Preço dificulta conexão à internet no campo

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Foto: Divulgação

O levantamento reitera a noção de que a união faz a força, e será essencial para viabilizar a transformação digital nas lavouras brasileiras.

Quanto custa para os pequenos e médios produtores rurais brasileiros estarem conectados à internet? Esta foi uma das perguntas sobre as quais um estudo do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) se debruçou. Intitulado “Conectividade Rural: Situação Atual e Alternativas para Superação da Principal Barreira à Agricultura 4.0 no Brasil”, o levantamento reitera a noção de que a união faz a força, e será essencial para viabilizar a transformação digital nas lavouras brasileiras.

Dono de 99% dos estabelecimentos rurais (99% do total) e responsável por 52,4% da área plantada, o grupo de produtores com até mil hectares no Brasil terá que pagar mais se quiser levar infraestrutura para ter conectividade em suas propriedades. Para aqueles com até 50 hectares, o valor é de cerca de R$ 46 mil por hectare, segundo o BNDES.

Quando a área aumenta um pouco mais e passa a ser de entre 50 e 100 hectares, o valor cai para R$ 7,3 mil por hectare, e ainda fica em expressivos R$ 1,9 mil por hectare em propriedades de 100 a 1 mil hectares. Mas no caso de fazendas com mais de 10 mil hectares, o investimento desaba para R$ 24 por hectare. As estimativas levam em conta a infraestrutura 4G em 700 MHz e serviços de instalação.

Se todos os produtores estivessem conectados, de forma contínua pelo território e pela rede, os custos recuariam drasticamente. Nesse caso, o investimento mínimo para acesso ao sinal de internet banda larga móvel no campo poderia variar entre R$ 10 e R$ 40 por hectare, o equivalente a algo entre 10% e 50% do valor de uma saca de soja de 60 quilos.

Como a produtividade média da oleaginosa no Brasil é de 3.208 quilos por hectare (ou cerca de 54,47 sacas), mesmo tomando-se por base o valor mais elevado, de R$ 40 por hectare, o aporte poderia ser recuperado com um aumento de produtividade de apenas 1% no primeiro ano com a fazenda conectada.

A escala é, portanto, uma barreira significativa de acesso à conectividade. “Para evitar que essas propriedades fiquem cada vez mais distantes dos índices de produtividade obtidos pelos grandes estabelecimentos, o ideal seria que os pequenos e médios produtores se reunissem para fazer esses investimentos de forma coletiva ou por intermédio de cooperativas”, afirma o estudo do banco de fomento.

Em regiões de terrenos planos, aponta o levantamento, a abrangência de uma rede 4G pública em 700 MHz pode atingir até 40 mil hectares, situação mais comum em cultivos de soja, algodão, milho e cana-de-açúcar, que costumam ter maior escala.

Em localidades com relevo mais irregular, a cobertura média pode ficar em até 15 mil hectares, exigindo, ainda assim, a união de um número considerável de produtores para viabilizar um projeto.

O estudo do BNDES destaca que no Plano Safra há disponível a linha de financiamento Inovagro, aberta a cooperativas, grupos de produtores e produtores independentes. A questão é que ela financia somente até R$ 1,3 milhão por cliente, mesmo no caso de cooperativas agroindustriais. Para empreendimentos coletivos, o limite é de R$ 3,9 milhões. No estudo, o BNDES sugere que o valor seja elevado a R$ 20 milhões para projetos coletivos ou cooperativos, ficando mais em linha com as necessidades da cadeia.

Outra proposta, que também consta no estudo, foi apresentada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) com colaboração do próprio BNDES e prevê a utilização de recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) como fonte de empréstimos incentivados para projetos de ampliação da banda larga em áreas de menor atratividade, sobretudo rurais. No dia 19 de novembro, o Senado aprovou o Projeto de Lei 172/2020, que pode permitir direcionar o Fust à expansão da internet no campo. O PL carece agora da sanção presidencial. 

Com informações do Valor.

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