nas primeiras semanas e morrem dolorosamente. Devemos permitir isso? ” Disse o co-relator do comitê ambiental, Renate Sommer (EPP, DE).

“Até agora, conseguimos importar material de reprodução de países terceiros. Estamos lavando nossas mãos deixando os outros fazer o trabalho sujo. Queremos proibir de forma abrangente. Não apenas o uso de técnicas de clonagem, mas as importações de material reprodutivo, clones e seus descendentes. Rastreabilidade é possível. Existem livros de pedigree, livros de reprodução, livros disponíveis. Gostaria de pedir à Comissão Europeia que repensasse tudo isso. Às vezes, a política tem que estabelecer os limites “, disse Sommer.

Finaliza José Otávio Lemos

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