Preços disparam e pecuarista pode amargar prejuízo

Preços disparam e pecuarista pode amargar prejuízo

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Confinamento e Boitel VFL BRASIL. Foto: Marcella Pereira

Valorização do milho desfavorece poder de compra de pecuarista; Além disso, os atuais valores da reposição podem trazer grandes prejuízos ao setor da terminação!

O atual poder de compra de pecuaristas paulistas frente ao milho é o pior desde junho de 2016. Além desse fator, os valores da reposição seguem em patamares elevados, deixando a relação de troca do boi gordo frente ao bezerro sendo a pior da série histórica do Indicador do Cepea. Pecuarista que não fizer planejamento e montar estratégia, poderá amargar grande prejuízo!

Muitos pecuaristas estão se perguntando neste atual momento: “Deveríamos ficar com o animal para confinar, ou deveríamos vender ele magro? Ou também, o que é melhor: vender o milho ou ficar com todo o estoque para o ano que vem?”. Agora é chegada a hora do boi ir para o cocho, diante da seca que se intensifica e a resposta desta pergunta precisa ser respondida!

Segundo pesquisadores do Cepea, nem mesmo as altas nas cotações do boi gordo ao longo de abril vêm ajudando a melhorar a relação de troca de arroba por um dos principais insumos de alimentação. Isso porque as valorizações do milho têm sido ainda mais fortes.

Pesquisadores ressaltam que esse cenário é observado justamente em um período em que pecuaristas intensificam o uso de grãos na alimentação animal, tendo em vista a entrada do período mais seco do ano.

Além disso, os pecuaristas estão observando um cenário de grande demanda externa pelos grãos, não só o milho. A soja segue batendo recorde de volume exportado, o que acaba encarecendo a oleaginosa no mercado interno. Uma alternativa que deixamos aqui, é a utilização dos subprodutos da indústria de etanol de milho, como o DDG e o WDG. Além da casquinha de soja e outros ingredientes como trigo e sorgo.

Nas contas do produtor, considerando o milho a R$ 90, mas a cada valorização do grão chegando a patamares de R$ 95 e R$ 110, a dúvida passa a ficar cada vez mais latente. Segundo alguns analistas, os preços do milho podem atingir o patamar de R$ 130,00/sc no curto prazo, tudo a depender do resultado da safrinha.

Considerando-se os Indicadores CEPEA/B3 do boi gordo (estado de São Paulo) e ESALQ/BM&FBovespa do milho (Campinas – SP), enquanto no início de 2021 a venda de um quilo do boi gordo possibilitava a compra de 14,82 quilos de milho, neste mês de abril, o pecuarista consegue adquirir apenas 13,09 quilos do insumo.

Em abril do ano passado, a venda de um quilo de boi rendia 15,08 quilos de milho, ou seja, a relação de troca atual está 13,2% pior. Em junho de 2016, a venda de um quilo de boi possibilitava a compra de apenas 12,75 quilos de milho. 

A reposição

O Indicador do Bezerro, segundo o Cepea, voltou a bater recorde para os animais nas praças paulistas. Segundo o fechamento da ultima segunda-feira, 26, o valor do animal teve uma valorização diária de 0,86% e atingiu o patamar de R$ 3.121,79 por cabeça.

Esse é o maior valor dos últimos 30 dias e representa uma valorização de R$ 296,64,00 por cabeça – veja gráfico abaixo! Quando consideramos os últimos 12 meses, a valorização ultrapassa a casa dos 60% para a categoria, que teve uma valorização de R$ 1.128,37/cab.

Segundo o app da Agrobrazil, os preços seguem em valorização nas principais praças pecuárias do país. O que tem apontando que os pecuaristas da terminação estão buscando recompor seus estoques de animais na propriedade.

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