Prejuízo: Pecuária tem perda de R$ 278 milhões

Prejuízo: Pecuária tem perda de R$ 278 milhões

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silhueta de vaca nelore no sol
Foto: Fazenda Bálsamo / Marca Peixe

A margem de lucro baixa e alto custo desanimam pecuaristas, os abates caem e pecuária tem perda de R$ 278 milhões. Confira!

Com margem de lucro baixa e altas nos custos de produção, a pecuária sul-mato-grossense acumulou perdas de R$ 272,8 milhões em renda em 2018. De acordo com o Ministério da Agricultura, o Valor Bruto da Produção do segmento fechou em R$ 7,9 bilhões no Estado, diante de R$ 8,1 bilhões de 2017.

Já os abates de bovinos tiveram queda de 4,1% em Mato Grosso do Sul no ano passado, no comparativo com 2017, recuando de 3,43 milhões para 3,29 milhões de cabeças. Os dados são da Pesquisa Trimestral dos Abates de Animais, divulgada ontem pelo IBGE, e apontam ainda que, no último trimestre do ano passado, foram abatidos nos frigoríficos 56,2 mil animais a menos que no mesmo período de 2017. Ao todo, foram 811,8 mil bovinos, o que representa retração de 6,5% no volume de abates no Estado.

Com esses resultados, MS ficou na contramão da estatística nacional apontada pela pesquisa. Conforme os dados do IBGE, o abate de bovinos cresceu 3,4% em 2018, atingindo 31,90 milhões de cabeças, representando a segunda alta consecutiva na série histórica anual, após três anos de queda. 

Já em relação ao quarto trimestre de 2018, foram abatidas no País 8,14 milhões de bovinos, quantidade 1% maior que a do quarto trimestre de 2017, porém, 1,7% inferior à do terceiro trimestre.

Menos renda

Para o analista-chefe e estrategista de mercado de pecuária de corte da Rural Business, Júlio Brissac, o valor da arroba está em recuperação, mas longe de apresentar margem de lucro eficiente. Hoje, a arroba está na casa dos R$ 144, um pouco maior que no mesmo período do ano passado, contudo, bem aquém da expectativa da classe produtora.

“Por anos seguidos, a pecuária tem alta radical nos custos de produção. Se planta no mercado que a demanda interna é ruim, mas os balanços financeiros dos grandes frigoríficos mostram o contrário. E são anos de sequências de aumento do lucro dessas empresas nas exportações”, avalia.

Por anos seguidos, a pecuária tem alta radical nos custos de produção.

Com relação aos números, ele acredita que, com certeza, ainda vão ser mexidos. “Estamos atentos a esses ‘ajustes’, mas já descobrimos números alarmantes e que, com certeza, não serão divulgados pelo instituto nem por sites e consultorias inocentes, ou ligadas aos interesses comerciais de grandes frigoríficos do Brasil”, enfatizou.

Ele alega ainda que estudo feito pela consultoria constatou que o volume abatido no ano passado em bovinos no País, na verdade, apresenta uma queda de mais de 2 milhões de cabeças diante do recorde de 2014, quando 33,91 milhões foram abatidos oficialmente no Brasil. “Basta andar um pouco pelo interior do Brasil ou olhar as planilhas de compra de gado de qualquer tipo de frigorífico para entender que os estoques de gado do Brasil caíram e vão se reduzir mais, caso a margem de lucro real não seja devolvida ao produtor de boi e vaca gorda do Brasil”, alerta Júlio Brissac.

Cenários 

Para o presidente eleito do Sindicato Rural de Campo Grande, Alessandro Oliva Coelho, a pecuária vem passando por processos desgastantes desde 2015 e a conta da fazenda não fecha. Ele destacou que o preço vem abaixando consecutivamente, mas estão confiantes em melhora do cenário neste ano, principalmente em exportações.

“No ano passado, recuperamos alguns mercados e abrimos outros, como China, Hong Kong e Egito. Em 2019, nos parece que temos um cenário novo, com novas perspectivas. Temos o Japão na mira [conquista desse mercado] e esperamos que em breve tenhamos boas notícias para toda a cadeia da carne”, ressaltou em entrevista recente ao G1 . 

No mercado interno, o cenário não é tão otimista. “O mercado interno hoje é o grande problema. O maior de todos, porque ele sozinho responde por 80% do consumo de carne bovina. Então é muito importante o aquecimento da economia, que tem ocorrido, mas muito devagar. Precisamos acelerar muito para que consigamos recuperar o preço e melhorar a remuneração para os produtores”, concluiu.

Fonte: Correio do Estado

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