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O produtor de leite não tem lutado por “esmolas”, e sim lutado para ter o reconhecimento e condições justas para se manter na atividade.

É como muito pesar e tristeza que tento aqui, colocar em palavras, o que tem passado o produtor de leite dentro da sua propriedade e, principalmente, frente as outras cadeias produtivas do país. A cada dia que passa é maior o descaso das indústrias e governo em relação a situação do produtor. 

Fiquei extremamente perplexo ao ver um técnico falar em um grupo de Whatsapp que a solução seria voltar no tempo e o produtor de leite produzir sem tecnologia, sem melhoramento genético e consequentemente um menor volume. Queria deixar aqui uma frase de um companheiro e grande produtor de leite, Joel Dalcin, que resume o meu pensamento e o de milhares de outros produtores que lutam por melhores cenários para o leite.

 Nosso lema é ordem e progresso não desordem e regresso!

Joel Dalcin, Produtor de leite do município de Doutor Maurício Cardoso – RS

Barbaridade da importação

O volume de leite importado está em crescimento, enquanto a renda do produtor brasileiro está despencando a cada mês. Segundo o Secex, que divulgou seu relatório dia 07/11, os dados da balança comercial láctea do Brasil é de uma alta movimentação nas importações.

As importações de Leite em pó equivaleram ao volume total importado de 155,6 milhões de litros, que foi 69% superior ao registrado em setembro, e 115% maior em relação a outubro de 2017. Já as exportações recuaram 37%, de 14,7 milhões de litros em setembro para 9,3 milhões de outubro.

Toda essa importação já tem gerado um prejuízo econômico e, principalmente, social para o setor. Responsável pela geração de empregos e manutenção das famílias no campo, a atividade do leite não é só uma produção de alimento e sim uma geração de valor para o ser humano.

As importações de leite em pó não diminuíram, pelo contrário, elas tem crescido e os números são de assustar.

O produtor de leite é quem sofre no campo, já que ele é o elo mais fraco da cadeia produtiva. Infelizmente, ele sabe que o seu produto é perecível e que jamais irá conseguir realizar uma greve.

Promessas e sonhos

O novo Governo, já deu indícios de que estaria disposto a reduzir os volumes importados, entretanto ainda são promessas como as anteriores. O produtor de leite não quer mais ser enganada por Associações que vivem mais em eventos do que na luta pelas melhorias do setor. Ele não quer promessas de um Governo, e sim atitudes que sejam boas para todos os lados.

A luta não parou

Diante desses fatores, os produtores buscam apoio de toda a sociedade para poder compartilhar e mobilizar os que estão no poder, esperando que a suas falas possam ser ouvidas em todos os lugares. 

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O grupo criado para o movimento no facebook ganhou o nome de “CONSTRUINDO O LEITE BRASIL“, com pouco menos de 10 dias da sua criação, já se juntaram ao movimento mais de mil pessoas de todo o Brasil. Se você quiser fazer parte do movimento, clique aqui.

O pecuarista Joel Dalcin, ressalta a importância dos produtores fazerem os vídeos mostrando a realidade que tem acontecido nas propriedades. “Produtores, façam seus vídeos!!! O movimento não parou e não vai parar até termos condições e o reconhecimento que merecemos! ” convoca o pecuarista.

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