Preço da soja mantém alta e passa de R$ 210,00/sc

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Foto: Divulgação

Demanda interna e externa tem sustentado os preços, em um cenário de perdas para a safra brasileira por causa do clima desfavorável os preços dispararam!

O preço da soja mantém a tendência de alta neste mês. O atual momento é de maior demanda no mercado, ao mesmo tempo em que as previsões para a safra 2021/2022 vem sendo reduzidas por causa das condições climáticas. Indicadores de preços de algumas das principais regiões do Brasil passam em de R$ 200 a saca de 60 quilos, com alguns passando dos R$ 210.

“Os preços foram impulsionados pela firme demanda doméstica e pelo expressivo aumento na procura externa, cenário que acirrou a disputa pelo grão entre as indústrias brasileiras e os consumidores internacionais”, diz o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em nota divulgada nesta segunda-feira (14/3).

O indicador medido pela instituição, com base no corredor de exportação de Paranaguá (PR), acumula alta de 2,25% no mês, até a última sexta-feira (11/3), quando fechou a R$ 203,15 a saca de 60 quilos. A referência com base na média dos negócios realizados no Paraná tem alta acumulada de 2,74% no período.

Na sexta-feira, fechou a R$ 200,38. Em outras regiões do Brasil, os preços estão varando entre R$ 180 e R$ 212 a saca de 60 quilos, de acordo com os indicadores de referência da Bolsa Brasileira de Mercadorias. Os preços mais baixos tem sido praticados em estados como Mato Grosso e Bahia e os mais elevados no Sul do Brasil, onde a seca causou perdas severas nas lavouras.

No Porto de Rio Grande (RS), a soja tem negócios a R$ 212,50, com alta de 5,2% em um mês. Em praças como Julio de Castilhos, Passo Fundo e Não-me-toque, o grão tem sido negociado a R$ 212. No Porto de São Francisco do Sul ,(SC), a soja chega a ser negociada a R$ 216, alta de 10,2%.

Em Chapecó (SC), a saca é negociada a R$ 210. Em Mato Grosso, também com valorização em todas as praças de negociação medidas pela Bolsa Brasileira da Mercadorias, a saca de soja vale R$ 185 na região de Sorriso e Lucas do Rio Verde. A maior cotação no estado foi registrada em Rondonópolis: R$ 189 a saca.

Projeções da safra de soja 2021/2022

A Conab ainda não divulgou novo balanço da safra da soja. 

O IBGE revisou a projeção da produção para 134 milhões de toneladas. Essa foi a mesma estimativa da StoneX, que havia projetado 11 milhões de toneladas a mais no final do ano. Para a Abiove (Associação Brasileira de Óleos Vegetais), a safra de soja 2021/2022 deve ser de 135,8 milhões de toneladas. A AgResource estima 125,04 milhões de toneladas, e a Itaú BBA Agro estima 135 milhões de toneladas.

Estimativas da safra dos maiores produtores mundiais de soja
(Fonte: Itaú BBA Agro)

A seca também afeta as lavouras de soja da Argentina e do Paraguai. Isso levou o Amis (Sistema de Informação do Mercado Agrícola), ligado ao G20, a reduzir a projeção da produção mundial de soja.

A previsão é de que a produção mundial fique em 368,4 milhões de toneladas. Isso significa 3,8% a menos que a projeção anterior. Na análise do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), a produção mundial de soja deve ficar em 372,6 milhões de toneladas. 

O Conselho Internacional de Grão estima em 367,7 milhões de toneladas. Ao avaliar o cenário de início de ano, a StoneX divulgou que a produção mundial da oleaginosa pode voltar a cair. Isso pode influenciar o planejamento da safra seguinte.

Previsão do preço da soja para 2022 

Diante das instabilidades climáticas, o mercado internacional tem se comportado favorável ao produtor. Os preços da oleaginosa estão subindo na Bolsa de Valores de Chicago.

Entre o final de 2021 e início de 2022, houve uma série de aumento dos preços. Isso chegou a US$ 14/bushel em 10 de janeiro de 2022, maior patamar desde agosto de 2021.    

A consultoria Itaú BBA Agro observou aumento semelhante nas cotações para maio de 2022. Esse é um contrato referência para a parte da próxima safra no Brasil.

Veja o quadro abaixo, que ainda mostra as oscilações do preço da soja em Sorriso (MT):

Final e início de ano marcados por aumento dos preços da soja
(Fonte: Itaú BBA Agro

A Itaú BBA Agro destaca uma preocupação do mercado com a qualidade da soja que será colhida na região do Matopiba. A Matopiba reúne regiões agrícolas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, e do Centro-Oeste. Nas lavouras dessas áreas houve o contrário do Sul: o excesso de chuvas.

Perspectivas para soja em 2022

A T&F Consultoria Agroeconômica avalia que os preços da soja podem ser influenciados em 2022 pelo aumento dos custos com fertilizantes. Ele deve reduzir a área destinada à produção do próximo ciclo.

Segundo a consultoria, há preocupações no mercado com relação ao fornecimento dos fertilizantes para a próxima safra. Isso se estende para o milho safrinha, cultivado logo após a soja, e para o trigo, plantado antes da soja.

A T&F Consultoria Agroeconômica não fala em preços. O Itaú BBA Agro diz que a revisão para baixo da safra na América do Sul sugere que o mercado está se distanciando dos US$ 12/bi, observados em outubro e novembro de 2021.

A redução da produção tende a deixar o balanço global de oferta e demanda apertado. Ele pode se sobrepor ao cenário de melhora da oferta nos Estados Unidos; Assim, os preços dos derivados da soja, farelo e óleo também tendem a seguir firmes.

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